Joinville - Enquanto um avião que transporta 180 passageiros se prepara para pousar, um falcão levanta voo para garantir sua segurança.
A ave, no caso, não tem penas: é um falcão-robô feito de carbono e plástico.
Operada por controle remoto, com 1,6 metro de envergadura e um quilo de peso, a ave de rapina artificial começou a ser usada na quarta-feira passada no aeroporto de Joinville (SC) para espantar pássaros que colocam a segurança dos aviões em risco.
O aeroporto lidera no país o número de colisões entre aves e aviões: tem um índice de 19 ocorrências para cada 10 mil operações de decolagem e pouso em 2010, de acordo com a Infraero.
O aeromodelo, de fabricação italiana, conta com uma bateria que chega a durar 20 minutos e pode voar num raio de até três quilômetros.
Ele decola cerca de seis vezes por dia, no intervalo entre pousos e decolagens. Quero-queros, garças e urubus são seus alvos.
A empresa que opera o equipamento diz que ele imita os movimentos de uma ave de rapina real, que plana e mergulha para se aproximar das presas. Nenhuma ave é ferida no processo.
Everaldo Gaia, chefe de segurança do aeroporto, afirma que o aparelho já diminuiu o número de acidentes.
“As aves veem o robô como uma ameaça e fogem. Algumas começaram até a fazer sons diferentes, como se avisassem as outra do perigo”, afirma. Gaia afirma que o robô não precisa de autorização do Ibama, ao contrário da técnica que usa falcões de verdade para capturar outras aves.
O contrato temporário de uso do equipamento prevê mais dez dias de voo do “pássaro”. O custo, de R$ 15 mil, inclui outras ações de segurança, como a colocação de fios de náilon em gramados próximos à pista para evitar que as aves pousem.