08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Reflexões do 11/9


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O mundo acompanha, atentamente, o caminhar dos EUA no tocante à política e à economia e não há nada que aconteça na terra do Tio Sam que não reflita nas mais diversas e longínquas sociedades deste planeta. Os atentados terroristas de 11/9/2001 repercutiram em primeiro plano, como graves atentados a vida de três mil pessoas inocentes e, conseqüentemente, seus familiares. Aliado a tal fato, podemos dizer que a comunidade internacional tornou-se refém da atrocidade dos atentados terroristas. Ora, se atentaram contra os EUA, o que será dos outros países? Entretanto, após observar o atual cenário internacional e as alegações dos EUA quanto à resposta aos atentados (invasão ao Afeganistão), surge um segundo plano. Neste, a atitude do governo norte-americano de invadir o Afeganistão para consolar o povo americano, alegando que o Estado irá perseguir e punir o (s) responsável (éis) pelos atentados terroristas causou muito mais danos do que os atentados terroristas às Torres Gêmeas. Não se combate violência com mais violência. O resultado desta relação se dá da seguinte forma: com invasão ao Afeganistão e Iraque, certamente, o números de soldados americanos mortos foi o dobro das pessoas mortas nos atentados terroristas, sem contar os trilhões de dólares gastos nas indústrias bélicas para fortalecer o exército americano, que, indubitavelmente, influenciaram na crise econômica de 2008 e na crise atual. Em outras palavras, saiu caro restabelecer o brio americano. O tiro saiu pela culatra!

Portanto, como confortar os familiares de seis mil soldados americanos mortos nesta invasão? Há algum consolo para as famílias que perderam seus filhos, sua herança, seu orgulho, seus sonhos? De fato, não há nenhum consolo. Mas existem pessoas que compartilham do mesmo pensamento monstruoso do ex-presidente George W. Bush, referente às mortes dos soldados americanos, ele disse: "Mas é por uma boa causa". A alegação dos terroristas da Al Qaeda para seus atentados é: "É por uma boa causa", ou seja, Bush segue na mesma via que os terroristas, logo o ex-presidente norte-americano também atentou contra a humanidade quando invadiu o Afeganistão.

É assustador, no entanto, ninguém saber ao certo quantos corpos devem desembarcar nas bases aéreas norte-americanas, envoltos com a bandeira dos EUA e solenemente lembrados em West Point. Os atentados terroristas de 11/09 fizeram o mundo refletir sobre a agressividade da organização terrorista Al Qaeda, ou seja, de que forma tal organização procura evitar que os costumes e tradições políticas do ocidente, corrompam os bons costumes do Oriente. Estes atentados nos proporcionaram um momento ímpar de reflexão mundial sobre a violência, até que ponto pode chegar a insanidade humana? Mais do que reflexão mundial, os atentados levaram a uma reflexão interna da política norte-americana em fortalecer a sua segurança nacional e, principalmente, descobrir a resposta para seguinte pergunta: "Por que eles nos odeiam tanto?"

Em meio a reflexões e estudos, é certo que a violência nunca levará a paz. Assim como, é certo que a população mundial está cada vez mais ciente do seu papel de protagonista, na comunidade internacional. A ordem no cenário internacional se reorganizará com o tempo, do macro para o micro (atuais potências perderão sua influência e as potências emergentes ganharão destaque, fato esse, já em andamento); no cenário regional, a ordem se reorganizará do micro para macro (devemos reeducar as pessoas próximas a nós, sem esperança, tornando-as, a própria esperança de um futuro bom para nosso país). O destacamento de uma potência mundial não mais se medirá no seu poderio militar e sim na capacidade de mediação dos conflitos entre povos e nações.


Rafael Ribeiro - aluno de relações internacionais Iesb-Preve