Tenho comigo que quem planta um dia colhe. O 11 de Setembro é algo que não me sai da memória. Como professor de história, relembro sempre com muita tristeza ter sido num 11 de Setembro do ano de 1973 a ocorrência do mais truculento golpe de estado a vitimar um país latino-americano, no caso o Chile. Tudo capitaneado pelos interesses norte-americanos (sempre eles) e com a entrada em cena de um truculento modo de governar, o proposto pelas botinas de militares tipo Pinochet.
Naquele momento, chegava ao fim um dos governos mais humanitários do continente, o de Salvador Allende e o Chile foi transformado num imenso quartel. Seu povo amordaçado, num processo não totalmente liberto, mesmo com os militares tendo deixado o país décadas atrás. No Brasil, algo parecido, pois nem culpabilizar os algozes fardados ainda conseguimos fazer tal o trauma das fardas verde-olivas sobre nossas vidas. No Chile de hoje, uma menina de 23 anos, Camila Vallejo está no comando de uma greve geral a paralisar o país por melhorias na educação. Após a mídia divulgar gratuitamente seu endereço e dados pessoais, ela vive obrigada a circular sob proteção policial. Quantas décadas um país demora a superar o trauma desses regimes contra o povo? Por esses dias, fico a observar a pompa com que se escreve sobre o atentado às Torres Gêmeas em Nova York, em mais uma data redonda do ocorrido. Uma só observação: os EUA tanto fizeram, aprontaram, massacraram, espezinharam, usurparam e rapinaram que acabaram encontrando o seu. Colheram o que plantaram, nada mais que isso. E não aprenderam a lição.
Henrique Perazzi de Aquino