Vários países do mundo têm sofrido com uma praga que vem causando estragos inimagináveis - os animais invasores, animais que foram trazidos de outro habitat e introduzidos em regiões onde não era natural e a falta de predadores naturais acaba por facilitar a vida destas espécimes causando destruição ao ecossistema local. São coelhos, sapos cururus e camelos na Austrália, Javali e pítons e carpas asiáticas nos EUA, alguns tipos de cobras em ilhas da América Central, cabras e porcos nas ilhas Galápagos, no Pacífico etc. O Brasil sofre com algumas destas pragas, mas, ao contrário de outros países civilizados, aqui os invasores ganham o status de animal protegido e desfrutam de garantias que os permite florescerem sem serem incomodados, a despeito dos danos e estragos que causam ao meio ambiente. Na nossa região, soubemos por meio deste jorna quel enfrentamos invasões de caramujo africano, sagüi, lebre européia, maritacas e em algumas regiões do Estado temos também o javali, sem falar nos nossos rios.
A lebre européia se desenvolveu tão bem na região que está causando transtornos no aeroporto Moussa Tobias e região, aonde produtores agrícolas vêm sofrendo ataques a suas lavouras, que resultam em prejuízos enormes e obrigou o Daesp a contratar uma empresa para tentar controlar o problema no aeroporto. Não falo nada em relação aos animais nativos como o sagüi e a maritaca, que pertencem à nossa fauna, embora deslocados de região. Mas diante de tantos transtornos causados pela lebre e tendo em vista ser esta espécime originária da Europa e, portanto, não pertencente a nossa fauna nativa, por que deve ela ser protegida? Não seria muito mais fácil e rápido, para não dizer muito mais barato, se o órgão responsável pelo meio ambiente em nosso país, no caso o Ibama, fizesse uso da razão e do bom senso e liberasse a captura a abate de tais animais, já que se trata de uma espécime invasora que está causando inúmeros prejuízos à fauna e flora nativas, a produtores agrícolas, ao aeroporto, a ponto de ser necessário a contratação de uma empresa para tentar resolver o problema que de antemão já sabemos não será resolvido?
O mesmo digo em relação ao javali, animal oriundo da Europa que aqui também se deu muito bem e que se trata de um animal perigoso e agressivo, que cedo ou tarde será responsável por ataques graves a moradores de áreas onde proliferam estes animais. Por que a proteção e estes invasores que só causam destruição e desequilíbrio ecológico se eles não são animais da fauna nativa? Por que não se autoriza, como já disse, a captura e abate destes invasores como forma de controle?
A única desculpa que tenho para o caso é pura incompetência mesmo e uma demonstração clara de desrespeito aos moradores das regiões infestadas por estas pragas, que têm de assistir calados à destruição de suas lavouras e suas propriedades sem poder fazer nada. No caso do javali, ainda são obrigados a rezar para que os animais não resolvam começar a atacar pessoas nas áreas rurais infestadas e nas periferias das cidades, pois tais ataques certamente ficarão impunes, isto se não culparem os seres humanos por se deixarem atacar.
Cícero Prentice Barbosa Junior - delegado de Polícia aposentado