09 de julho de 2026
Ser

Estação inspira orquidário em casa


| Tempo de leitura: 3 min

A primavera começou anteontem e, com ela, a disposição em apreciar e, quem sabe, até cultivar flores. Sempre cotada como boa sugestão de presente, a orquídea tem a seu favor a singularidade de florir apenas uma vez ao ano, o que fascina os colecionadores e, ao mesmo tempo, transforma seu cultivo em um mito.

Para enterrar a ideia de que é impossível cuidar de uma em casa, aproveite as dicas de orquidófilas para que sua planta floresça por várias estações.

O início tem lá suas complicações até para quem acaba virando especialista, como Kátia Almeida, orquidófila do Orquidário Morumby. Ela já teve mil plantas em casa; hoje, cultiva cerca de 500. "No começo, você gosta de tudo, quer ter todas as espécies e acredita que tudo vai dar certo. Vira uma orquidoida", brinca.

Ricas em diversidade de formas e cores, as orquídeas representam um campo vasto para quem quer se dedicar a elas, como fez Lúcia Morimoto, presidente da Associação Orquidófila de São Paulo (AOSP). "Sou geógrafa e em 1996 resolvi estudar a produção de orquídea em laboratório no Japão", conta.

A ideia era cultivar em quantidade suficiente para vender - o que Lúcia faz até hoje, em sua grande estufa em São Lourenço da Serra, na Grande São Paulo. Mas ela acabou se rendendo à riqueza de detalhes das variadas espécies e, agora, além de empresária do setor, é uma apaixonada e profunda conhecedora, com uma coleção de 3 mil plantas.

Com 220 grupos registrados, a Coordenadoria das Associações dos Orquidófilos do Brasil (CAOB) reúne associados do País inteiro que trocam experiências sobre o cultivo. Uma delas é lembrada por Kátia: uma ideia simples para quem não sabe cuidar, não tem tempo ou simplesmente não quer se dedicar muito às orquídeas é afixar a planta em uma árvore - habitat original da maioria das espécies.

A colecionadora Sandra Riberi usou esse conceito, que se adaptou bem à falta de espaço na casa onde mora. "Tinha um pé de xaxim vivo em meu quintal e resolvi colocar a orquídea nele. Hoje tenho muitas mudas, que foram sendo afixadas ali e também proliferaram, como na natureza", conta.

A solução simples dada por Sandra virou atração para suas visitas. "Tenho amigos que se encantam todas as vezes que vêm até minha casa e quando chegam já vão para o quintal ver quais orquídeas estão floridas."

Quem não tem um quintal com árvore pode optar por prateleiras ou colocá-las em cascata - com ganchos e arames, pendura-se uma planta em cima da outra, com a mais pesada no topo, formando uma torre. Saída que a orquidófila Kátia usou em sua casa.

Independentemente do espaço onde a planta vai ficar, seja no quintal, na sala ou mesmo na área de serviço, o importante é ficar atento às condições de umidade, temperatura e luminosidade. "É preciso conhecer o microclima ideal para aquela espécie para tentar reproduzi-lo em casa", explica Lúcia.


Encanto exótico

Há espécies bem diferentes das mais conhecidas, espalmadas de flor única nas cores branca, rosa ou roxa. Sorte delas. O lema de alguns orquidófilos é "quanto mais estranho, melhor", que vai ganhando força com o passar do tempo de cultivo. "Quando comecei, era encantada pela Laelia, facilmente encontrada. Hoje gosto mais da Bulbophyllum medusae, espécie exótica e mais difícil de cuidar", diz Kátia.

Além dos tipos nativos, sobram opções de espécies híbridas. E agora, com novas tecnologias de cultivo, surge espaço também para experimentações como as miniaturas, interessantes para lugares pequenos, e até novidades como a orquídea azul, chamada de Blue Mystique - em São Paulo, disponível no Shopping Garden. A planta recebe uma tinta especial no caule, que não prejudica seu desenvolvimento, e a próxima floração será na cor branca original.