09 de julho de 2026
Política

Rodrigo mira recém-formado PSD e leva PSC para governo

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Após obter a regularização junto a Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de 13 estados do País, o PSD, criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (ex-demista), já está sendo fundado em Bauru, mas nem bem concluiu a gestação e já se aproxima do prefeito Rodrigo A-gostinho (PMDB). Outro partido que tem pouco tempo de existência em Bauru e também mira o Palácio das Cerejeiras é o PSC, sob comando de Sílvia Azambuja, que estava no PDT com o grupo de Izzo Filho, na última eleição.

Quanto ao PSD, a legenda já conta, inclusive, com nomes escolhidos para a Comissão Provisória, que deve ser publicada no Diário Oficial do Estado nos próximos dias. A presidência do novo partido ficará com o empresário Antonio Correa, ex-filiado ao DEM. Uma das personalidades que se integraram à sigla no município é Cássio Carvalho, ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).

O empresário conta que o convite para ajudar na fundação da legenda partiu do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif, que era aliado de Alckmin mas atendeu ao pedido de Kassab para formar o novo partido. Os dois, junto a Kassab e ao deputado federal Guilherme Campos, também no PSD, estreitaram laços quando participavam juntos da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Carvalho, porém, nega qualquer candidatura de sua parte nas eleições do ano que vem e, apesar de ser apontado por Antonio Correa como vice-presidente do PSD em Bauru, diz que não quer, por enquanto, assumir funções de comando. "Estou apenas ajudando a organizar, pois nunca me envolvi em política partidária", observou.

O ex-presidente da Acib revelou também que o PSD está enfrentando dificuldades para atrair filiados. "Tudo o que é novo assusta, mas o novo também pode ser um ponto positivo", filosofou Carvalho.

No entanto, as dificuldades parecem, de fato, serem maiores. O futuro presidente Antonio Correa conta que muitos convites já foram feitos a políticos bauruenses com mandatos, mas a resistência é muito grande. Apesar de demonstrarem interesse, os ?cortejados? temem que o PSD tenha tempo de televisão da propaganda política curto demais e que possam perder seus mandatos em razão da lei da fidelidade partidária.

"Isso não vai acontecer. Mudar de partido é um direito garantido caso o filiado seja fundador da legenda. Quanto ao tempo de TV, a história mostra que o cenário não é ruim. Temos uma boa bancada de deputados federais. Quando os dissidentes do PMDB fundaram o PSDB, levaram o tempo de televisão", afirmou ele, que já foi filiado ao PTB, PSC e, há dois anos, se desligou do DEM.

Apesar dos argumentos, existem motivos para preocupação entre os que desejam se filiar ao PSD, pois o prazo para mudança de partidos acaba no final desse mês. De outro lado, qualquer revés jurídico na esfera do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderia vir depois disso, o que gera apreensão entre os convidados a ingressar no grupo. Outros nomes ligados ao PSD são o ex-vereador Expedito Bonetti e Alexandre Marquezini.


Aproximação


Questionado sobre o posicionamento do PSD, Antonio Correa define a sigla como um partido de ?centro-direita?, que está no ?centro? em relação ao governo federal e, em âmbito municipal, aprova o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). "Temos grande apreço à administração dele", afirmou.

Quanto a possibilidade de uma composição com o chefe do Executivo para o pleito do ano que vem, o futuro presidente do novo partido em Bauru joga a conta para o grupo de Rodrigo. "Não depende só da gente. Acontece, de vez em quando, de gostarmos de alguém e esse alguém não gostar da gente", observou Correa.

No entanto, o empresário adiantou que o partido está sendo procurado por outros grupos políticos e, em breve, deve se reunir com pessoas ligadas ao prefeito. Rodrigo, por sua vez, também disse que tem bom diálogo com o grupo que está assumindo o PSD na cidade. Ele reforçou que a aproximação já está sendo costurada via Renato Purini, vereador e novo presidente do PMDB local.

____________________

PSC no Palácio


Outro partido que está próximo do prefeito é o PSC, que tem o comando provisório nas mão de Silvia Azambuja neste momento. O prefeito Rodrigo Agostinho evita comentar se isso não significa atrelamento ao grupo do ex-prefeito Antonio Izzo Filho, que esteve junto com Azambuja nos últimos anos, tendo permanecido no PDT recentemente.

Mas ele confirma que vê a aproximação com Sílvia Azambuja uma forma de garantir ampliação do leque de alianças no tabuleiro eleitoral para 2012. A negociação, entretanto, envolveria apoio à reeleição do prefeito no campo majoritário, com cada legenda buscando a formação de sua própria chapa proporcional desvinculada do PMDB no próximo ano.

A aproximação acaba de se concretizar com a nomeação de Sílvia Azambuja para uma vaga na assessoria do prefeito. Ela foi designada para atuar junto a Casa dos Conselhos.

E é a partir da Casa dos Conselhos que o prefeito tem a oportunidade de ampliar seu espaço junto ao público feminino, com inserção em diferentes bairros de Bauru. Estão ligados a esta área, além de Azambuja, Gisele Moreti, do Ferradura Mirim, e Lúcia Helena Zucari, que tem relações no PSB, todas com cargos de confiança no governo.