11 de julho de 2026
Esportes

Após duas derrotas, líder tentar segura a ponta no Brasileirão

Agência
| Tempo de leitura: 5 min

Difícil imaginar que o líder do Campeonato Brasileiro, dono do título simbólico do primeiro turno e que tem uma das melhores defesas da competição possa entrar em campo pressionado. Pois é exatamente assim que o Corinthians estará nesta quarta-feira, no jogo diante do Grêmio, a partir das 18h, no Pacaembu.

Com uma sequência de duas derrotas, inclusive para o rival Palmeiras no clássico de domingo, e com uma irregular campanha de apenas duas vitórias nos últimos nove jogos, o Corinthians tenta se reequilibrar para evitar que a pressão se torne uma crise. Para isso, ganhar do Grêmio nesta quarta-feira é fundamental.

Ontem, o elenco corintiano teve um indício de que a situação pode ficar realmente ruim caso a equipe volte a tropeçar nesta primeira rodada do segundo turno do Brasileirão. Uma comissão de torcedores esteve no CT do Parque Ecológico, durante o treino da tarde, para uma ter conversa com os jogadores.

O grupo, com 14 membros de torcidas organizadas, queria conversar com representantes do elenco, com o técnico Tite e com o diretor de futebol Duilio Monteiro Alves e o gerente Edu Gaspar. O encontro, no entanto, não aconteceu porque não foi autorizada a entrada de todos os torcedores no CT do Parque Ecológico.

Apenas três deles entraram no local, mas só falaram rapidamente com os dois dirigentes. Apesar da torcida ter ido ao treino desta terça-feira numa espécie de “missão de paz”, mas com cara de cobrança, o clube foi precavido. Uma viatura da Polícia Militar ficou no CT corintiano enquanto os torcedores estiveram por lá.

A maior pressão tem sido em cima do trabalho de Tite. O técnico corintiano não quis falar diretamente sobre a presença de torcedores no CT nesta terça-feira, mas, ao seu estilo, não fugiu do tema. “Eu vou falar uma vez a respeito e não vou repetir. Tudo o que for feito que seja melhor para o Corinthians, para o presidente, para a torcida, para que possamos vencer, tudo vai ser feito. Mas tudo dentro de uma ética e sem ferir princípios”, afirmou.

O treinador também confirmou ter tido uma reunião com a diretoria do clube, na última segunda-feira. Segundo ele, para fazer uma avaliação do trabalho feito até agora no Brasileirão. E a conclusão de Tite foi simples: “Não precisa ser tão bom quanto os dez primeiros jogos (quando o Corinthians somou nove vitórias e um empate), mas também não pode ser tão ruim quanto os últimos nove (com apenas duas vitórias)”.

Apesar de dizer que se sente “pressionado desde o primeiro dia que me tornei treinador”, Tite está irritado com a situação vivida atualmente. “A vontade é dizer que tem outros 19 times que têm que trocar. Terminamos líder. Ou não terminamos? Cada um fala o que quiser. Quer trocar o Tite, troca. Vou seguir a minha carreira”, avisou. “Ninguém está fugindo da responsabilidade. Estamos quietos e trabalhando. Fora disso é balela, é conversa mole.”

 

Clássico inspira gaúchos

O Grêmio espera repetir contra o Corinthians a fórmula que o levou a vencer o clássico com o Internacional, no último domingo, no Olímpico. A ideia é que os zagueiros e volantes gremistas não deem espaço aos atacantes e meias adversários, os laterais surjam de surpresa no ataque e os meias usem sua habilidade para abrir caminho, a dribles ou lançamentos, na retaguarda corintiana.

Bom resultado para o Grêmio, jogando como visitante diante do líder do campeonato, não significa necessariamente vitória. Um empate mantém o clube gaúcho fora da zona de rebaixamento do Brasileirão, em condições de começar a subir na tabela nas próximas rodadas, quando pega adversários em situação semelhante.

Uma derrota para o Corinthians, no entanto, seria desastrosa, porque obrigaria o Grêmio a torcer por tropeços do Atlético-PR, diante do Atlético-MG, também nesta quarta-feira, e do Bahia, contra o América-MG, na quinta, para não ficar entre os quatro piores do campeonato. Antes de a rodada começar, o time gaúcho é 15º colocado, com 21 pontos.

 

Tite adota esquema mais cauteloso

O jeito que Tite encontrou para tentar voltar ao caminho das vitórias e deixar de patinar na liderança do Brasileirão foi fazer uma nova mudança no time do Corinthians. Contra o Grêmio, nesta quarta-feira, no Pacaembu, o treinador resolveu reeditar a formação utilizada contra o mesmo adversário no primeiro turno, quando venceu no Estádio Olímpico por 2 a 1. E, para isso, ele sacou o atacante Jorge Henrique e resolveu apostar na entrada do volante Edenílson, agora no esquema tático 4-4-2.

A grande alteração tática está na formação do meio-de-campo. Tite quer que seus jogadores atuem formando um losango. Ralf fará a função de único volante de proteção à zaga. Edenílson, pela direita, e Paulinho, pela esquerda, trabalharão com a função de fechar seus setores e também subir para auxiliar na armação. Pelo meio, na ponta do losango, ficará o meia Danilo.

A missão do quarteto será abastecer Emerson, o atacante que jogará saindo da área e se movimentando pelos dois lados do campo, e Liedson, que será a referência do ataque. Tite explicou que a mudança é fruto da queda de rendimento de alguns jogadores. Entre eles está Jorge Henrique. “Ele teve uma queda. E resolvi tirar, assim como já fizemos com outros. E ele não se adaptou à função que será necessária nesta nossa formação tática”, explicou. O treinador disse que conversou com Jorge Henrique antes do treino desta terça-feira para explicar os motivos da troca.

Mas nenhum outro motivo é tão sentido pelo treinador como a queda de rendimento de Liedson. O artilheiro do time na temporada não tem sido o mesmo desde que voltou de contusão. Após a recuperação, o centroavante só marcou um gol, contra o Atlético Mineiro. “É um dos motivos para a queda. Mas eu falei com o Liedson, ele também está com ansiedade de voltar a fazer o gol. Eu falei para ele ter calma”, contou o técnico.