09 de julho de 2026
Regional

Busca por qualidade de vida movimenta o enduro a pé

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

A busca por melhores condições físicas, emocionais e psicológicas movimenta o trekking, uma forma de lazer, turismo e exercício em que o corpo é o principal equipamento. Com o auxílio da geografia, o enduro a pé na Cuesta é, antes de tudo, uma atividade prazerosa que a cada dia ganha mais espaço em várias cidades e estados. 

Fernando Arena, um dos adeptos do trekking, trabalha com sua equipe para proporcionar todo conforto aos participantes do misto de ‘brincadeira’ e competição. “A geografia é propícia. Aqui tem muitas paisagens bonitas que, aliadas à preservação da natureza, tornam o enduro a pé uma atividade fantástica.” 

Há 10 anos no mercado, a Arena diz que ainda falta infraestrutura. “Eu comecei a fazer parceria com proprietários rurais para que eles ofereçam o básico para os participantes. A arrecadação do circuito no dia da prova fica com eles para que possam montar uma estrutura. Todo mundo ganha e oferece o que há de melhor ao visitante.”

Para tornar a atividade mais atraente, cada prova tem um circuito diferente. “Muitas vezes sai do mesmo ponto, de que foi duas provas atrás, mas o percurso é diferente. Para dificultar e estimular aquelas que já participaram. Quando o clima está mais frio, evita-se os caminhos próximos de água e aqueles que exigem passagem pela água. Nas altas temperaturas, inclui-se os trajetos que tenham cachoeira, atoleiro, próximo a rios lagos e lagoas.”  

Arena contabiliza quase 80 provas sem nunca ter repetido uma trilha em Botucatu. “Fazemos todo mês uma etapa. A Federação Paulista de Trekking  é quem controla a atividade.  Somos filiados, é uma modalidade nova, estamos remodelando-a.”

Para garantir a segurança dos menos avisados, uma equipe de apoio fica monitorando todo o percurso. “As equipes possuem rádio de comunicação. Eles monitoram todo o caminho. Se os praticantes saírem fora, ficamos sabendo na hora, não tem perigo de se perder. Além disso tem o pessoal que fica na trilha com moto e bicicleta.”

Uma média de 40% dos participantes do enduro a pé são pessoas que moram fora de Botucatu, analisa Arena.

“Neste final de semana vamos ter uma prova aqui. Temos inscritos de  Botucatu e de várias outras cidades da região. Mesmo os moradores da cidade procuram conhecer a Cuesta, muitos não conhecem. As pessoas ouviam falar de coisas,  mas não tinham noção do que era.”

 

 

Equipes têm no máximo seis pessoas

 

Para participar do trekking é preciso montar uma equipe de no mínimo três pessoas e no máximo de seis. Uma semana antes o local é determinado e todos conhecem a planilha, um verdadeiro mapa da região a ser percorrida.

“Em cada ponto que a gente achar necessário é colocado um PC (posto de controle) para ver se as equipes estão passando por lá. Cada um da equipe tem uma função, um vai navegando com a planilha, outro vai contando os passos, fornecemos o GPS para cada um, é o rastreador das equipes. O material que as equipes usam são: calculadora comum, relógio cronômetro e uma bússola,” explica

No dia anterior a prova, as equipes inscritas passam por um curso rápido de  navegação, com duração de cerca de 45 minutos. “É um esporte muito simples, aprender a navegar com essa planilha. O participante tem que ter o hábito de caminhar. Não é esporte de velocidade. É de regularidade, a velocidade média que a gente impõe nessa prova é a mesma de uma pessoa caminhando na calçada, 50 metros por minuto. Velocidade baixa.”

Em cada prova, o participante caminha de 9 a 10 quilômetros. No ponto neutro é o local de descanso onde é montado um quiosque com água, sucos e frutas. “Para participar é preciso ter um tênis próprio para caminhada e uma roupa confortável.”  

 

 

Apuração de resultados

 

Durante o percurso são colocados postos de controle que verificam se as equipes estão cumprindo o trajeto corretamente, anotando o tempo de passagem de cada equipe pelo local. Cada segundo atrasado corresponde a um ponto perdido, cada segundo adiantado corresponde a dois pontos perdidos. No final a equipe que perde menos pontos será a vencedora.

 

 

A Festa do Saci

 

Botucatu ficou conhecida como a cidade que cria Saci. Nos últimos anos, a festa dedicada à lenda brasileira mostrou que precisava ser reformulada e ganhar adeptos para sobreviver. Pensando nisso, a Secretaria de Turismo pretende investir e fazer com que a festa tenha sua melhor edição.

“Estamos na fase de montagem. Como a cidade leva a fama de criar saci, vamos dar um nova dimensão para ela. Vamos fazer um trabalho real da cidade, envolvendo comerciantes, contadores de história, criadores. Vamos encher a cidade de saci, fazer a toca do saci, criar o prato do saci. Os restaurantes participantes vão exibir a toquinha do saci. O pessoal do teatro estará nas ruas distribuindo os sacisinho. Queremos que a cidade se envolva.”

Mas tudo ainda está sendo planejado. “Eu acredito que se a gente conseguir fazer 80% do que está sendo planejado, a festa será inesquecível, vai tomar vulto e ganhar mais fama.”

 

 

Grupo começou como amador e hoje é profissional

 

O grupo Bons Ares faz parte dos apaixonados por trekking, o enduro a pé. Se encontraram no ano passado e contabilizam um título de vice-campeão. A profissionalização aconteceu após conhecer os meandros do esporte.

Ricardo Alves da Silva é um dos integrantes do grupo que teve início no ano passado. “Nossa primeira prova foi em março deste ano”, conta. Ele ressalta que são seis integrantes, amigos de trabalho e conhecidos que se juntaram, inicialmente para fazer um passeio pela Cuesta, atualmente, para competir.

Na ‘turma’, cada integrante tem seu papel. “Temos cinco homens e uma mulher. Hoje a gente leva a sério. Eu sou o navegador, tem o contador de passos, o calculista e o cronometrista. No decorrer das provas fomos aperfeiçoando as tarefas. Participamos também das provas da região de Campinas.”

A precisão dos passos é o segredo para ganhar a competição, frisa Silva. “O grupo tem dois contadores de passos. Quanto mais preciso for o passo delas mais exato será a distância a ser percorrida. Os demais integrante têm que andar no mesmo ritmo.”

Desde a ‘profissionalização’, o grupo passou a treinar. “Antes de cada prova, arrumamos um tempinho na agenda para treinamento. “O treino principal é para contagem de passos. Que é o mais importante. Somos vice-campeões do Pró-Cuesta de Botucatu. Ganhamos o título no ano passado. Iniciamos como trekking e passamos a ser graduados que é um nível acima.”