Em 16 de fevereiro de 2007 tivemos nossa carta publicada, nesta Tribuna, do que abaixo se segue: "A Revista Oesp ? Estadão Construção, março-abril/2004, veiculou notícia no sentido de que autoridades reuniram-se na cidade de Campo Grande (MS), num encontro que estiveram presentes representantes do Brasil, Bolívia, Argentina e Chile, a fim de tratar do projeto que tem por ideia criar um corredor "bio-oceânico, ligando o Oceano Atlântico ao Pacífico, isto é, da cidade Santos no Brasil a Antofogasta, no Chile, encurtando em sete mil quilômetros o caminho do transporte de produção de grãos, petroquímicos e minérios."
Acreditamos que se concluído o referido projeto, haverá recuperação de toda malha ferroviária, inclusive com novos traçados. De onde deduzimos que em Bauru será modificado o trajeto, levando-se em consideração que o atual contém muitas curvas e passa por terrenos úmidos e não idealmente adequado.
Quando da construção da atual ferrovia, como na época não se dispunha de maquinário e tecnologia ideais, procurou-se, a fim de diminuir custos e tempo, locais baixos e de níveis favoráveis. Com os recursos e tecnologia de hoje, estes fatores estão superados.
Acreditamos ainda que por via de conse-quência, os trilhos serão mudados, passando por outro local. O que realmente nos preocupa é o fato de que está em andamento o projeto de conclusão de uma das alças do viaduto inacabado. Vejamos: se existe um plano de recuperação da via férrea na dimensão do "bio-oceânico" e que traz dúvidas quanto ao trajeto em Bauru, é bastante temerário investir tanto em um viaduto que tem por objetivo transposição das vias férreas. Quanto a preocupação em se perder patrimônio histórico com a remoção dos trilhos, julgamos ser possível preservarmos a estação ferroviária (já está garantido, uma vez que a prefeitura é a proprietária), os barracões e, ainda, se for modificado o trajeto das vias férreas, podemos ainda conciliar os interesses saudosistas, mantendo os trilhos no sentido leste x oeste, servindo de canteiro central de possíveis avenidas.
É necessário que tenhamos os pés firmes no presente e olhar fixo para o futuro.
José de Almeida Netto