Genebra - O Conselho de Direitos Humanos da ONU nomeou o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro para presidir a comissão de inquérito que vai investigar violações aos direitos humanos na Síria, incluindo possíveis crimes contra a humanidade, desde o início dos protestos pró-democracia no país. Segundo a Organização das Nações Unidas, ao menos 2.600 pessoas morreram nas manifestações desde março.
Pinheiro já atuou como investigador do Conselho em Burundi e depois em Mianmar. Ele estará acompanhado do turco Yakin Ertrk, ex-funcionário das Nações Unidas em questões do gênero, e da norte-americana Karen AbuZayd, que atuou como chefe da agência da ONU de assistência aos refugiados palestinos.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU enviará uma comissão de inquérito depois de analisar relatório do Escritório do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), cuja aprovação em agosto para ida à Síria teve a aprovação do Brasil.
"O relatório descreve uma série de abusos do governo que vão desde assassinatos, desaparecimentos, privação de liberdade e até mesmo a tortura de crianças, até uma aparente política sistemática de atirar para matar contra os manifestantes, com uso de franco-atiradores", disse um comunicado da ONU.
A embaixadora uruguaia Laura Dupuy Lasserre, que atualmente preside o fórum de 47 membros em Genebra, "destacou a importância de que as autoridades sírias cooperem completamente com a comissão", segundo nota da ONU. Ontem, a Rússia rejeitou pedidos por uma pressão maior sobre a Síria pela repressão violenta aos protestos contra o presidente Bashar al-Assad.