Nesta sexta-feira, o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP), em Bauru, vai comemorar a marca de mil cirurgias de implante coclear realizadas. O marco será comemorado durante o Seminário Científico "Implante Coclear: Aspectos Atuais", que será realizado no campus da universidade, na mesma semana em que também se comemora o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência (21) e próximo ao Dia Nacional do Surdo (26).
Pioneira a oferecer o serviço no Brasil - desde 1990 -, a equipe do hospital também é a primeira a atingir este número no País, com o balanço de que os avanços em equipamentos e técnicas foram e são importantíssimos, mas a atenção com o comportamento e a inserção do paciente na sociedade também é imprescindível para o sucesso da reabilitação.
"Com a experiência e a evolução tecnológica obtidas no decorrer dessas duas décadas, passamos de uma fase com foco biomédico para uma etapa de atenção especial em aspectos psicossociais da vida do paciente", afirma Maria Cecília Bevilacqua, coordenadora da Seção de Implante Coclear, também conhecida como Centro de Pesquisas Audiológicas (CPA).
De acordo com a especialista, a equipe tem se dedicado bastante ao preparo das famílias na etapa pré-cirúrgica, para que o impacto do diagnóstico da surdez e da data da cirurgia não seja superestimado. Outro foco de atenção é a introdução de novos procedimentos no protocolo de atendimento, como a avaliação de qualidade de vida aplicada por toda a equipe interdisciplinar.
O objetivo é que a pessoa reabilitada seja, de fato, atuante na sociedade e tenha todas as oportunidades que o ser humano possa ter.
Popularmente conhecido como "ouvido biônico", o implante coclear é um dispositivo eletrônico que estimula diretamente o nervo auditivo por meio de pequenos eletrodos colocados dentro da cóclea.
Inserida cirurgicamente no ouvido interno do paciente, a prótese é indicada a pessoas com surdez total ou quase total não beneficiadas pelo uso de aparelhos auditivos convencionais, que apenas amplificam o som.
No Centrinho, de janeiro a agosto de 2011 já foram realizadas 66 cirurgias. A média atingida pelo Hospital nos últimos três anos é de dez cirurgias por mês. Todos os procedimentos na instituição são realizados via Sistema Único de Saúde (SUS).
Como primeiro serviço de implante coclear do País, a equipe do Centrinho-USP teve tarefas complexas e pioneiras, como adaptar os protocolos pré e pós-cirúrgicos, estabelecer rotinas, formas de atendimento e fluxo de pacientes, entre outras.
"Nós disponibilizamos esse conhecimento como publicação, como pesquisa e também com a formação de recursos humanos. O que ouvimos agora de estudantes e profissionais é que hoje, no Brasil, se aprende implante coclear em português."
O Seminário Científico "Implante Coclear: Aspectos Atuais" será nesta sexta-feira, das 9h30 às 16h, no Teatro Universitário da FOB-USP, na alameda Octávio Pinheiro Brisolla, 9-75. Informações e inscrições: (14) 3235-8437.