09 de julho de 2026
Internacional

Família de Gaddafi foge para a Argélia


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Argel - Três dos oito filhos do ditador líbio, Muammar Gaddafi, fugiram para a Argélia com sua mãe, Safia. A informação é do governo argelino, um dos únicos na região a ainda apoiar o ditador.

A chancelaria do país vizinho disse que Safia, os filhos Aisha, 34 anos, e Hannibal, 35 anos, e o enteado Mohammed, 40 anos, atravessaram a fronteira ontem, com suas famílias. O comunicado não dá informação sobre o ditador.

Após o anúncio, o Conselho Nacional de Transição disse que pedirá à Argélia que os mande de volta ao país para serem julgados. Na última sexta-feira, um comboio com seis carros de luxo cruzou a divisa - na ocasião, a Argélia negou que fossem da família de Gaddafi.

A Casa Branca disse hoje crer que o ditador ainda esteja na Líbia. Há rumores de que os filhos Saif al Islam, 38 anos, visto como seu sucessor, e Saadi, 37 anos, estão com ele.

Segundo o coronel rebelde Al Mahdi Al Haragi, encarregado da Brigada de Trípoli, o caçula de Gaddafi, Khamis, 28 anos, foi morto ontem em um combate na cidade de Tarhuna, a 90 quilômetros de Trípoli.

Ele ainda teria sido levado a um hospital, mas não teria resistido aos ferimentos. Não há informações sobre Mutassim, 36 anos. O regime líbio diz que Saif al Arab, 29 anos, morreu em um ataque da Otan (aliança militar ocidental) em abril.

Khamis já estava sob a mira do Tribunal Penal Internacional. O procurador do TPI, Luis Moreno-Ocampo, disse que entraria com um pedido de prisão contra o mais novo dos Gaddafi, que seria responsável pela morte de dezenas de prisioneiros. O próprio ditador, Saif al Islam e o chefe da inteligência líbia já tiveram sua prisão decretada, por crimes contra a humanidade.

Isso limita as opções de fuga para Gaddafi. A Argélia seria uma das saídas, já que o país não é signatário do Estatuto de Roma, do TPI. Portanto, não seria obrigado a entregá-lo a Haia. O único bastião do regime está cada vez mais ameaçado. Sirte, cidade natal do ditador, tem sido alvo de bombardeios da Otan nos últimos três dias. O cerco dos rebeldes também está cada vez mais próximo à cidade.

Hoje, eles reconquistaram a vila de Narwfaliya. Duas frentes se aproximam - uma vinda de Trípoli e Misrata, e uma a partir de Bin Jawad e Ras Lanuf.

Os rebeldes que compõem a linha de frente estariam, porém, esperando reforços da Capital para lançar uma grande ofensiva a Sirte.

Sirte, de apenas 75 mil habitantes, é a cidade natal e o último reduto de Gaddafi. Abriga a tribo dos Gaddafa, da qual faz parte o ditador. Em seu governo, ele investiu bastante na antiga vila. Vizinha a poços de petróleo, tem como maior atividade exportação de combustível. Durante a ocupação italiana (1911-51), foi o centro administrativo do país.

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Cartunista do Rio inspira rebeliões árabes


Rio - Suas charges são afiadas, ousadas e um espinho na carne para líderes autoritários cambaleantes do mundo árabe - e um presente para os manifestantes que protestam. Tudo isso tendo como improvável origem um apartamento no Rio de Janeiro.

Carlos Latuff, um esquerdista de 42 anos cujo único vínculo com o Oriente Médio é um avô libanês que ele nunca conheceu, se tornou um herói da "Primavera Árabe" com desenhos satíricos que ajudaram a inspirar as revoltas. Ele só precisou de sua caneta, uma paixão pelas lutas da região e uma conta no Twitter, que ele utiliza para publicar suas charges.

Começando com o levante na Tunísia em dezembro, o trabalho de Latuff vem sendo baixado na Internet por líderes dos protestos e estampado em camisetas usadas em protestos do Egito à Líbia e ao Barein, tornando-se um emblema satírico da indignação popular.


Em uma delas, uma bota de cano longo representando o governo da Síria pisa em uma mão onde está escrito "liberdade". Em outra, um homem representando a Justiça sob o governo militar do Egito segura uma balança cheia de manifestantes presos.

Latuff disse que soube pela primeira vez que suas charges estavam tendo impacto quando, ao assistir à TV, viu-os estampados em cartazes no momento em que as manifestações se espalhavam pelo Egito, em 25 de janeiro, somente dois dias depois de ele as ter distribuído na Internet.

Latuff não cobra por seu trabalho e diz que doa os desenhos para destacar as injustiças e mostrar sua solidariedade contra o autoritarismo mundialmente.

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Fazendo amigos, e inimigos


Rio - As únicas visitas de Carlos Latuff ao Oriente Médio foram em 1999 e 2009, quando esteve nos territórios palestinos ocupados por Israel e, depois, em campos de refugiados palestinos na Jordânia e Líbano. Foi o suficiente, diz ele, para lhe fazer entender que as dinâmicas da opressão na região eram semelhantes àquelas das favelas cheias de violência no Rio. "A miséria é a mesma em qualquer país. A única diferença era que as mulheres tinham as cabeças cobertas, a escrita era em árabe e os homens com armas eram militantes, não traficantes de drogas."

A incursão de Latuff no mundo dividido do Oriente Médio fez com que ele ficasse repleto de inimigos, bem como amigos. Seu trabalho mostrando a brutalidade do Exército de Israel em relação aos palestinos - uma charge compara soldados com alemães nazistas - atraiu acusações de antissemitismo, o que ele nega fortemente. Muitos de seus desenhos ainda têm como foco o Egito, onde os poderes de emergência dados aos militares ainda continuam em vigor seis meses depois da derrubada de Hosni Mubarak.

Uma charge traz uma cobra aparecendo por trás de uma mulher sentada diante de um computador - uma referência à recente prisão da ativista Asmaa Mahfouz por "insultar" os militares em um comentário no Twitter. Ela foi posteriormente liberada.