É quase impossível não se contagiar com a alegria e a empolgação irradiadas quando as gêmeas Isabela e Gabriela, 8 anos, conversam entre si ou com os adultos ao seu redor. Mas, quem observa apenas a felicidade transparecida pela pureza do sorriso infantil das meninas nem imagina que as filhas de Leidiane Garcia Bassano, 29 anos, nasceram com perda parcial e total de audição, respectivamente.
"Na verdade, a gente nem imaginava que as meninas poderiam ter algum tipo de deficiência para ouvir. Quando elas estavam com 1 ano e meio, a Isabela falava bem e ouvia normalmente, mas a Gabriela não falava. Foi isso que chamou nossa atenção", explica Leidiane.
Junto com o marido, Leidiane pesquisou na Internet sobre casos e tratamentos de surdez e descobriu o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP), em Bauru. "Nós entramos em contato e fomos chamados para fazer as primeiras avaliações quase de forma imediata", lembra.
E se a história deste casal de Presidente Venceslau, cerca de 330 quilômetros de Bauru, já parecia difícil, o maior exemplo de superação ainda estava por vir: pouco depois das meninas começarem o tratamento em Bauru, os pais descobriram que a caçúla da família, Júlia, hoje com 6 anos, também havia nascido com perda auditiva.
"No caso da Júlia, quando ela tinha 8 meses as gêmeas já faziam tratamento no Centrinho. Pelo comportamento dela e pelo histórico das irmãs, eu desconfiei, e a equipe do HRAC acabou descobrindo que ela também tinha uma perda profunda de audição", explica a psicóloga da Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf), Salimar Estilac Sandim Demétrio, que acompanhou a visita da família à Redação do Jornal da Cidade ontem.
Salimar conta com orgulho que as três meninas são a melhor forma de exemplificar o sucesso do implante coclear realizado no Centrinho, que ontem comemorou a marca de 1.001 cirurgias de implante bem sucedidas em pacientes que conheceram ou voltaram ao mundo dos sons. A psicóloga ficou tão encantada com a disposição da família em tratar das meninas que chegou a hospedá-las em sua casa. "Eu tenho um filho que também é surdo e, para mim, ele é o máximo. Mas essas meninas também são maravilhosas. Não existe igual, e isso se deve ao que a mãe delas sempre fez."
"Elas gostam de cantar"
Num dos poucos momentos em que as meninas não estavam conversando com a reportagem, Leidiane revelou algumas das atividades preferidas das irmãs: "Elas são muito animadas e comunicadoras. Adoram cantar músicas do Michel Teló, por exemplo".
Quem pensa que o implante pode atrapalhar algumas atividades que as crianças nessa faixa etária costumam fazer, está enganado. Recentemente, a Gabriela começou a ter aulas de violão e todas as meninas adoram jogar futebol com os amigos. Além disso, as garotas frequentam uma escolar regular, com crianças sem deficiência auditiva.
"Até hoje elas fazem acompanhamento com um fonoaudiólogo, mas graças ao tratamento do Centrinho nós podemos levar uma vida normal e, por isso, eu sou completamente realizada", conclui.