A ministra boliviana da Defesa pediu demissão nesta segunda-feira (26) em protesto contra a repressão policial a manifestantes que são contra uma rodovia.
Indígenas bolivianos marcham há mais de um mês pelo interior do país num protesto contra a construção de uma estrada de 300 quilômetros que atravessará a Amazônia.
Na noite deste domingo (25), a polícia os atacou com gás lacrimogêneo. O ato foi criticado por políticos de oposição, pelo ouvidor do Estado e por vários membros do governo, inclusive a ministra da Defesa, Cecilia Chacón. "Não é assim! Concordamos em fazer as coisas de um jeito diferente", escreveu Cecilia na sua carta de renúncia, que foi publicada na imprensa local.
Já o ministro das Comunicações, Iván Canelas, disse que a polícia não teve escolha. "Esta marcha foi dissolvida porque havia se tornado fonte de violência", afirmou.
Evo Morales, primeiro presidente indígena da história boliviana, enfrenta a resistência de grupos nativos minoritários ao projeto da rodovia, que segundo ele melhorará a infraestrutura do país. A obra, de 420 milhões de dólares, será financiada em grande parte pelo Brasil.
A resistência indígena ao projeto põe em xeque o compromisso de Morales com a preservação ambiental, e expõe as divergências dentro do partido dele, o Movimento ao Socialismo.