11 de julho de 2026
Política

Hospital de Base cumpre metas, mas a produção pós-crise cai

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Os hospitais de Base e Maternidade Santa Isabel cumpriram as metas estabelecidas em contratos de serviços revisados junto à Divisão Regional de Saúde (DRS-6) no pós-crise, em seguida à deflagração da Operação Odontoma que apontou fraudes na gestão anterior na entidade. Entretanto, os dados do período de intervenção determinada pela Justiça confirmam a queda de produção nas unidades ainda geridas pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB).

Ontem, o médico Aparecido Donizeti Agostinho informou, ontem, que está deixando o comando do conselho de intervenção para se dedicar a outros projetos profissionais. A médica Telma Freitas, que responde pelo Hemonúcleo do Hospital de Base, assume seu lugar para completar a intervenção por mais 90 dias.

Em seu balanço do processo de recuperação dos hospitais, Agostinho enfatizou que é "fundamental que a transição para a transferência da gestão do Base e da Maternidade para a Famesp seja concluída até novembro deste ano, como estabelecido pelo governador do Estado, Geraldo Alckmin, e o líder maior de seu governo e na região, o deputado Pedro Tobias".

Há dois elementos embutidos nesta afirmação. O primeiro é que, embora tenham cumprido as metas de produção de serviços contratadas com a DRS-6, as unidades hospitalar vinculadas à AHB atingiram esgotamento da estrutura. Ou seja, não há possibilidade de esticar além do final deste ano a manutenção dos atuais serviços em razão do sucateamento dos equipamentos e da impossibilidade de retirar qualquer centavo do fluxo de caixa mesmo para reposição ou revisão de dispositivos.

O segundo elemento, mais movediço, é que a transição para a Famesp não pode atrasar porque a AHB não terá mais como evitar o bloqueio de recursos para iniciar o pagamento do enorme passivo fiscal, de mais de R$ 90 milhões. "A AHB cumpriu o que foi contratado pela Divisão de Saúde e depende do aporte mensal de R$ 1,5 milhão pactuado em reunião com a Secretaria Estadual de Saúde para concluir a transição, até novembro. O Estado tem realizado este aporte, embora não tenhamos planejamento quanto à data desses repasses. Mas em se mantendo o que foi acordado, a transição será completada se não houver atrasos nos prazos, até novembro", conta Agostinho.

Problema no Refis


O presidente do conselho de intervenção confirma que a entidade aderiu ao Refinanciamento Fiscal (Refis). A renegociação de débitos não recolhidos pela gestão de Joseph Saab, como INSS, FGTS e IR, exige parcelas de R$ 513 mil mensais por 180 meses. Não há de onde tirar esse dinheiro do caixa atual. A questão é que o prazo para depositar a primeira parcela expirou em agosto último. O risco de confisco é iminente e se ele vier, a conta, que já está apertada para manter pagamentos de funcionários, insumos e fornecedores, volta a estourar.

"Do total de itens planejados nesta etapa de intervenção, 64% foram concluídos ou estão em andamento. Os restantes 36% não puderam ser efetivados porque houve necessidade da obtenção de recursos para reformas e ou obras que agora vão ser realizadas pela Famesp. Esperamos que o mandatário maior do Estado, o governador Alckmin, consiga que seus comandados cumpram o cronograma firmado, com a transferência efetiva dos serviços pela Famesp até novembro", reforça Agostinho.

Ou seja, o Estado não pode mais atrasar a transferência de gestão no Base e na Maternidade. Se isso acontecer, após novembro próximo, consequências virão, decorrentes ou do colapso de equipamentos já precarizados ou, até mesmo, do confisco pelo passivo ainda não sanado.

Como adiantou o JC no mês passado, a Maternidade terá a construção de anexo ao lado do Hospital Estadual (HE) e o Base terá a gestão da Famesp iniciada em novembro com as condições atuais, enquanto, ao mesmo tempo, é iniciado o investimento em reforma e reaparelhamento da unidades. O governador Alckmin garantiu R$ 45 milhões de recursos para suportar esses projetos, quando participou da inauguração da avenida Nações Unidas Norte em Bauru, recentemente.

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Indicadores de produção


Os números de prestação de serviços do Hospital de Base nos primeiros seis meses deste ano ratificam o cumprimento do contrato pactuado com a DRS-6 mas, de outro lado, identificam o que se esperava: queda na produção em relação à capacidade total de ocupação em razão da crise de gestão deflagrada na Operação Odontoma e do sucateamento do parque tecnológico da unidade.

O número de pacientes/dia caiu 18,15%, com 23.485 registros neste ano contra seis meses de 2010, as cirurgias foram 10,88% a menos, os exames de ecocardiograma despencaram 66,45%, as endoscopias tiveram queda de 48,85% e as seções de fisioterapia sofreram redução de 11,18%. O número de internações SUS caiu 12,77% e os exames de radiologia caíram 25,41%.

"Em linhas gerais houve queda da maior parte dos itens da produção analisados. A insegurança determinada pela situação financeira da AHN aliada às notícias de dissolução ou transferência da gestão dos hospitais foram os principais determinantes para a redução observada. Contribuíram o sucateamento do parque tecnológico da AHB associada à impossibilidade de manutenção preventiva", traz o relatório elaborado por Donizeti Agostinho.

O documento aponta quebra e interrupção dos atendimentos em áreas como hemodinâmica, tomografia computadorizada, mamógrafo, RX, ultrassonografia e outros. "Houve repactuação, a pedido da Secretaria Estadual de Saúde, com queda de 26% nas internações ortopédicas e aumento de 50% nas cardiológicas no HB. Por outro lado, houve redução significativa das internações nas áreas de cirurgia geral, vascular e cardíaca", cada área com sua limitação operacional ou de instrumentos.

Em síntese, o interventor da AHB enfatiza que, nesta fase final de prestação de serviços na transição para a transferência do contrato para a Famesp, a produção contratada pelo Estado foi cumprida, ainda que com as reduções efetivadas em razão da crise. "A despeito da queda do número de internações a produção dos hospitais da AHB ultrapassou o teto financeiro contratado pelo Estado. A produção de internações (AIH) foi de R$ 1,586 milhão por mês contra a meta contratada de R$ 1,446 milhão", finaliza Agostinho.