08 de julho de 2026
Bairros

Certificação pode vir com exigência do consumidor

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min


Segundo Zito Garcia, secretário da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), ao menos 10% dos pequenos produtores de Bauru estão produzindo alimentos orgânicos ou já tem consciência dos benefícios dessa produção devido aos cursos oferecidos pela Sagra. E com a procura cada vez maior do consumidor por esses produtos, cresce também a preocupação com a qualidade do que vai à mesa do bauruense.

“O consumidor de produtos orgânicos não quer apenas comer, ele também quer saber como o alimento é produzido. Em um espaço curto de tempo, provavelmente vai haver a exigência de certificação para legumes e verduras, como já existe para os gêneros animais. Tal selo de certificação ainda não é obrigatório para a agricultura familiar por parte do Ministério da Agricultura, nem da Secretaria Municipal da Agricultura, mas sim para produtos de exportação”, comenta Zito.

Contudo, de acordo com Zito, os produtores de Bauru, com o apoio da Sagra, já estão transformando suas terras em propriedades agroecológicas. Cuidados com a qualidade da água e a preservação das nascentes e mananciais, além, é claro, do uso de defensivos biológicos e adubação orgânica são práticas adotadas pelo pequeno produtor de orgânicos.

“Fazemos reuniões e disponibilizamos orientação de técnicos da Sagra para que a agricultura familiar chegue na frente. A produção é pequena e os investimentos da agricultura voltada à conscientização ecológica compensam. Queremos colocar o pequeno agricultor a frente disso porque, hoje, ele responde por 60% da produção da mesa brasileira”, afirma o secretário da Agricultura.    

 

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  Livre de agrotóxicos, orgânicos são aliados da alimentação saudável

 

Segundo a nutricionista especialista em nutrição clínica e supervisora da Humana Service, Taís Baddo de Moura e Silva, estudos recentes apontam que não há diferenças nas quantidades de nutrientes encontrados nos alimentos orgânicos e nos convencionais. Contudo, o que está mais do que provado é que a concentração de substâncias contaminantes presentes nos orgânicos, como agrotóxicos, por exemplo, é altamente inferior à quantidade presente nos alimentos não-orgânicos.  

“Não utilizar agrotóxico em seu cultivo já é um motivo suficiente para que a população coloque os orgânicos nas mesas. Tais substâncias são lesivas à saúde e, dependendo da carga de contaminantes, elas podem provocar dores de cabeça e até mesmo doenças mais graves como o câncer”, aponta Taís.

Em pessoas que realizam uma alimentação saudável e equilibrada, a ação dos agrotóxicos pode ser menor. Já quem não possui horário certo para se alimentar, ingere grandes quantidade de gordura e açúcar e tem como hábito a frequente ingestão de lanches, entre outras irregularidades alimentares, pode ter o problema agravado. “Ao ingerir alimentos como tomate, morango e uva, por exemplo, essas pessoas  vão ser mais prejudicadas do que aqueles que, apesar de ingerirem alimentos com agrotóxicos, possuam variedade e equilíbrio alimentar, acrescenta Taís. 

 

Horta caseira

Uma dica da nutricionista para uma alimenta

ção livre de produtos químicos é a retomada das hortas caseiras. (Veja como ter uma pequena horta no infográfico ao lado).

Quanto aos orgânicos à venda, Taís alerta que é preciso que os mesmos estejam identificados. “Apenas produtores da agricultura familiar que comercializam seus alimentos em feiras livres ou direto na casa dos consumidores estão isentos do selo, mas precisam estar vinculados a uma organização de controle social. Tudo isso é fundamental para que o consumidor não compre “gato por lebre”, lembra. 


 

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  Além do pão de cada dia

 

Imagine comer pão fresquinho todo dia e, de brinde, receber mais energia e acabar com problemas no intestino, estômago e enxaquecas? Em Bauru, isso é possível. Essa é a proposta de Luciana Ortega Maniezi Macre, estudiosa na área de Nutrição Antroposófica - que no caso da alimentação se baseia em estudos astronômicos para potencializar os benefícios dos alimentos -, e proprietária de loja especializada nesse tipo de alimentação. Ela garante que recebe diariamente relatos de clientes curados pela alimentação.

“Trabalho há dois anos e meio com alimentação orgânica e há um ano e meio tenho uma padaria especializada. Pães, pizzas, tortas, geleias, entre muitos outros produtos podem ser encontrados em meu estabelecimento cujo objetivo é levar a cura para as pessoas através da alimentação”.

Com uma clientela já vasta e fixa, Luciana diz que trabalha com muitos detalhes importantes, entre eles, a farinha e os grãos, além de integrais são sempre frescos. “Isso faz com que ela não perca suas propriedades curativas. As pessoas vêm até nós e relatam grandes melhorias na saúde e até a cura com a desintoxicação orgânica”. 

 

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  Feira noturna é opção para quem trabalha fora

 

Montada todas as quintas-feiras, das 16h às 20h, a 1ª Feira Agroecológica de Bauru, além de ser uma opção mais barata para os consumidores de produtos orgânicos, é ainda uma opção para quem trabalha fora e não pode aproveitar as feiras das primeiras horas do dia. Reforço na iluminação, instalação de pontos de água e energia no local foram algumas das melhorias para adaptar o lugar ao horário.

A oficial de Justiça Ludmilla Fábio é moradora da região e já aguardava por uma feira na Zona Sul. “Sendo orgânica é ainda melhor, já que os gêneros ainda são muito caros em supermercados. E como fico fora de casa o dia todo, assim como boa parte dos moradores daqui, nada melhor do que uma feira noturna”. 

Consumidora de orgânicos há mais de um ano, Ludmilla aponta os benefícios da mudança na alimentação e acredita que, entre eles, estão o aumento da vitalidade, além da consciência de não consumir agrotóxicos. “Comemos verduras, legumes, algumas frutas... O que eu vejo de orgânico eu compro, contudo, sinto a necessidade de mais frutas orgânicas na feira”.  

Moradora da região onde a feira foi instalada há 30 anos, quem também se preocupa com a saúde da família e vê na iniciativa um bom exemplo é a professora Jurema Melo de Siqueira. Ela revela que já procurava por verduras e legumes produzidos sem agrotóxicos nos supermercados, mas que a feira impulsionou o consumo da família.

“Toda semana eu compro principalmente folhas verdes, como alface, couve e chicória, além de cenouras, morangos...O sabor mais intenso e a durabilidade dos produtos na geladeira são incrivelmente superiores aos dos produtos cultivados com agrotóxicos. Um pé de alface orgânico dura mais de oito dias na geladeira, enquanto um não-orgânico não passa de três dias”, observa Jurema. 

Pelo movimento, a moradora acredita que a feira está sendo bem aceita e espera que a população valorize a iniciativa. E como Ludmilla, ela deseja que a oferta de produtos aumente, principalmente a quantidade de frutas.

Segundo Zito Garcia, secretário da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), a feira agroecológica é coordenada pela Associação dos Produtores Rurais Orgânicos do Centro Oeste Paulista  (Aprocop), com a supervisão da Secretaria Municipal da Agricultura. Produtores que desejam instalar uma barraca na feira precisam passar pela autorização e supervisão desses órgãos.

 

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  Uma feira alternativa       

 

Um prato cheio para quem se preocupa não apenas com a aparência dos alimentos, mas também em como eles são produzidos e por quem são cultivados. Inaugurada em meados de agosto, a 1ª Feira Agroecológica da cidade, também chamada pela população de orgânica ou alternativa, é um espaço destinado para quem planta e quem procura alimentos orgânicos.

Instalada experimentalmente por três meses na rua Fuas de Matos Sabino, quadra 1, nas proximidades da Avenida Getúlio Vargas, a feira abriga, inicialmente, cerca de 15 barracas. Verduras, legumes, frutas, ovos, mel, produtos à base de soja, derivados de milho, bolos, pães integrais, além dos tradicionais artesanatos presentes nas feiras livres. E para quem não abre mão do pastel de feira, nesta, há um especial frito em óleo de milho. 

“Tivemos a solicitação dos moradores para a implantação de uma feira na Zona Sul da cidade. O lugar foi escolhido por ter uma praça perto, poucas casas ao redor e baixo fluxo de veículos. Nossos produtores agroecológicos também fizeram a solicitação de uma feira específica para os orgânicos. Portanto, a feira agroecológica também é uma atenção especial para esses produtores”, explica Zito Garcia, secretário da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra). 

Segundo Zito, a feira se destaca pelo comércio exclusivo de produtos orgânicos com consciência agroecológica, ou seja, cultivados com adubos orgânicos, defensivos biológicos ou compostagem em geral.

 

Oportunidade

Farinhas e cereais integrais e muito amor. Depois de juntar todos esses ingredientes, a estudante Telma Marquez Freire sai em busca de clientes para seus pães, bolos e salgados integrais. “Sempre vendo em lugares públicos e achei ótima essa iniciativa da feira orgânica. É uma forma de unir quem produz com quem procura por esses alimentos tão saudáveis. Faço tudo com produtos naturais e sem conservantes. Sempre trabalhei com essa linha porque meus pais sempre nos ensinaram a consumir  saudavelmente. Precisamos ter consciência de que nosso corpo pede por produtos saudáveis, olha como os casos de câncer estão aumentando”, preocupa-se.

Já os integrantes do “Projeto Tempo de Ser” aproveitam o espaço para comercializar derivados da soja. Na barraca montada por eles é possível encontrar bolo de fruta sem lactose, glúten e açúcar, quibe de soja, iogurte, maionese, pão de queijo, patê de ricota de soja com tomate seco... Outra opção é o suco desintoxicante, feito com limão, hortelã, couve e mel.