Imaginemos alguém que não simpatiza com nisseis e sanseis, mas apenas não simpatiza, não destila ódio figadal ou mesmo qualquer outro sentimento negativo pelos descendentes dos passageiros do Kasato Maru que aqui aportaram no longínquo 1908 e outros que os sucederam. Será correto rotular essa pessoa de nipófoba, ou algo que o valha? Claro que não. De igual modo sinófoba em relação aos descendentes de chineses, teutófoba em relação aos descendentes de alemães, e assim adiante. Da mesma forma não é apropriado chamar de homófobo ou homofóbico alguém pelo simples fato de não achar concordar com a tal união homo-afetiva, por exemplo.
Correto, sim, é chamar de homófobos aqueles tais skinheads, pitboys ou outras maltas de arruaceiros sem qualquer utilidade para a nossa sociedade, que espancam e assassinam covardemente homossexuais motivados tão somente pelo sentimento menor e repulsivo de ódio a um grupo; e, num nível menor, e bem menor, os que discriminam os homossexuais em decorrência de sua opção sexual, como não aceitar um profissional liberal, autônomo, ou mesmo funcionário de uma empresa por motivação de ordem sexual.
Homofóbico, no lugar de homófobo, é palavra introduzida no linguajar do dia-a-dia através de um Big Brother Brasil, que, convenhamos, não é um programa destinado a enriquecer ninguém culturalmente, nem é integrado por personagens dignos de serem formadores de opinião. É exagerado chamar de homófobo ou homofóbico um deputado que tem voz legítima no Congresso Nacional e não concorda que se alardeie o tal kit gay nas escolas primárias. Chamar de homófobo ou homofóbico por motivos menores alguém que não mostra qualquer disposição de violência ou mesmo oposição pessoal radical contra os gays me parece um expediente típico com o fim de inspirar comiseração, de quem se coloca como oprimido e por conseguinte tacha o que pensa de maneira diferente de opressor.
Se considerarmos correta a pecha de homófobo sempre que assim o desejarem os gays, seus simpatizantes ou aqueles que assim desejam parecer, por motivos diversos, inclusive como meio de angariar simpatia para fins eleiçoeiros, poderíamos chamar de heterófobos os novelistas da Globo que já há algum tempo tentam nos incutir sutilmente as ideias de que o homossexual é bom e o hete-rossexual é mau; que o gay é inteligente, e o hétero é limitado intelectualmente; que o gay é finesse, e o hétero é brucutu; que quando um hétero fala errado tem um gay por perto para o corrigir; que o gay sempre é bom-caráter e o hétero precisa de aconselhamento de um homossexual para ter comportamento ético.
Sidnei Rodrigues