O secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Manoel Bertone, afirmou que o clima foi o principal responsável pela redução da oferta de cana-de-açúcar destinada à indústria sucroalcooleira na safra 2011/2012. A redução é de 5,6%.
"Estamos perdendo 60 milhões de toneladas este ano por questões meramente climáticas", afirmou. A safra 2011/2012 é calculada em 588,9 milhões de toneladas ante 623,9 milhões de toneladas na safra anterior. Ele explicou que, principalmente no Centro-Sul, as lavouras foram atingidas por estiagens. A região concentra cerca de 80% da produção nacional.
Com a queda na oferta de cana-de-açúcar, o principal produto atingido é o álcool hidratado, que terá oferta de 14,549 milhões de litros nesta safra, ou seja, redução de 25,7% em relação ao total de 19,578 milhões de litros na safra 2010/2011. A produção de álcool anidro é calculada em 9,136 milhões de litros, alta de 14% em relação aos 8,017 milhões de litros da safra anterior.
A produção de açúcar, por sua vez, é calculada em 37,1 milhões de toneladas, o que representa queda de 2,9% ante as 38,2 milhões de toneladas na safra anterior. Os dados são do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar 2011/2012, elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados nesta terça-feira.
O diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Sílvio Porto, destacou que a estiagem no Centro-Sul afetou fortemente a produção. A região tem uma safra calculada em 519,3 milhões de toneladas, uma queda de 7,4% em relação às 560,5 milhões de toneladas da safra anterior. Na região Norte-Nordeste, a produção apurada é de 69,6 milhões de toneladas, representando alta de 9,8% ante a colheita anterior de 63,4 milhões de toneladas.
Para o ano que vem, caso não haja problemas climáticos, há expectativa do governo de que a produção volte a crescer, ficando entre 620 milhões e 630 milhões de toneladas, garantindo maior folga no suprimento interno.
Preços
Em relação aos preços, Bertone e Porto explicaram que os valores internacionais do açúcar continuam balizando a produção nacional de cana. E os preços do açúcar continuarão altos, inclusive por conta da previsão de pequena retração na produção do Brasil. "Essa queda na oferta brasileira de açúcar gera algo que não vou chamar de especulação, mas de nervosismo", argumentou o diretor da Conab.
Segundo Porto, os preços do açúcar estão, no mínimo, 50% mais elevados que há um ano. Esse fator gera pressões sobre o setor, mantendo boa parte da cana direcionada à produção de açúcar. No ranking de remuneração, explicou Bertone, atualmente o açúcar tem oferecido o melhor retorno, seguido do álcool anidro. O álcool hidratado fica em último lugar. "O melhor para o mercado é quando os dois mercados (açúcar e álcool) estão suficientemente abastecidos", disse o secretário do Mapa.
Bertone argumentou que a estiagem no Centro-Sul prejudicou não apenas a produtividade, mas também ações de tratos culturais e de renovação de lavouras, gerando prejuízos sobre a oferta final de cana.
Dados da Conab indicam que 14,5% do total da área cultivada com cana-de-açúcar precisaria ser renovada (são, portanto, lavouras antigas, que apresentam produtividade mais baixa). Segundo o secretário, os problemas com a estiagem também impediram maior velocidade na renovação de canaviais.
Apesar da retração da oferta de cana, o Mapa garante que o Brasil não enfrentará problemas com desabastecimento de etanol. Segundo Bertone, a produção atual, somada às importações, garante o suprimento do mercado doméstico.
Nesta safra, destacou, já foram importados cerca de 450 milhões de litros de álcool, volume que poderá chegar a 1 bilhão de litros em 12 meses (embora as exportações devam chegar a 1,5 bilhão de litros no mesmo período). No final da entressafra do ano passado, entretanto, a importação tinha chegado a apenas 200 milhões de litros.
Na busca do equilíbrio no abastecimento interno, outro fator de contribuição é a redução do porcentual de adição de álcool anidro à gasolina (de 25% para 20%, conforme decidido ontem), que gerará uma "sobra" de 160 milhões de litros de etanol anidro por mês a partir de outubro, quando a medida passará a vigorar.