A AmBev e o Grupo Pão de Açúcar anunciaram nesta semana parceria em programas voltados a supermercados e bares para evitar a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos.
As iniciativas, cujos investimentos não foram revelados pelas empresas, preveem a solicitação de um documento de identidade a todas as pessoas que aparentarem ter menos de 25 anos de idade no momento da compra.
Desenvolvido pelo Grupo Pão de Açúcar, um sistema operacional que bloqueia a venda de bebidas alcoólicas após leitura do código de barras, a menos que seja inserida a data de nascimento do cliente, passará a funcionar em 395 lojas da varejista nos Estados de São Paulo e Paraná. Até o fim de outubro, o sistema estará disponível em todo o País.
No caso dos bares, a parceria prevê treinamento e distribuição de kits a donos de estabelecimentos e garçons. No primeiro momento, 3.500 bares serão incluídos no programa, dos cerca de 1 milhão existentes no País.
Para atingir bares e restaurantes, a Ambev colocará, em suas embalagens das marcas de cerveja Skol, Brahma e Antarctica, um "selo" para estimular a apresentação de documentos de identidade no momento da compra da bebida alcoólica, o "+ID".
Neste mês, a empresa veiculará na televisão um filme de 30 segundos e uma campanha, com peças em jornais e revistas, sobre a importância de não vender bebidas alcoólicas a menores de idade. A proibição virou lei no Brasil nos anos 40, sofrendo reformulações nos anos 90, com a criação do estatuto da criança e adolescente.
"Não nos interessa o lucro proveniente de vendas (de bebidas) para menores de idade e para quem bebe e dirige", disse o vice-presidente de Relações Corporativas da AmBev, Milton Seligman, quando questionado sobre uma possível retração no volume de vendas decorrente da iniciativa. "Não estamos preocupados com isso", acrescentou.
Ele afirmou ainda que a companhia não terá condições de medir o volume que deixará de ser vendido nesses casos.
Segundo o executivo, as empresas acompanharão os resultados do programa por meio de pesquisas sobre consumo de bebidas alcoólicas. "Não teremos resultado muito rápido. Vai demorar para as pesquisas incluírem o resultado disso", disse Seligman.
De acordo com o executivo, esse modelo de parceria deve ser ampliado para outras redes varejistas do País. "Tenho certeza que outras redes vão adotar", disse ele.