08 de julho de 2026
Internacional

Aliados de Gaddafi recebem ultimato

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Trípoli - A liderança rebelde na Líbia deu prazo até sábado para que as forças leais ao ditador Muammar Gaddafi se rendam e entreguem os últimos redutos do regime, em especial, a cidade de Sirte. Se o ultimato não for cumprido, os rebeldes prometem usar sua força militar para tomar os bastiões de Gaddafi. Em 16 de março, um ultimato semelhante - mas vindo do regime - motivou a intervenção estrangeira no país.

Na época, Gaddafi deu menos de 24 horas para que os moradores de Benghazi deixassem as áreas onde estavam rebeldes e depósitos de armas antes que tropas do regime "limpassem" a cidade. Três dias depois, aviões franceses bombardeavam a Líbia.

"Se não houver indicações de uma saída pacífica até sábado, vamos nos impor militarmente. Não é o que desejamos, mas não podemos esperar mais", disse o presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafa Abdel Jalil, em entrevista coletiva em Benghazi.

Os rebeldes já mantêm cerco próximo a Sirte, cidade natal do ditador, que se tornou o símbolo da resistência do regime. Outras duas cidades - Bani Walid e Sabha - estão na mira da oposição.

Segundo a agência italiana Ansa, "fontes diplomáticas" revelaram que Gaddafi esteve na última segunda-feira em Bani Walid, a 100 quilômetros de Trípoli, acompanhado dos filhos Sail al Islam e Saadi.

Um ex-guarda-costas de Khamis, outro filho do ditador, assegurou ter visto Gaddafi na última sexta-feira em Trípoli. Ele ainda disse que o líder teria seguido até Sabha, no deserto ao sul do país.

Em um hotel de Trípoli, Ali Tarhuni, vice-primeiro-ministro rebelde, disse à imprensa que a oposição tem "uma boa ideia" de onde o ditador está escondido. "Não temos dúvida nenhuma de que vamos capturá-lo", disse. Tarhuni, no entanto, disse não ter provas sobre a morte do caçula Khamis, em um confronto no domingo.

O governo da Argélia tentou justificar ontem o abrigo dado à esposa de Gaddafi, Safia, seus filhos Aisha e Hannibal e o enteado Mohammad, como uma decisão "estritamente humanitária".

Segundo o Ministério da Saúde argelino, a autorização foi dada depois que a filha de Aisha nasceu no meio do caminho para a Argélia. "A hospitalidade é sagrada", justificou o embaixador argelino para a ONU, Mourad Benmehidi. O grupo de mais de 30 pessoas teria esperado 12 horas até a liberação.

O jornal argelino "El Chorouk" disse que o governo está decidido a entregar Gaddafi ao Tribunal Penal Internacional se ele entrar no país. O governo também resolveu fechar uma parte da fronteira.

Os rebeldes líbios anunciaram que voltarão a produzir gás e petróleo em até dez dias. Porém, o preço do produto segue em alta, à espera do fim do conflito. A Líbia tem a principal reserva da África e é o quarto maior produtor do continente, mas o comércio despencou com os confrontos.