Nova York - Apesar de pressionado pelas potências ocidentais, especialmente pelos EUA, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, vai apresentar hoje ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o pedido formal para que os territórios se tornem Estado membro das Nações Unidas.
A afirmação foi feita ontem por Yasser Abed Rabbo, assessor de Abbas. O líder palestino e o premiê israelense, Binyamin Netanyahu falarão hoje à Assembleia Geral.
Nos últimos dias, diplomatas americanos e europeus vinham tentando negociar uma solução para que o caso não chegasse às Nações Unidas.
Abbas, no entanto, já tinha dito na semana passada que não recuaria do pleito palestino, que, passando pelo secretário-geral, vai ser encaminhado para o Conselho de Segurança (CS) da ONU -onde os EUA já disseram que vetarão a proposta.
Mesmo com a promessa americana, os palestinos pretendem levar o projeto adiante como vitória moral, para aumentar as pressões para ter seu Estado reconhecido.
Para isso, os palestinos precisam do apoio de 9 dos 15 membros do CS e já teriam certos os votos de seis países, entre eles, o Brasil.
Essa dificuldade de conseguir os votos necessários já faz algumas das lideranças palestinas afirmarem que deve levar algum tempo para que o organismo das Nações Unidas vote a proposta.
Protelação
Nos últimos dias, os EUA e a França disseram que deve levar semanas ou até meses para que ocorra a votação. A ideia é prolongar as discussões ao máximo em busca de uma solução diplomática, já que vetar o projeto palestino seria desgastante para a imagem das potências ocidentais no Oriente Médio.
Pelas regras da ONU, passando pelo CS, a aprovação da Palestina como Estado pleno da ONU teria que ser confirmada por dois terços dos 193 países que integram a Assembleia Geral.
Com o veto ou com a derrota no CS, o caminho também passaria pela Assembleia Geral, mas com uma diferença: os palestinos pediriam para ser "Estado observador", o que exige apenas 97 votos.
Esse status não lhe dá voto na Assembleia Geral, mas permite recorrer a organismos da ONU, como o Tribunal Penal Internacional, e alegar soberania dos espaços aéreo e marítimo - outros dois temas polêmicos para Israel.
A proposta apresentada hoje deve reconhecer a Palestina com base nas fronteiras de antes da Guerra dos Seis Dias, em 1967, com Jerusalém Oriental como capital.