11 de julho de 2026
Bairros

Por crack, adolescente vende bicicleta de R$ 8 mil por R$ 30

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 4 min

Dois flagrantes de furto e receptação foram registrados na madrugada de ontem, na Vila Nova Santa Clara e no Jardim Marambá , em Bauru. Uma das ocorrências evidencia o poder nocivo e avassalador do crack sobre os usuários desta droga, que vicia de forma extremamente rápida.

Um jovem de 15 anos invadiu o quintal de uma residência na Travessa Luiz Castanho de Almeida, na Santa Clara, e do local furtou produtos avaliados em mais de R$ 10 mil. Apenas a bicicleta levada por ele custa cerca de R$ 8 mil, de acordo com o proprietário, mas foi vendida por R$ 30,00, segundo confirmou o próprio adolescente.

O dinheiro foi usado por ele para comprar crack. A polícia recuperou os produtos, apreendeu o rapaz e outros dois homens acusados de receptação.

De acordo com Marcelo Luiz Castanho de Almeida, vítima do furto, por volta de 4h30 da madrugada de ontem, ao abrir a porta da casa para que a gata de estimação da família saísse, percebeu a luz acesa do banheiro que fica na área externa, além de materiais espalhados pelo quintal.

Então ele percebeu que sua bicicleta, um brinquedo de controle remoto, uma máquina furadeira e um par de tênis haviam sido furtados. O brinquedo foi estimado pelo proprietário em R$ 2,5 mil e máquina em mais de R$ 300,00.

A polícia foi acionada e identificou um adolescente que carregava uma grande sacola, onde estava o brinquedo descrito pela vítima. O garoto, que reside no Parque Viaduto, estava próximo à Praça Itália. Abordado, confessou que tinha invadido a casa e arrombado o trinco do portão.


Produtos vendidos


Em cerca de uma hora, o adolescente vendeu a maior parte dos produtos furtados, a bicicleta por R$ 30,00 e a máquina furadeira por R$ 20,00, comprou cinco pedras de crack e fumou todas, de acordo com a delegada Luciana Claro Rodrigues, que atendeu ao flagrante.

Ao ser apreendido, indicou o local onde vendeu os produtos. Os dois homens que compraram o material foram autuados em flagrante por receptação, mas pagaram fiança de R$ 545,00 cada um e vão responder ao processo em liberdade.

O menor foi liberado, uma vez que o furto não é considerado crime de agressão, mas a delegada informou que a mãe do adolescente foi indiciada por omissão porque se negou a buscar o filho na delegacia.

Na delegacia, apresentando sinais de que ainda estava sob efeito da droga, o rapaz contou que usa crack há pelo menos quatro anos. Disse que foi apreendido outras vezes pela polícia, mas que nunca esteve na Fundação Casa.

Quando era mais novo, ainda segundo ele, vendia bala e fazia malabarismo nos semáforos da cidade para conseguir dinheiro para manter o vício, até que descobriu no furto "um jeito mais fácil".

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Cão de guarda


Morador do bairro desde 1988, depois do susto, o veterinário Marcelo Luiz Castanho de Almeida, que teve sua casa invadida por um adolescente de 15 anos na Vila Nova Santa Clara, disse que pretende adquirir um novo cão de guarda para garantir a segurança da casa.

Ele conta que nunca enfrentou uma situação semelhante, mas que durante dez anos teve um cão da raça pitbul que guardava o quintal, mas que precisou ser sacrificado devido a uma grave doença.

Recentemente, o veterinário doou outro cão da mesma raça por medo da proximidade do animal com seu filho de 4 anos. "Agora vou ter que encontrar um que guarde o quintal, mas não ofereça perigo para minha família", afirmou.

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Escada denuncia outro furto


Na outra ocorrência de furto registrada na madrugada de ontem em Bauru, segundo a Polícia Militar, o morador de uma residência na rua José Talon, no Jardim Marambá, chamou a polícia depois de ver um homem sobre o muro que faz divisa com o seu imóvel. No quintal, estavam alguns produtos furtados, como uma batedeira de bolo, multiprocessador e liquidificador.

Para a polícia, a vítima apontou ainda a falta de outros produtos, como um aparelho portátil de rádio e toca CD e uma caixa de cerveja em lata.

No local os policiais encontraram uma escada que dava acesso ao imóvel vizinho, cujo proprietário Diogo Frederik da Silva, 30 anos, confessou o furto.

O acusado ainda disse que parte do material furtado estava com Benedito Aparecido Francisco de Oliveira, de 41 anos.

No local de trabalho de Benedito, os policiais encontraram o restante dos produtos furtados. Os dois homens foram presos e conduzidos à cadeia pública de Duartina.