08 de julho de 2026
Geral

Medo de assalto pode deixar postos sem caixa eletrônico

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.

O gerente Cléberson já solicitou retirada do caixa 24 horas de dentro da loja

A onda de explosões a caixas eletrônicos na região metropolitana de São Paulo está preocupando os donos de postos de combustíveis de Bauru. Com medo de que seus estabelecimentos passem a ser alvos deste tipo violento de assalto, muitos proprietários já cogitam a possibilidade de extinguir o serviço em suas lojas de conveniência.

Na cidade, o número de postos que mantêm convênios com instituições bancárias é pequeno, mas os que ainda permanecem com os caixas eletrônicos começam a avaliar as desvantagens de continuar com o atendimento. O grande problema é que o seguro dos estabelecimentos geralmente não cobre os danos materiais causados por estas explosões, que podem, inclusive, atingir os reservatórios subterrâneos de combustíveis.

Para piorar, conforme destaca o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, José Antônio Reghine, vítimas de eventuais ataques criminosos podem exigir do dono do posto a reparação de eventuais danos físicos e materiais. “A responsabilidade civil e criminal por tudo o que ocorrer em caso de explosão é do proprietário do estabelecimento. Por isso, há uma certa preocupação e muitos já demonstram interesse em retirar os caixas”, frisa.

Reghine salienta que ainda não há registros de assaltos desta natureza em Bauru. O medo, entretanto, é que o modo de ação dos criminosos se dissemine para o Interior do Estado ou mesmo que os ladrões especializados neste tipo de arrombamento comecem a migrar da Capital em direção a Bauru.

 


Retirada


Precavido, Cléberson César Fidélis, gerente de um posto de combustíveis da região central da cidade, já solicitou a retirada do caixa 24 horas de dentro da loja de conveniência instalada no estabelecimento. Além da preocupação com uma possível explosão criminosa, ele frisa que o equipamento vem sendo responsável indireto por uma série de furtos dentro da loja durante a madrugada.

“Á noite, muita gente vem sacar dinheiro porque o caixa é um dos poucos que não interrompe o atendimento entre 22h e 6h. E essa aglomeração de pessoas favorece a ocorrência de furtos de mercadorias da loja”, assinala.

O presidente do Sincopetro explica que, no caso de Fidélis - quando o caixa está instalado dentro de uma loja de conveniência -, o proprietário do posto não recebe obtém nenhum lucro com a prestação do serviço, embora continue responsável por todos os danos causados por eventuais explosões. “O dono só entra com o risco. Ele compra uma franquia de uma rede de conveniência, que impõe o que terá ou não dentro da loja, inclusive caixas eletrônicos. E o banco paga, neste caso, ao franqueador”, detalha.

Neste caso, ele explica, é mais difícil para o proprietário negociar a retirada do equipamento. O acordo é um pouco mais simples quando os caixas são instalados fora das lojas de conveniência, já que o convênio é feito diretamente entre o banco e o proprietário do posto. “Mesmo assim, o valor que ele recebe não compensa, nem de longe, o prejuízo que ele pode ter se o caixa for alvo de uma explosão”, observa Reghine.