Araçatuba – Num esforço de investir no modal de transporte e no setor de etanol que enfrenta preço alto mesmo na safra, a presidente Dilma Rousseff (PT) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assinaram ontem, em Araçatuba (220 quilômetros de Bauru), um protocolo de intenções para investimentos de R$ 1,5 bilhão na hidrovia Tietê-Paraná.
Os R$ 900 milhões são oirundos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC-2) e R$ 600 milhões do tesouro estadual. A parceria marca uma aproximação de Dilma com o governo tucano, após uma disputa acirrada no último pleito presidencial entre PT e PSDB.
A expectativa é de que os custos do transporte do combustível caia pela metade a médio prazo. Ontem, a presidente fez questão de chegar ao local, onde será construído o estaleiro, acompanhada de Alckmin.
O encontro marcou o lançamento da pedra fundamental dos investimentos de R$ 432,3 milhões para construir 80 barcaças e 20 empurradores, formando 20 comboios com capacidade de transportar 7,6 milhões de litros cada. Parte do investimento (R$ 371,3 milhões) será financiado pelo Fundo de Marinha Marcante (FMN), na primeira operação da Caixa Econômica como agente repassador.
Quando ministra da Casa Civil no governo Lula, Dilma Rousseff já esteve em Araçatuba para lançar o projeto de construção do estaleiro. A previsão é de criar 2000 empregos diretos. Há 29 anos que um presidente da República não visitava Araçatuba, o último foi o general João Baptista Figueiredo.
Obras na região de Bauru
O plano de investimento contempla a extensão da navegação nos rios Tietê e Piracicaba, mas estão previstas construção da barragem de Santa Maria da Serra, que permitirá ampliar a navegação em 55 km até o distrito de Artemis, em Piracicaba, e extensão de 200 km entre Anhembi até Salto. Neste trecho está prevista ainda a construção de barragem no município de Anhembi, que possibilitará a passagem das embarcações, principalmente no período de estiagem, até Conchas. Quatro pontes terão os vãos ampliados, o que permitirá o tráfego de composições de até quatro barcaças. São a SP-333 (Cafelândia, Novo Horizonte); SP-425 (Penápolis e José Bonifácio); Ferrovia Ayrosa Galvão (Pederneiras) e SP-595 (Ilha Solteira, Pereira Barreto). Esta ação diminuirá a viagem em até duas horas por ponte, e reduzirá em cerca de 20% os custos de transportes, diz o governo paulista.
Há ainda previsão de serviços de dragagem e retificação dos canais de Conchas, Anhembi, Botucatu, Igaraçu do Tietê, Ibitinga e Promissão, além de melhorias na infraestrutura das eclusas de Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava e Três Irmãos.
Palanque
A presidente Dilma Rousseff foi recebida por uma claque barulhenta que gritava seu nome e do prefeito de Araçatuba, Cido Sério (PT). As palmas ao governador foram mais contidas. Durante a reunião, um manifestante gritou “viva o PT”. O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, afirmou que o governo não vê “coloração” partidária ao se referir à parceria firmada entre União e Estado, que injetarão nos próximos quatro anos a quantia de R$ 1,5 bilhão.
Segundo o prefeito Cido Sério, a capacidade de transporte da hidrovia no momento é de menos 12%, mas os números do Estado apontam 20% do potencial. Alckmin acredita que o investimento deverá ampliar para até 6% o transporte hidroviário de cargas no Estado.
Dilma também fez questão de qualificar de “postura republicana” a aproximação com o governo paulista.
Há um mês, ela esteve na capital no Palácio dos Bandeirantes, quando assinou a unificação dos programas sociais. Petistas criticaram a extensão da bandeira social dos tucanos, mas no PSDB também há estranhamentos na boa convivência entre as duas lideranças políticas.
Após o evento, Dilma e Alckmin não deram entrevista e seguiram para São Paulo, onde participariam da assinatura de outro protocolo para destinar verba do PAC-2 no Rodonel. A obra do Rodoanel trecho-Norte terá um aporte de R$ 1,72 bilhão do Governo Federal.