11 de julho de 2026
Política

Partidos têm pouco mais de um mês para novas filiações

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 7 min

A partir de hoje, os partidos políticos têm não mais que um mês para garantir filiações de possíveis candidatos a uma das 17 cadeiras da Câmara Municipal e também à Prefeitura de Bauru. O prazo oficial é o dia 6 de outubro, um ano antes do primeiro turno das eleições do ano que vem. As siglas, porém, trabalham com 30 de setembro como a data limite, em razão dos trâmites burocráticos necessários para garantir a adesão de novos militantes. Os próximos 30 dias, portanto, são fundamentais do ponto de vista da corrida das legendas para atrair filiados, inclusive de outros partidos, para a formação de chapas. E a "dança das cadeiras" já começou.

Apesar de alguns anúncios em torno das filiações partidárias, a lei em vigor na alta cúpula das siglas é o silêncio e o mistério. Isso porque existe a dificuldade na montagem de chapas proporcionais, especialmente para garantir a cota de 30% de candidatas do sexo feminino exigida pela lei. Além disso, o assédio dos partidos políticos sobre nomes com potencial eleitoral é muito grande.


Muda e muda


Um caso que ilustra o cenário é a não filiação do líder umbandista Ricardo Barreira ao PPS. O ex-assessor do vereador Fernando Mantovani (PSDB) nunca disputou uma eleição, mas estava sendo cogitado por alguns partidos enquanto ainda atuava no gabinete do parlamentar tucano. Barreira chegou a anunciar sua filiação em um evento que contou com a participação de líderes do PPS, mas a relação esfriou e a entrada do ?babalorixá? no PT é dada como certa. A vice-prefeita Estela Almagro (PT) teria tomado a frente da articulação.

Esse, porém, é apenas um exemplo da movimentação dos possíveis candidatos entre os partidos. A direção do DEM, por exemplo, dá como certa a saída de Fábio Manfrinato rumo ao PR. O assessor de acessibilidade da Emdurb é suplente do atual partido de oposição na Câmara e chegou a assumir uma cadeira no Legislativo no início dessa legislatura, durante a licença maternidade de Chiara Ranieri (DEM). Antes disso, Manfrinato já havia ?namorado? o PV.

Mas o PR continua utilizando com desenvoltura os cargos em comissão que detém no governo, tanto que conseguiram trazer do PSDB o ex-assessor de Pedro Tobias, ex-vereador Paulo Agustinho, agora um republicano e com cargo no DAE.

E as conversações continuam. Os verdes, vale lembrar, estão comprometidos com o PPS para o pleito do ano que vem e trouxeram do PSB a médica Telma Gobbi.

O também médico Pedro Gobbi saiu do PP e foi para o PPS, que também levou Clemente Rezende, que já foi eleito vereador pela sigla, mas depois migrou para o PDT e, em 2008, se candidatou a vice-prefeito pelo DEM, na chapa encabeçada por Caio Coube (PSDB). O nome dele volta a ganhar força para esta posição, na composição da candidatura majoritária de Clodoaldo Gazzetta (PV).

O DEM, por sua vez, foi alvo de grande revés na dança das cadeiras dos políticos. Além da possibilidade da perda de Manfrinato e da saída de Clemente, o ex-vereador Paulo Eduardo Martins também mudou para o PSDB.

A direção do partido presidido por Dudu Ranieri (DEM), porém, diz que está na busca por novos nomes. A sigla, que sempre se destacou por chapas fortes, acredita na repetição do ocorrido nas eleições de 2008, quando o jurista José Roberto Segalla (DEM) recebeu votação expressiva sem nunca ter se candidatado anteriormente.

Outra aquisição do ninho tucano foi a filiação de Arildo Lima Júnior, que foi vereador pelo PP. Já a presidência do PTB confirma as filiações do empresário Toninho Gimenez e do advogado Ailton José Gimenez.

O PSB aposta na filiação recente do advogado José Milagre, que junto a Toninho Garmes, é apontado, inclusive, como pré-candidato à prefeito pela legenda. O PMDB do prefeito Rodrigo Agostinho, por sua vez, aposta na popularidade e na aprovação do líder e atual mandatário para atrair filiados.

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Alianças para a sucessão municipal estão em aberto; Rodrigo não abre jogo sobre vice


Tão importante quanto a formação do Poder Legislativo está a disputa pelo comando do Palácio das Cerejeiras no ano que vem. Apesar de evitar comentar o assunto, o candidatíssimo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) só não fala sobre quem será seu vice. Estela Almagro (PT) garante que as articulações mostram que tudo ficará como está, mas nem os petistas têm certeza disso.

Existem os rumores até de uma aliança do chefe do Executivo com o PSDB, impulsionada, inclusive, pela quebra de paradigmas de anos, como a discussão sobre a terceirização do tratamento do esgoto.

O presidente Renato Purini (PMDB), porém, explica, em tom formal, que o objetivo da sigla é manter o apoio dos partidos que participaram do pleito de 2008 e ampliar essa aliança.

A novidade tida como certa na disputa é a pré-candidatura do ex-prefeito de Agudos Carlos Octaviani (PP), ainda que para ajudar a legenda a alavancar votos para a eleição proporcional e servir de propulsor de sua pretensão de ser deputado.

O PP confirma que está conversando para fechar acordo com o PTB de Ricardo Oliveira. O ex-titular da Secretaria de Administrações Regionais, porém, garante que a aliança está confirmada. Mas, nesta fase, as alianças na esfera majoritária são jogo de cena em alguns casos. Na prática, ninguém assina nada, mas especula.

Em se tratando de aliança, o PDT era anunciado como aliado certo do PTB há alguns meses, mas a situação "mudou" a partir da "saída" dos petebistas da base de sustentação do governo municipal. O vereador e presidente do PDT, Fabiano Mariano, cada vez mais alinhado ao prefeito, diz que a conversa com o PTB esfriou, mas que não está descartada.

A direção estadual do PDT, no entanto, por meio do deputado federal Paulinho da Força, tem sondado Caio Coube (PSDB). Mas o empresário tucano, candidato à prefeitura em 2004 e 2008, afirma que uma nova disputa ao Palácio das Cerejeiras e mudança de partido não estão em seus planos.

O PSDB, por sua vez, trabalha com pré-candidaturas do vereador Marcelo Borges e do coordenador regional do partido, Eliseu Eclair. No entanto, a legenda palpita sobre outros nomes, como o vereador José Roberto Segalla, atualmente no DEM. Tudo e nada ao mesmo tempo, apenas tergiversação.

O demista confirma que está sendo procurado por diversos partidos políticos, mas diz que não deve migrar a não ser por motivações envolvendo incompatibilidade programática. Ele nega, porém, que as divergências com o comando do partido sobre a recente discussão do IPTU Progressivo poderiam ocasionar sua saída do DEM.

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Eleição a vereador


A escolha dos vereadores que vão ocupar as 17 cadeiras da Câmara Municipal de Bauru é feita a partir do cálculo do coeficiente eleitoral. O número de votos válidos (total de votos excluindo brancos e nulos) é dividido pelo número de vagas. O resultado obtido define o número de votos mínimos que cada partido ou coligação proporcional precisa para eleger um vereador. Em 2008, quando Bauru elegeu 16 vereadores, esse número foi de 10.963 votos.

Reportagem recente do JC expôs a dificuldade dos partidos em conseguir preencher a cota mínima (30%) de candidatas do sexo feminino nas chapas. Além disso, os resultados da última eleição municipal, mostraram o fraco desempenho das mulheres nas urnas. Não a toa, o município tem apenas uma parlamentar. Mas a situação pode mudar com o ingresso de militantes em algumas legendas e participação mais ativa na vida política local.

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Lei pede convênio para
o centro de distribuição


O prefeito Rodrigo Agostinho enviou projeto de lei à Câmara Municipal que requer autorização para que o Executivo celebre convênio com o governo estadual, através da Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura e Abastecimento.

A matéria, uma vez aprovada pelo Legislativo e transformada em lei, possibilitará ao município participar do Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável ? Microbacias II - Acesso ao Mercado, através do qual seria implantado com aporte de verbas estaduais, um Complexo da Agricultura Familiar (CAF) em Bauru.

Esse complexo está projetado para ser construído na Avenida Lúcio Luciano, próximo ao Núcleo José Regino, numa área de 10.000m², doada pela prefeitura à Associação Bauruense de Apicultores, Meliponicultores e Ambientalistas (Abama).

A previsão é que o CAF/ABAMA, como está sendo denominado este centro de distribuição de produtos da Agricultura Familiar terá, inicialmente, uma área construída de 600m², podendo chegar a 3.000m², onde serão instalados entrepostos de ovos, mel, processamento de filé de peixe e para higienização e processamento de frutas, legumes e verduras.

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Algumas filiações recentes


Paulo Agustinho ? PSDB para PR

Paulo E. Martins ? DEM para PSDB

Telma Gobbi ? PSB para PV

Clemente Rezende ? DEM para PPS

Ricardo Barreira ? Entrou no PT

Fábio Manfrinato ? DEM para PR

Pedro Gobbi ? PP para PPS

Arildo Lima Junior ? PP para PSDB

Toninho Gimenez ? Entrou no PTB

Ailton Gimenez ? Entrou no PTB

José Milagre ? Entrou no PSB