Lençóis Paulista ? Uma jovem de 33 anos, que pretendia cursar Pedagogia em uma faculdade de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), alega que teve seus planos frustrados pelo que ela considera propaganda enganosa da instituição. De acordo com a candidata, após anunciar que iria distribuir 300 bolsas de estudo gratuitas para três cursos, a Faculdade Orígenes Lessa (Facol) não cumpriu a promessa e ofereceu aos classificados, no ato da matrícula, uma possibilidade de financiar seus estudos por meio do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).
A instituição diz que houve um mal-entendido e que as bolsas estão sendo preenchidas de acordo com o que foi anunciado.
A jovem, que prefere não se identificar, conta que a faculdade anunciou em seu site, em emissoras de rádio e em jornais da cidade que realizaria processo seletivo para o preenchimento de 300 bolsas de estudo gratuitas, distribuídas entre os cursos de licenciatura em Letras, Pedagogia e Educação Física. "Antes disso, foi feito uma palestra com todos os inscritos pelo site interessados em fazer o vestibular e, nessa palestra, eles explicaram como seria o processo", declara.
Segundo ela, durante a palestra, ocorrida no último dia 18, no Ubirama Tênis Clube, o representante da instituição teria comentado sobre o novo Fies, que possibilita financiar até 100% do valor do curso superior. "Mas ele deixou muito bem claro que iam ser distribuídas 100 bolsas para cada curso de licenciatura", diz. "Os 100 primeiros candidatos ganhariam uma bolsa integral e não iriam pagar nada pelo curso. Quem pagaria o curso seria a instituição, ou seja, a faculdade".
Apesar de ter participado do processo seletivo, realizado no dia 21 de agosto, e ficado entre os 30 primeiros classificados para o curso de Pedagogia, o que lhe daria direito a bolsa gratuita, ao efetuar sua matrícula, a candidata revela que teve uma decepção. "Eles falam que nós entendemos errado", afirma. "Eles disseram para eu começar a fazer o meu curso. A cada três meses, eu pagaria um valor de R$ 25,00, não excedendo R$ 50,00 e, depois que eu terminasse meu curso, eu teria um ano e meio de carência. Após esse um ano e meio de carência, eu iria pagar 100 meses de R$ 247,00".
A jovem disse que se sentiu enganada ao descobrir que não havia sido contemplada com a bolsa gratuita. "Eu acredito que, tanto eu, como muitas outras pessoas, prestaram o vestibular nessa intenção. E, quando nós chegamos lá, não foi isso que aconteceu", desabafa. De acordo com ela, muitos candidatos desistiram da matrícula ao saber que se tratava de financiamento do Fies. "Eu acho que eles usaram esse meio de oferecer 100 bolsas gratuitas para tentar ?pegar? aluno".
Mal-entendido
O mantenedor da Facol, Afonso Placca Filho, nega qualquer tipo de propaganda enganosa e garante que, na palestra, foi explicado aos candidatos que eles poderiam ter acesso a 300 bolsas de estudo integrais, divididas entre os três cursos de licenciatura, através do Fies. "O aluno tem que prestar o vestibular, fazer a matrícula e se inscrever no Fies. O Fies tem algumas regras que possibilitam ao aluno até não pagar nada".
De acordo com ele, a faculdade oferece três oportunidades para que o candidato estude de graça. Em todas elas, ele deve aderir ao Fies no ato da matrícula, além de cumprir alguns requisitos como não ficar de DP a partir do segundo semestre, não ultrapassar o limite de faltas estabelecido, ser um aluno exemplar sob o ponto de vista disciplinar e demonstrar sua incapacidade financeira no momento de pagamento.
Na primeira opção, o aluno, depois de formado, deve ingressar como professor na rede pública municipal, estadual ou federal de ensino. A cada mês trabalhado, o governo federal abate 1% da dívida dele. "Em 100 meses, ele não deve mais nada", explica. Na segunda opção, a Facol, por fazer parte de um Fundo Garantidor, atua como fiador do estudante. "Se o aluno tem dificuldades financeiras, vai ter que demonstrar isso e o Fundo Garantidor cobre a mensalidade dele", revela.
A terceira possibilidade, segundo o mantenedor, foi criada pela instituição para ampliar o leque de opções dos interessados em cursar uma faculdade. "Se ele não for para a sala de aula, que é a primeira opção, se ele não conseguir que o Fundo Garantidor, por qualquer motivo, pague a sua mensalidade, nós da Facol iremos quitar as parcelas do financiamento dele. Portanto, eu estou oferecendo uma bolsa", afirma.
Ele acredita que os candidatos que prestaram o processo seletivo não entenderam o que foi informado pela instituição na matrícula e garante que os 100 primeiros colocados para cada um dos três cursos poderiam, se quisessem e preenchessem os pré-requisitos, ter direito à bolsa de estudos integral. Placca Filho anuncia que a distribuição das bolsas gratuitas já ocorreu e que o preenchimento das vagas está sendo feito gradativamente. De acordo com ele, os candidatos que aderiram à terceira opção oferecida pela faculdade vão receber um termo de compromisso assinado e registrado em cartório como garantia de que a instituição irá quitar as parcelas do Fies ao final do curso, se eles não tiverem condições financeiras.
No entanto, o mantenedor destaca que a bolsa de estudos integral só beneficiou os interessados que se classificaram entre os 100 primeiros lugares. "A partir do 101, não tem a bolsa. E nem que alguém dos 100 desistir vai ter", ressalta. No total, de acordo com ele, 930 pessoas fizeram inscrição para o processo seletivo. Destas, 720 fizeram as provas. Placca Filho explica que, quem não conseguiu a bolsa, pode optar por pagar a faculdade normalmente ou aderir ao novo Fies, que tem juros de 3,4% ao ano e oferece ao aluno possibilidade de financiar seus estudos em até 3 vezes o período do curso, com um ano e meio de carência para o início do pagamento.