11 de julho de 2026
Geral

Instituto Federal aceita área oferecida pela prefeitura de Bauru

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 6 min

João Rosan

Estela e Rodrigo acompanharam Kenchian e Borges na visita ao terreno escolhido

Em visita a Bauru ontem, o reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), Arnaldo Augusto Ciquielo Borges, e o pró-reitor de Extensão Garabe Kenchian aprovaram o local indicado pela prefeitura para a construção do campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), na avenida Nações Norte.

A aprovação foi anunciada depois de uma reunião com o prefeito Rodrigo Agostinho e a vice-prefeita Estela Almagro e de uma visita à área, na manhã de ontem.

O investimento para construção do prédio e aquisição de equipamentos e mobiliários será de cerca de R$ 10 milhões. A expectativa é de que a obra seja concluída até o segundo semestre de 2012 e que a instalação gere R$ 6 milhões em recursos provenientes de contratações e serviços.

Conforme antecipado pelo Jornal da Cidade na edição de ontem, o terreno na avenida Nações Norte foi recém-devolvido ao município pela Universidade Sagrado Coração (USC) e possui 100 mil metros quadrados. Serão doados 60 mil metros quadrados para o instituto, dos quais seis mil serão ocupados com área construída.

A exigência para a instalação do campus era de uma doação de 20 mil metros quadrados. “Essa área doada nos dá a perspectiva para nascer grande e trabalhar com possibilidade de crescimento”, diz o reitor. Na área remanescente deve ser instalada, de acordo com a vice-prefeita Estela Almagro, a Estação Ciência, que inicialmente ficaria junto à Secretaria de Educação, mas não teve aprovação técnica.

Definida a área para o IFSP, na próxima semana, enquanto a prefeitura oficializa a doação, a vice-prefeita se reunirá com os secretários de Bem-Estar Social (Sebes), Desenvolvimento Econômico e Educação, além da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), para definir estratégias de atuação para situações apontadas pelo reitor, uma vez que a instituição deve ser voltada principalmente a estudantes das classes carentes de Bauru. Em outra frente, o instituto começa a discutir os projetos pedagógicos da escola e o projeto arquitetônico do prédio.


Transformação

Durante a reunião, Borges contou sobre a história do IFSP e suas transformações ao longo dos anos, além de expor o funcionamento da escola. “Pelo próprio viés atual do instituto ele é forte em pesquisa, focado na área de tecnologia e na extensão de problemas sociais. Então, é uma escola que está se movimentando muito. Esse não é o potencial para um primeiro momento, mas a ser alcançado”, afirmou.

Dentro do plano de expansão, que contempla a construção de oito escolas, a unidade de Bauru deve contar, em sua capacidade total, depois de dois a três anos de funcionamento com 60 professores, 45 funcionários administrativos, atender até 1.200 alunos e oferecer quatro ou cinco cursos.

Porém o reitor explicou que o número de cursos e ampliação do campus vai ocorrer gradualmente. Assim, inicialmente serão até três cursos técnicos de nível médio, depois de um ano deve ser implantado um curso de nível superior de tecnologia ou de licenciatura. “A gente demora três anos para que a escola atinja seus 1.200 alunos e esteja funcionando em sua plenitude”, garantiu Borges.

 

Foco em alunos carentes

Um dos destaques da reunião que definiu o local onde será construído o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) foi justamente o perfil da escola que será construída. Segundo o reitor Arnaldo Borges, deverá ser focada no atendimento a alunos carentes. Esse é novo perfil do instituto, que destinou em 2011, de acordo com Borges, R$ 6 milhões para atender alunos carentes, contra R$ 660 mil no ano anterior.

“Temos hoje 18 mil alunos, sendo que 60% deles se enquadram em qualquer avaliação socioeconômica de fragilidade”, disse o reitor. Para complementar o atendimento desse público, devem ser oferecidas bolsas de auxílio pelo município. Outra diretriz apontada para o atendimento do público carente, é a garantia da oferta de transporte público que assegure seu transporte para a escola.

 

O que é o IFSP

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) tem 101 anos de fundação, mas passou por várias transformações de status. Há 11 anos, a instituição só trabalhava com cursos técnicos. No final de 1990 foi transformada em Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), e passou a atender o nível superior com cursos de área tecnológica e licenciaturas.

Em 2008 foi criado o instituto, que deu à entidade o mesmo status de universidade federal, autonomia financeira e educacional. “A diferença é que somos focados nas tecnologias e nas licenciaturas. A universidade atua em vários segmentos e nós em alguns segmentos”, explicou Arnaldo Borges, reitor do IFSP.

O instituto federal atende ao eixo completo da educação profissional, oferecendo cursos desde a qualificação básica, passando pelos cursos técnicos (nível médio) até os de nível superior em engenharia, tecnologias, licenciaturas e programas de pós-graduação. “Em Bauru isso não vai acontecer de uma vez”, ressaltou.

As unidades do IFSP também foram instaladas ao longo do tempo, segundo contou Borges. Em 2004 eram três unidades (São Paulo, Cubatão e Sertãozinho), em 2005 surgiu a quarta unidade e atualmente são 25 unidades instaladas, quatro em processo de construção. A unidade de Bauru está na fase três do plano de expansão, que prevê a construção de oito campus.

No primeiro semestre de 2011 foram oferecidas 6.220 vagas nos campus da Capital e Interior.

 

Perfil dos estudantes definirá cursos

A definição dos cursos que serão oferecidos pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) deve ocorrer após levantamentos que indiquem as melhores opções para o atendimento da demanda e da procura do mercado de trabalho em Bauru e cidades da região. Internamente, dados como Produto Interno Bruto (PIB), geração de riquezas, tendências de negócios e setores de desenvolvimento das cidades do entorno de Bauru vão nortear a definição dos cursos.

Os cursos profissionalizantes oferecidos por outras entidades, como do Sistema S (Sest/Senat, Sesc e Senai) e do Centro Paula Souza (Etecs e Fatecs) também serão considerados. “A gente tenta acomodar a necessidade onde tem mais experiência”, explicou o reitor Arnaldo Borges.

O perfil do aluno de Bauru e região é o ponto final para a definição do que será oferecido no IFSP, que será instalado em Bauru. “O perfil é para a gente entender como esse jovem vai chegar para a gente. A fraqueza e o que eles têm de forte. Aí a gente faz uma grande avaliação e tem um leque de opções de cursos, a gente olha para as ofertas das instituições privadas e vê as ofertas, e quando tivermos noção do que seria o projeto da escola, faz as audiências públicas”, detalhou Borges.

De acordo com a vice-prefeita Estela Almagro, as primeiras audiências devem ocorrer nos próximos 15 dias, já que o processo para oficializar a doação da área deve ser rápido.

“Nós vamos ouvir representantes dos municípios, do setor patronal e dos trabalhadores de Bauru e região para definir qual a nossa demanda de profissionais dentro de quais áreas técnicas, qual o nosso déficit e onde, para o desenvolvimento regional sustentável, se encaixa o instituto. O plano de expansão do instituto aponta que existem muito cursos de graduação no Brasil, mas faltam cursos técnicos, que as empresas precisam, mas que não têm sido formados, principalmente em cursos públicos, gratuitos e de qualidade”, explicou Estela.

Como exemplo, a vice-prefeita apontou o interesse já demonstrado pela Associação dos Geógrafos Brasileiros/seção Bauru, que se manifestou sugerindo a criação de um curso na área de geografia. “Esse é um pedido social que ocorre antes mesmo das audiências”.

O prazo total para o município, previsto no projeto de expansão do IFSP, é de 150 dias para a determinação e doação da área.