08 de julho de 2026
Ser

A moda pelas ruas do mundo


| Tempo de leitura: 3 min

Em 1957, um jovem e talentoso estilista herdava o comando de uma das mais tradicionais maisons de moda do mundo, a Christian Dior. Yves Saint Laurent liderou a marca por quatro anos até decidir fundar sua própria grife. Vários motivos levaram à saída, mas um deles ficou mais e mais claro ao designer ao longo dos anos: era preciso sair dos ateliês, observar a moda das ruas e investir no prêt-à-porter. "Não podemos, jamais, confundir elegância com esnobismo", ele dizia.

Cinquenta anos mais tarde, as cidades mais importantes do mundo da moda - Paris, Londres, Nova York e Milão, mas também, e cada vez mais, Berlim e Tóquio - celebram os mais variados estilos, que tomam conta das ruas e chamam a atenção dos visitantes.

Compras facilitadas, tarifas reduzidas pela popularização das lojas de fast-fashion e a busca de sustentabilidade na hora de investir em peças-chave simplificam o acesso à moda de outros países. Levar para casa algo que você vai, de fato, conseguir combinar com as roupas que tem no armário é uma conquista do mundo globalizado.

"As pessoas buscam elementos específicos do lugar em que estão, mas os inserem em um contexto global", explica o professor de sociologia e história da moda da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Paulo Debom. Quanto mais despreocupado com tendências passageiras você estiver, mais vai aproveitar vitrines lá de fora.

Peças interessantes podem estar fora do eixo clássico das semanas de moda mais importantes do planeta - os desfiles de primavera-verão começaram na semana retrasada, em Nova York, e seguiram em Londres (na semana passada), Milão (até o dia 28) e Paris (27 de setembro a 5 de outubro).

Na Antuérpia, na Bélgica, você pode encontrar itens incríveis, sugere Fábio Souza, dono do brechó paulistano À La Garçonne (alagarconne.com.br), que viaja sempre em busca de novidades. Em Tel-Aviv, a maquiadora Vanessa Rozan, que já viajou o globo a trabalho, teve agradáveis surpresas. "A Shenkin Street tem lojas e brechós maravilhosos", diz. Índia e África do Sul têm mostrado ideias criativas ano a ano.

Esteja onde você estiver, a dica para realizar boas compras é ficar de olhos abertos para o estilo das pessoas. Como já disse Saint Laurent, é nas ruas que está a parte mais interessante da moda. Para incrementar seus looks com o melhor de cada destino, selecionamos lojas, brechós, galerias e ruas descoladas. Um guia de compras diferente do que você está acostumado a ver por aí.

Estilo para inglês ver

A capital inglesa é reduto de estilistas locais, fiéis à cidade e que não exportam. Passeie pela Carnaby Street: passe na Howies (howies.co.uk) para produtos sustentáveis, na Irregular Choice (irregularchoice.com) para sapatos e na Pretty Green (prettygreen.com) para roupas masculinas.

Em Londres fica uma das lojas mais baratas da Europa, a Primark (primark.co.uk). No fim de semana, você pode ir ao Camden Market (camdenlock.net), ideal para os estilos rocker e punk. Os brechós What Goes Around Comes Around, Lost ?N? Found e Thea Vintage são especializados em moda dos anos 50. (RR)

Respirando moda


Em Milão, você vai sentir de cara como o povo italiano respira moda. É claro que vale a visita ao chiquérrimo Triangolo D?Oro, entre as Via Alessandro Manzoni, Montenapoleone e Senato. Mas, para comprar, vá à Piazza 24 Maggio, que tem lojas de segunda mão - os brechós estão repletos de marcas como Prada, Gucci e Dolce & Gabbana das décadas de 40 a 60. Vá ao Humana Vintage (humanaitalia. org), Franco Jacassi (vintage delirium.com) ou procure peças de festa na Cavalli e Nastri (Via De Amicis, 9).

No último domingo de cada mês, a feira ao ar livre Naviglio (navigliogrande.mi.it) tem antiguidades, brinquedos, livros e peças de designers locais. Mas a loja mais imperdível da cidade é a Coin (coin.it): acessórios, moda feminina, masculina, para crianças, para casa, tudo tipicamente italiano e superelegante.