08 de julho de 2026
Articulistas

Competitividade à indústria

Ricardo Coube
| Tempo de leitura: 2 min

Defendemos o ponto de vista de que a indústria, de modo geral, é um importante segmento econômico para promover inovação, pesquisa, desenvolvimento econômico e social, empregos de qualidade, além de renda e status tecnológico à população envolvida. Não existe País desenvolvido sem um parque industrial desenvolvido.

O Brasil possui todas as condições técnicas para desenvolver um segmento industrial forte em vários setores. Entretanto, desperdiçamos esta oportunidade em função da falta de vocação política pró-indústria. Abusamos dos fatores tributários negativos à compe-titividade, insegurança jurídica, burocracia, câmbio, educação, etc...

Conseguimos criar todas as dificuldades possíveis a fim de prejudicar o nosso bom desempenho industrial. Recentemente, a fim de competir e desenvolver seus negócios, indústrias brasileiras se instalam no Mercosul ? Argentina, Uruguai e Paraguai, onde conseguem importar insumos com menos tributação, fabricá-los em ambiente mais competitivo em termos de impostos e outros custos, e exportarem para o Brasil utilizando os benefícios do acordo tarifário do Mercosul.

Tudo isso é legal e correto sobre todos os aspectos jurídicos e obedecem as regras es-tabelecidas. Entretanto, a pergunta que precisamos fazer é por que não criamos as condições internas que evitem o desenvolvimento de emprego, tecnologia, renda, etc... em outros países?

Por que não trabalhamos para o Brasil ao invés de trabalharmos para o Mercosul, China, México, Chile e outros Países que o Brasil possui acordos bilaterais tarifários? Por que não criamos facilidades competitivas a fim de desenvolvermos um parque industrial robusto?

Somos ótimos no agronegócio, energia (petróleo), mineração, etc.... Por que não temos uma indústria de transformação forte que agregue valor a esses insumos e que exporte os alimentos industrializados, o minério transformado, etc... ?

Em Bauru, nós devíamos ter orgulho de nosso parque industrial, pois foi construído por bauruenses, na sua grande maioria. Além disso, vários empresários e executivos puderam cursar engenharia, cujo curso foi a realização de um sonho de vários bauruenses e que hoje se transformou na Unesp.

Todo este passado desenvolvimentista está prejudicado pela falta de vocação e apoio ao desenvolvimento industrial local.

A indústria está se transformando em vilã, mal vista e em problema e não em solução.

Bauru precisa acordar e mudar. Os empresários precisam se unir e avaliar alternativas para o futuro de seus negócios.

Resumindo, se não bastassem os problemas macros que estamos submetidos, temos dificuldades locais adicionais que desestimulam o nosso crescimento e desenvolvimento. Viva a indústria brasileira/bauruense! Até quando?

O autor, Ricardo Coube, é diretor Presidente do Grupo Tiliform