08 de julho de 2026
Geral

Classes C e D poupam mais e levam caderneta a superar R$ 1 bilhão

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 4 min

Com o aumento no poder de compra e juros mais baixos, a poupança passou a ser mais atraente ao bolso do brasileiro. Com rentabilidade maior, a velha caderneta superou os fundos de renda fixa nos últimos anos. Dados do Banco Central (BC) apontam crescente evolução no acumulado das poupanças, inclusive, dos bauruenses. O destaque na cidade é para poupadores das classes C e D.

De acordo com a planilha do BC, até junho deste ano foram poupados exatos R$ 1.085.297.089,00 na cidade. Isso representa mais de R$ 835 mil sobre o total de 2010.

O economista Wagner Ismanhoto explica porquê apostar na caderneta ainda é muito atraente. "A renda tem aumentado consideravelmente no Brasil, e então observamos a equação onde renda é igual ao consumo somado à poupança. Ou seja, com uma renda maior, as pessoas consomem mais e poupam mais."

Em comparação com o montante dos últimos cinco anos (veja quadro), é fácil verificar o aumento. O valor exemplificado na planilha demonstrativa de 2011 é mais de R$ 500 milhões (meio bilhão) maior do que o referente ao mês de junho de 2006, que foi de R$ 464.172.772,00.

Perfil


O considerável aumento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no ano passado foi impulsionado pela aquisição de veículos, materiais de construção, imóveis e eletrodomésticos em decorrência de taxas de juros mais baixas e maior oferta de crédito, principalmente pelas classes C e D. Depois de conseguir mobiliar a casa e comprar o carro próprio, esse consumidor aprendeu a poupar.

Considerada a "nova classe média" brasileira, essa fatia da sociedade destinou maior volume de recursos à poupança, aplicações e investimentos que as classes A e B. "Os menos favorecidos têm a preocupação de economizar mais se precavendo de um imprevisto, seja uma doença ou outra coisa que exija um gasto acima do comum. Nesse sentido, a classe D acaba poupando mais. Isso não quer dizer que em números represente o maior valor, mas proporcionalmente classifica-se assim", explica Ismanhoto.

De acordo com o economista, o aumento do poderio econômico do brasileiro criou a consciência financeira que alimentou a busca pela poupança. "Em mais de 30 anos trabalhando com economia, percebo que o brasileiro está ganhando uma consciência de poupança. Sempre fomos um povo muito entregue a crediários e carnês com mais de 80 prestações. Mas agora, as pessoas estão mais preocupadas em poupar, estamos mais atentos, mais preocupados."


Segurança


Investir na caderneta de poupança não é tão atraente se observados os baixos índices de rentabilidade. Os valores depositados em poupança são remunerados com base em juros de 0,5% ao mês, acrescidos da Taxa Referencial (TR). Esta, por sua vez, é variável. Os valores mantidos em depósito por prazo inferior a um mês não recebem nenhuma remuneração.

"A poupança rende em média 6% ao ano. A TR é uma taxa pré-fixada que traz mais segurança aos investidores. Além disso, a caderneta é uma aplicação que, dentre os benefícios, traz garantia de rentabilidade e isenção de impostos e tarifas", relata Wanglei Rodriguez Tau, gerente regional de negócios da Caixa Econômica Federal.

Segundo ele, a segurança tem atraído outros investidores. "Pessoas que só aplicavam em outros fundos estão migrando para a poupança convencional. Ela acaba sendo vantajosa em tempos de instabilidade econômica".

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"As pessoas precisam prever o imprevisto"


Juntos há mais de 20 anos, Fernando e Teresa Cristina Mastrangelli aprenderam a poupar. Com dois filhos (uma menina de 17 anos e um menino de 10), o casal se enquadra no perfil do novo consumidor brasileiro: muito mais consciente. "As pessoas precisam prever o imprevisto (risos). E esses imprevistos acontecem todo mês. A sociedade é escrava do sistema capitalista que aplica a regra do trabalho e consumo, ou seja, você trabalha para consumir. Mas acredito que isso está mudando um pouco e as pessoas passaram a economizar mais", aponta Teresa, bióloga por formação e consultora administrativa de orçamento familiar.

A regra de se enquadrar ao orçamento familiar garante tranquilidade, segundo o casal. "Um imprevisto representa, em média, 10% do salário. Se você não está preparado com uma reserva, terá que passar três meses para conseguir cobrir os gastos", conta Teresa.

Por isso, na família Mastrangelli a ordem é poupar. Dos pais aos filhos, todos possuem poupança e até mesmo Previdência Privada. "Quanto mais jovem ensinar os filhos, melhor será. Não adianta as crianças verem na TV aquele monte de anúncios ?compra, compra, compra?, e quando chega no supermercado você diz apenas ?não?. É preciso ensinar a administrar o dinheiro. Fazer reservas desde cedo é uma forma de investir no futuro dos filhos com segurança".

Para o economista Wagner Ismanhoto, a atitude da família Mastrangelli deve ser vista cada vez com mais frequência. "Sempre é aconselhável poupar. Isso não quer dizer que deve-se poupar numa caderneta de poupança, mas que sempre é bom ter uma reserva. A regra básica é respeitar o orçamento familiar, ou seja, nunca gastar mais do que se ganha", conclui.