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Assessoria Sindecteb |
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Em Bauru, 90% dos funcionários teriam aderido à paralisação, segundo o sindicato |
Em greve desde ontem, funcionários dos Correios associados ao Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares (Sindecteb) devem manter o período de paralisação em Bauru por tempo indeterminado, seguindo o ritmo das demais paralisações em todo o País. Ontem, em Brasília, o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, informou que a empresa mantém a entrega diária de cartas e encomendas, embora exista a possibilidade de atrasos devido à paralisação.
Em Bauru, uma assembleia na tarde de ontem definiu que será mantido hoje o estado de greve deflagrado em 34 dos 35 sindicatos brasileiros.
Segundo o presidente do Sindecteb, José Aparecido Gimenes Gandara, em números, cada dia de greve reflete em prejuízo de R$ 30 milhões aos cofres da empresa.
Há oito meses buscando negociação com os sindicalistas, os Correios assinaram dois acordos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) - sendo um relativo a 2010, já pago, e outro da PLR 2011, que será paga no próximo ano e terá uma parcela antecipada para dezembro.
Em nota, a assessoria de imprensa afirma que “a empresa ainda realizou concurso público para quase 10 mil trabalhadores - mais de 2 mil já foram contratados e o restante estará trabalhando até novembro”.
De acordo com o presidente do Sindecteb, a proposta de reajuste salarial da empresa não atende às expectativas dos funcionários. “Vamos manter a proposta inicial de reposição da inflação desde 1994, que deve girar em torno de 24% dando um reajuste linear (para todos os cargos) de R$ 200,00”. Hoje, o piso da categoria é de R$ 800,00 para oito horas de trabalho.
Ontem, por volta das 14h, Gandara, sindicalistas e funcionários estiveram novamente em frente ao Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas (CTCE) do Distrito Industrial 1 para incentivar a adesão à mobilização que atingiu cerca de 90% dos funcionários em Bauru.
“Apenas os funcionários do administrativo não aderiram à greve. Mas ainda assim, alguns estão apoiando nosso movimento”, afirmou.
Há quase 15 anos trabalhando como carteiro, Marcelo Antevere, 33 anos, afirma que a greve foi o último artifício encontrado pela categoria para tentar garantir suas reivindicações. “Acho que esta greve poderia ter sido evitada se a empresa atendesse as reivindicações dos funcionários. Sabemos que esse tipo de paralisação atrapalha muito a empresa e também toda a população que sempre teve confiança nos Correios”.
Segundo o funcionário, a falta de mais trabalhadores acabou sobrecarregando o efetivo atual e dificultando o trabalho tido como exemplar da empresa. “Faz dois anos que não temos um acordo coletivo. Trabalhamos dobrado em feriados, finais de semana, fazendo hora extra em cima de hora extra e sequer temos tempo para a família. Se não fosse nosso trabalho de ‘condenados’, a empresa já teria falido antes. Esperamos dignidade e justiça”.
Serviço mantido
Durante entrevista coletiva realizada em Brasília, o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, conclamou os trabalhadores a encerrar a paralisação, frisou que a retomada das negociações sobre o acordo coletivo está condicionada ao retorno às atividades e que haverá desconto dos dias parados.
O executivo destacou os benefícios da proposta que a empresa havia feito na segunda-feira - que representava aumento salarial final de 13% para 64.427 empregados, ou seja, 60,14% do efetivo total da empresa. Com a paralisação, a proposta foi retirada.
“Na conjuntura atual, em que existe uma preocupação com a crise financeira internacional, entendemos que um reajuste de 13% no piso salarial é bastante relevante. Só podemos lamentar a decisão e chamar os trabalhadores a retornar para as atividades”.
Veja esta notícia na íntegra na edição desta quinta-feira (15) do JC.