09 de julho de 2026
Articulistas

Partidos em Bauru: quem pensa o quê?

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 3 min

Ideologia: um conjunto de ideias e valores. Uma ideologia radical considera que o estado não deve interferir na vida das pessoas. O mercado controla e regula tudo, inclusive educação, saúde, transportes e previdência! O estado deve ser mínimo! Esta ideologia representa o capitalismo mais incisivo. O individualismo prevalece sobre o social: chora mais quem pode menos! Os EUA seriam a expressão máxima do modelo. Outra ideologia, tão quão radical, acredita que o estado deve controlar tudo para o cidadão: saúde, previdência, educação, lazer, transportes e moradia. Todos teriam a mesma coisa, sem diferença de classes: é o comunismo, o todo controla o individual. União Soviética e China adotaram este modelo, sem sucesso. Uma terceira ideologia prega que o estado deva interferir no essencial, oferecendo serviço universal de saúde e ensino público gratuito. A maior parte da atividade econômica teria regulação e fiscalização do governo, mas exercida na quase totalidade pela iniciativa privada. O cidadão teria no estado seu guardião em uma sociedade organizada: prevalece o todo, mas a individualidade deve ser rigorosamente respeitada. Representa o socialismo do bem estar de todos, como nos países escandinavos e Alemanha.

As ideologias representam pensamento de um grupo que em sociedades democráticas devem ser respeitadas. Estas ideias são apresentadas, ou deveriam ser, nas eleições quando se escolhe o modelo de propostas para serem aplicadas nos próximos anos. Sem rupturas e perda de continuidade, as políticas econômicas e sociais mudariam as suas prioridades de acordo com o pensamento político das pessoas escolhidas como prefeito, governador e presidente. Nas campanhas estas ideias foram discutidas com a população diretamente ou pela mídia.

Refletindo: que corrente ideológica representa a liderança do prefeito Rodrigo Agostinho e o próprio PMDB? Estaria ele mais inclinado às ideias do socialismo europeu ou ao liberalismo estadunidense? E a vice-prefeita Estela: como interferiu para que suas ideias socialistas permeassem a administração? Parece óbvio que todos querem asfalto, empresas, avenidas, viadutos e aeroportos. Mas a saúde já foi, é ou será prioridade de alguém? Quem dará prioridade à educação municipal, técnica profis-sionalizante ou ensino superior? E à ciência, tecnologia e inovação? Quem tem ideologia a oferecer explicitamente sobre estes temas para a próxima campanha?

Qual é a ideologia política de prioridades de Carlos Octaviani para Bauru, visto que seu partido é progressista, pelo nome, supostamente de viés socialista? Quem seria seu articulador estadual: Paulo Maluf ou Pedro Tobias? O que pensa sobre privatizar ou ter-ceirizar unidades de saúde e hospitalares? E Marcelo Borges, outro suposto candidato a prefeito: qual seria seu pensamento ideológico para a educação em Bauru? Que prioridades teriam as crianças em relação às necessidades e prioridades dos empresários, visto que seu partido é social-democrata? Como Gazzetta, Raul de Paula ou Telma Gobbi do PV estabeleceriam prioridades nos distritos industriais, pavimentação das ruas, trânsito, transporte coletivo e na drenagem das águas para se evitar congestionamentos e enchentes?

Nas páginas dos jornais, cafés e corredores percebo muitas articulações. Porém não consigo saber onde estão acontecendo as reuniões, debates e discussões partidárias sobre ideias, prioridades e posições a serem defendidas na campanha eleitoral para convencer o bauruense a votar em projetos, programas e planejamentos administrativos. Como seria a Bauru construída a partir do conjunto das ideias (ideologia) de cada partido? Depois de quatro anos será que teríamos a mesma cidade independentemente do partido do prefeito? Ou em Bauru estes partidos não tem ideologia (conjunto de ideias) que os distinguem um do outro para assumirem a prefeitura?


O autor, Alberto Consolaro, é professor titular da USP e colunista do JC