Dois Córregos - Nem a quebra da safra 2011/2012 de café em São Paulo, de 4,56%, anunciada esta semana pela Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, tira o ânimo dos cafeicultores de Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru). Os 17 integrantes da Associação dos Produtores de Café de Dois Córregos receberão hoje, uma missão norte-americana formada por compradores dos agricultores familiares que trabalham com a política Fair Trade (preço justo).
Em 2010, os cafeicultores do município comercializaram pela primeira vez sua safra com compradores internacionais. Foram 300 sacas exportadas para os Estados Unidos por meio da Transfair USA, uma organização sem fins lucrativos, que tem o objetivo de promover a aproximação entre compradores e produtores de cafés certificados ou em fase final de certificação para a Fair Trade.
Segundo Neuza de Moraes Muller, gestora dos projetos de cafeicultura do Sebrae-SP na região de Bauru, a certificação para a Fair Trade foi a ferramenta escolhida pelos produtores por ser a que mais se ajustava à realidade local.
“O mais importante nesse processo foi a mudança do olhar dos produtores para a gestão de negócios. O capital social se fortalece cada dia mais e a certificação obtida vem como consequência natural das mudanças de comportamento do grupo”, destaca Neuza.
Para Sandro Gregolin, presidente da Associação dos Produtores de Café de Dois Córregos, os associados vivem uma nova era. A parceria com o Sebrae possibilitou a mudança de conceitos e otimizou o trabalho em equipe. “O cafeicultor era individualista e percebemos que, unidos, eles têm mais chances de conquistar o mercado. A qualidade do nosso café ultrapassou fronteiras e hoje o produtor se sente valorizado e seu trabalho reconhecido e recompensado”, argumenta Gregolin.
A vinda da missão americana até os cafezais de Dois Córregos representa o reconhecimento do trabalho sério desempenhado pelos cafeicultores locais e abre novas possibilidades para a comercialização de novas safras, com contratos de fidelização.
“Com a produção de cafés Fair Trade conseguimos um ganho 15% maior em relação aos preços praticados no mercado. É animador”, comemora Gregolin.