09 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Caio Márcio de Carvalho Vannini

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 9 min

"Quando criança, eu fazia rifas para arrumar dinheiro. E tinha crédito na vizinhança toda porque eu rifava e entregava (risos). O mundo passava na sua porta e acho que isso me influenciou". Com o trabalho sempre como objetivo, o publicitário Caio Márcio de Carvalho Vannini cresceu irrequieto e multidisciplinar, como ele mesmo gosta de dizer, e se "aventurou" por vários segmentos até encontrar, ao lado de sua esposa, Andréa, os caminhos e o sucesso da comunicação visual e da propaganda.

Dono da Crayon Comunicação Visual e Propaganda, Caio tem o privilégio e o conforto de trabalhar e realizar suas criações em casa e ao lado da esposa. Juntos, eles já tiveram trabalhos premiados, como o volante de ouro da Volksvagem, recebido por duas vezes.

E é também no aconchego do lar que o entrevistado não dispensa a companhia dos filhos, Adriano e Frederico, para soltar a imaginação e se divertir com a música e com a restauração de antiguidades. "Não sei se a restauração é um hobby ou se já virou um estilo de vida. A gente pega coisas no lixo para restaurar, como cadeiras, molduras, portas..."

Conhecido também como "Caio boca", apelido que vem da infância, ele não economiza palavras na hora de falar sobre a "nota zero" do perfil e demais temas. Confira a entrevista completa, abaixo.

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Jornal da Cidade ? Você é conhecido como "Caio boca". É um apelido de infância?

Caio Márcio de Carvalho Vannini ? (Risos) As pessoas não sabem, mas é um apelido de infância, sim. Eu tinha a boca grande e comia bastante, então os caras brincavam comigo no Bauru Tênis Clube me chamando de Caio boca. Nunca liguei, mas o apelido pegou. Muita gente acha que o apelido é porque eu sou "bocudo" e por falar muito, mas veio da infância mesmo.

JC ? E por falar em infância, foi um garoto de personalidade marcante?

Caio ? Sempre fui uma pessoa irrequieta, e continuo. Nunca me conformei com alguns comportamentos das pessoas. Com o lado bom de ser irrequieto, eu acabei sendo uma pessoa multidisciplinar, o que me abriu várias portas. Quando você é irrequieto, nunca está satisfeito e procura coisas novas, isso para mim foi legal. Fiz muitas coisas diferentes e bem feitas.

JC ? Quais são as suas atividades atuais?

Caio ? Minha formação básica é Direito, mas trabalho com publicidade há 22 anos com minha esposa e dou aulas em Jaú de laboratório de publicidade. Minha esposa, que é publicitária, resolveu ir embora para São Paulo e eu propus de montarmos uma agência aqui, em Bauru, a "Crayon Comunicação Visual e Propaganda". E deu muito certo. Fiz pós-graduação em marketing e tive a escola da vida. Além de ser multidisciplinar, uma característica minha é fazer tudo muito bem feito. Por exemplo, eu e meus filhos fazemos instrumentos musicais em casa, então a gente capricha.... Eu me dedico e por isso acredito ter facilidade com o trabalho.

JC ? Por que a faculdade de Direito?

Caio ? Eu fiz um intercâmbio nos Estados Unidos, fiquei fora por cerca de um ano e, quando voltei, eu queria fazer a faculdade de tradução e intérprete, mas não tinha o curso em Bauru, na época. Eu queria fazer em São Paulo, contudo, não havia vestibular no meio do ano e eu acabei cursando Direito por achar interessante. Dentro dessa minha personalidade multidisciplinar, pode ser que eu tenha abandonado um sonho, não sei, talvez. Nunca sou de chorar pelo leite derramado.

JC ? Foi uma boa experiência morar fora do Brasil?

Caio ? Eu fiz intercâmbio e viajei pelos Estados Unidos todo. Uma das coisas que eu notei e fiquei admirado é com a independência dos jovens de lá em relação aos brasileiros. Meus dois filhos também fizeram intercâmbio. E é uma coisa nítida, aqui os filhos dependem muito dos pais para ir e vir, inclusive, e trabalham cedo. Lá eles pegam uma bicicleta, vão de ônibus, metrô...Mas, entre outras coisas, é uma questão de infraestrutura.

JC ? Isso mudou o seu modo de pensar e agir?

Caio ? Ah, com certeza. Quando eu voltei, fui trabalhar em uma discoteca como balconista. Depois dei aulas de inglês em escolas da cidade. Já na faculdade, montei uma mercearia sírio-libanesa. Eu tinha uma paixão também por negócios, vendas e o contato com as pessoas. Fui assessor parlamentar e também fiz estágio na área do Direito. Quando estava terminando a faculdade, comecei a namorar a Andréa e montamos a agência de propaganda.

JC ? A Crayon tem rendido bons frutos?

Caio ? Ah, sim. Temos uma postura séria e ética dentro do mercado de Bauru e região. Temos marca publicada em livro internacional. Ganhamos o volante de ouro da Volkswagem por duas vezes. Apenas no primeiro ano de empresa, nós conseguimos uma quantidade incrível de clientes que estão com a gente até hoje. Recebemos um prêmio de melhor agência pela extinta TV Modelo, pela produtividade no Interior. Agora, fazendo a propaganda do Auto Fest, ele ganhou como melhor shopping de automóveis do interior paulista. Entre os muitos trabalhos marcantes, fizemos também a campanha de regionalização da TV Record, há cinco anos, e duas campanhas de trânsito com o Jornal da Cidade e o Joias Devolvidas, que foi muito legal. Fazemos um trabalho de pesquisa histórica para a parte de comunicação visual de uma rede de supermercados da região que é bem bacana. Essa história vem de um outro hobby meu que é a fotografia. Em Bauru, tivemos a oportunidade de gravar com inúmeras celebridades nacionais. Gosto muito dessa coisa de roteiros.

JC ? Você tem projetos ou sonhos para realizar nessa área?

Caio ? Eu gostaria de fazer um curta ou um clipe, talvez da nossa própria banda...Algo assim. O CD foi um sonho realizado no final do ano passado.

JC ? Então também se dedica à fotografia?

Caio ? Na verdade eu sou um curioso. Fiz três calendários que viraram matéria para o pessoal de arquitetura da Unesp. Inclusive, alguns prédios da cidade foram tombados depois desse trabalho que foi um levantamento fotográfico de alguns prédios que gosto em Bauru. Foi sem intuito comercial, mas serviu como incentivo para as pessoas apreciarem o patrimônio e depois, por conta desse trabalho, acabei fazendo outros, como um trabalho feito com todas as estações ferroviárias daqui até São Paulo.

JC ? De onde vem sua paixão por antiguidade?

Caio ? Pela imbecilidade das pessoas em abandonar isso. As pessoas querem ser todas iguais. Não tenho nada contra moda ou tecnologia, mas acho que o ser humano precisa ser autêntico e original. Minha casa é inteira com material de demolição, mas as pessoas, hoje, não têm ligação com o antigo, até há um recente movimento de arquitetura que encaixa essas coisas, mas as casas atuais tem cara de clínicas médicas e não a cara do morador.

JC ? Restauração para você e sua família é um hobby?

Caio ? Não sei se é um hobby ou se já virou um estilo de vida. A gente pega coisas no lixo para restaurar, como cadeiras, molduras, portas...

JC ? E quanto à música? Você me disse que tocar bateria é outro hobby.

Caio ? Sim, eu e meus filhos já gravamos um CD instrumental composto basicamente por rock e blues. Nós já fizemos três guitarras por brincadeira e um de meus filhos está fazendo um violão havaiano. Eu comecei a tocar bateria já velho, aos 18 anos. Meus pais não permitiam antes por causa do barulho, então, quando fiquei maior de idade, já trabalhava, fui lá e comprei uma bateria (risos).

JC ? O seu casamento praticamente se funde com a história da agência. Como tudo começou?

Caio ? O casamento tem o mesmo tempo da agência. Estamos casados há 22 anos. A gente se conhecia daqui de Bauru de bares e boates. Sempre fomos amigos e nunca tivemos nada. Ela fez pós na Alemanha e foi embora, morava em São Paulo. Perdemos o contato quando ela estava na Alemanha. Nós tínhamos um amigo em comum, mas ele nunca me dava o telefone dela. Foi quando ela voltou e nos reencontramos no Carnaval do BTC. Começamos a sair e tudo foi acontecendo naturalmente. Namoramos apenas um ano e percebemos que já estávamos preparados para o casamento. Começamos a vida juntos.

JC ? Suas histórias sempre envolvem trabalho. O que ele significa para você?

Caio ? Quando criança, eu fazia rifas para arrumar dinheiro. Eu tinha crédito na vizinhança toda porque eu rifava e entregava os prêmios (risos). Bicicleta, luneta...Eu vendia tudo o que eu não queria mais. Era um vendedor nato. Eu tenho uma lembrança de pequeno, onde as coisas todas passavam à sua porta. O leiteiro, o padeiro, o vendedor de livros, tapetes, panelas, roupas...O mundo passava na sua porta e acho que isso me influenciou ao trabalho.

JC ? O que você quis dizer quando deu nota zero "aos ignorantes de plantão"?

Caio ? Bem, isso é abrangente. Hoje, as pessoas gostam muito de pautar a vida dos outros. Em todos os sentidos. A grama do vizinho está sendo muito olhada. Na religião, por exemplo, independente da sua, aquilo que você professa no domingo, você tem de fazer durar até o outro domingo, e não sair criticando e prejudicando os outros. Os ignorantes de plantão também são aqueles que ouvem uma coisa, reposicionam e saem falando por aí sem analisá-las. As pessoas têm preconceitos mesmo sem saber do que estão falando. Reproduzir algo só porque você ouviu é uma coisa horrível para mim e é característica séria do comportamento brasileiro. Tem aquele ditado popular que diz que temos dois ouvidos e uma boca, porque é para ouvirmos mais e falarmos menos, apesar de eu ser o "Caio boca" e falar muito (risos). Mas aí também tem aquele outro lance: "A palavra é prata e o silêncio é ouro". É preciso respeitar a tradição e a própria história. Ter personalidade.