O Brasil está entre os 10 países com mais casos de suicídios do mundo. A taxa média é em torno de 8 por cada 100 mil habitantes, índice considerado relativamente baixo pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Considerando que a população é pouco mais de 190 milhões de habitantes, este número salta para 15.200. Em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), de quatro suicídios anuais até 2008, o número saltou para 22 em 2009. A explosão exigiu medidas e, atualmente, um grupo de especialistas estuda a situação e tenta barrar as ações antes delas se tornarem realidade.
O maior índice de suicídios ocorre entre jovens, de 15 a 24 anos, de ambos os sexos. O masculino exibe a bandeira de um aumento de 2.000%, enquanto que o feminino teve um aumento de 300%. Com esses indicadores, o suicídio fica responsável por 3% dos casos de mortes entre os jovens brasileiros. Em Botucatu, na Faculdade de Medicina da Unesp, está o maior especialista do mundo no assunto. O médico José Manoel Bertolote foi escolhido para receber um prêmio internacional como forma de reconhecimento pelos trabalhos que tem realizado na prevenção de suicídio, o Internacional Association For Suicide.
O psiquiatra coordenou uma equipe de gestão de transtornos mentais da OMS até 2008, mas continua consultor do órgão. O especialista teve os manuais de sua autoria traduzidos para mais de 60 idiomas. Em Botucatu, ele é o orientador de um grupo que estuda, dentre outros itens, o perfil das vítimas de tentativas de suicídio notificadas no município.
Os profissionais se debruçam sobre números e causas. Querem descobrir quem são, qual a idade e os motivos que levaram essas pessoas a pensar em se matar. Alguns resultados já foram computados e mostram que 93,6% delas eram brancas, 3,2% negras e 2,1% eram pardas. O estudo evidenciou que 37,2% das vítimas tinham entre 31 e 50 anos, 36,2% de 19 a 30 anos e 14% tinham 18 anos.
As localizações das ocorrências de tentativas de suicídio apresentaram dados alarmantes, 95,7% ocorreram em zona urbana. O período preferido pelas vítimas foi o vespertino, com 31,9% contra 13,8% do matutino. Em 89,4% dos casos, a pessoa escolheu a própria casa para se matar e em 5,3% optou pela via pública.
No item escolaridade, 35,1% tinham o ensino fundamental incompleto e 23,4% o ensino médio completo e 21,3% possuíam ensino fundamental completo. A maioria das vítimas era donas de casa (25,5%), seguidas de estudantes (17%), vendedores (6,4%) e faxineiras (5,3%). Em 25,5% dos casos, a pessoa tinha registro na carteira profissional
O estudo revelou ainda que 26,6% das vítimas eram solteiras, 14,9% eram casadas e em 55,3% dos casos não havia informação referente a esta variável. Os meios de agressão mais comumente utilizados foram o envenenamento (31,9%) e a intoxicação (16%).