11 de julho de 2026
Esportes

Em Bauru hoje, Bernardinho descarta a sua aposentadoria

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 7 min

Rudy Trindade/News Free/AE

“Não tenho nenhum plano definido quanto ao meu futuro na seleção”

Um dos maiores nomes do esporte brasileiro, o técnico da seleção masculina de vôlei, Bernardinho, visita Bauru hoje para inaugurar mais uma filial de sua escola (EVB), a primeira no Estado de São Paulo. Em entrevista ao JC, ontem, o treinador comentou sobre a implantação do sistema que visa revelar novos talentos e formar cidadãos e, ainda, rebateu pela primeira vez o que chamou de “notícias plantadas” sobre uma possível aposentadoria da Seleção após as Olimpíadas de Londres.

Com inauguração marcada para as 15h na Escola de Educação Infantil Cisne Real, a Escola de Vôlei Bernardinho atenderá crianças de 7 a 13 anos, que poderão desfrutar do método desenvolvido pela equipe do treinador campeão. “Temos um projeto antigo com a Unilever (empresa multinacional) para disseminar o minivoleibol em comunidades carentes, começando no Paraná. Foi então que vimos, em princípio no Rio de Janeiro, que muitos jovens tinham interesse em ingressar no voleibol mas não tinham oportunidade. Foi então que criamos a EVB e agora estamos com projeto para expandir essa ideia para o Brasil com sócios locais através de franquias”, explica o técnico.

Desenvolvido pela EVB, o minivôlei reúne crianças de várias idades em quadras de 3,5 metros por 7 metros usando bolas de vôlei menores e mais leves. “Com o minivoleibol estamos desenvolvendo no Brasil o que já existia internacionalmente, na Itália e no Japão, mas com adaptações às nossas necessidades. O minivôlei é um redimensionamento para que a criança tenha sucesso. Com a bola muito pesada e as redes muito altas, o jovem não consegue ter sucesso nos fundamentos. Redimensionando isso, damos motivação à eles e proporcionamos que um menino de 7 ou 8 anos que não consegue realizar as atividades não perca o estímulo”.

 

Celeiro de craques


A iniciativa de Bernardinho revela o interesse do treinador em investir na multiplicação de campeões. Os planos do técnico são ousados quando o assunto é formar novos craques: a expectativa é que sejam criadas em todo o Brasil 400 escolas de vôlei como a inaugurada em Bauru.

Por isso mesmo, um dos grandes nomes do vôlei brasileiro, o ex-jogador Max Jeferson Pereira foi citado pelo técnico da seleção. “Bauru é uma cidade que tem tradição no basquete e já teve tradição no voleibol. Nossa intenção é formar futuros atletas, queremos revelar novos Max”. Bauruense, Max  foi o melhor jogador do Brasil em 1995 e 1996 atuando pelo Suzano e, ainda, disputou os Jogos Olímpicos de Atlanta-1996 e de Sidney-2000. Hoje o ex-jogador desenvolve trabalho com jovens na cidade e, assim como Bernardinho, busca a popularização do esporte.

 

Escolinha em Bauru é 1ª no Estado

A Escola de Vôlei Bernardinho (EVB) inaugura sua primeira franquia no Estado, hoje, em Bauru. O evento de lançamento da unidade será às 15h e contará com a presença ilustre do técnico da seleção masculina brasileira de vôlei, Bernardo Rezende, o Bernardinho. O centro de excelência para a prática do minivôlei voltado para crianças de 7 a 13 anos será montado na Escola de Educação Infantil Cisne Real - localizada na rua Saint Martin, 25-58. Esta é a oitava unidade franqueada da rede, que iniciou seu plano de expansão através do modelo de franquias este ano.

A Escola de Vôlei Bernardinho poderá atender até 300 crianças e as aulas serão realizadas de segunda a sexta após as 18h e sábado no período da manhã. “Nesses horários vamos atender crianças de qualquer escola, e não necessariamente matriculados no Cisne Real. Além disso, com horários diferenciados (pela tarde), os alunos da Jump!-Cisne Real também estarão incluídos das aulas da EVB”, comenta William Bornia Jacob, mantenedor da escola.

Atualmente, a EVB possui seis unidades no Rio, sendo uma delas no clube Hebraica, onde funciona o escritório e uma unidade-escola com mais de 400 alunos. Há, ainda, filiais em Brasília e em Goiânia. Desde a abertura (2007), a Escola de Vôlei Bernardinho registrou mais de 1.500 matrículas de jovens interessados na prática do vôlei.

A EVB atua ensino do voleibol através de uma metodologia específica, o minivôlei, para crianças entre 7 e 16 anos de idade. As quadras são de tamanhos reduzidos, com bolas menores e mais macias e redes adequadas à altura das crianças possibilitando maior interatividade, condição de sucesso, situação de jogo e contato com a bola. Associado à metodologia são acrescentados valores e ideais essenciais para a formação e educação de um cidadão, como disciplina, superação, cooperação e responsabilidade.

 “É fantástico para Bauru contar com uma marca com tanta credibilidade. Bernardinho é uma referência para a sociedade brasileira como um todo. Sua escola de vôlei trará ensinamentos de companheirismo, trabalho, honestidade, esporte e entretenimento que são conceitos que também aplicamos em nosso dia a dia escolar. A escola de vôlei vem para somar a este aprendizado” explica Jacob.

 

Restrito

A inauguração da EVB não será aberta ao público e Bernardinho também não ministrará nenhuma palestra durante o evento. “Lamentamos que o técnico não possa permanecer muito tempo no evento hoje, pois ele está com uma agenda de compromissos muito extensa e apertada atualmente para cumprir. Ele fará a coletiva de imprensa e a inauguração e logo terá de retornar ao Rio de Janeiro novamente, não tendo tempo para proferir uma palestra, por exemplo. No entanto, não faltará oportunidade para isso, pois nossa ideia é promovermos futuramente eventos do gênero com o Bernardinho”, destaca William Jacob.

 

‘Expectativa do torcedor é um pouco ilusória’

Em relação a seu trabalho à frente da seleção masculina, Bernardinho revelou ao JC o incômodo pela derrota para a Rússia na final da Liga Mundial de Vôlei desse ano. “O que faltou para batermos a Rússia? Faltaram 3 pontos. Essa obrigação permanente, a questão de sermos taxados como seleção imbatível, estando em todas as finais e liderando o ranking, acaba criando essa cobrança. Mas é normal essa disputa em competições de alto nível. Não há nada de anormal. É claro que incomoda, mas sabemos que podemos melhorar. Criaram uma certa expectativa que é um pouco ilusória na minha opinião”.

Recentemente, o Brasil garantiu o ítulo do Sul-Americano e vaga na Copa do Mundo, em novembro, no Japão. Lá, os três primeiros colocados estarão classificados para os Jogos Olímpicos de Londres-2012. “Tecnicamente temos que melhorar o contra-ataque e o saque. Talvez esses dois pontos tenham sido nossas dificuldades.”

 

Especulação de saída gerou inconvenientes, diz técnico

Há mais de 17 anos no comando do vôlei brasileiro (sete na seleção feminina e dez completos com a masculina), Bernardinho criou uma identidade com o esporte nacional e se tornou ícone da modalidade no “país do futebol”. Campeão nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 e medalha de prata em Pequim-2008, o time comandado por ele é uma das principais esperanças brasileiras em Londres-2012.

Porém, a menos de um ano dos Jogos na Inglaterra, notícias “plantadas”, segundo o próprio treinador, acabam comprometendo o trabalho do selecionado brasileiro. Em artigo publicado no dia 10 de setembro, Lauro Jardim, que escreve na coluna Radar On-Line da Revista Veja, afirma que “Bernardinho tem se revelado desanimado”. Com o título “Baixou o desânimo”, a coluna afirmou que o treinador estaria disposto a entregar o cargo após a disputa em Londres. O texto ainda chama Bernardinho de “obsessivo” e afirma que ele “já não consegue mais mobilizar os medalhões do vôlei a fazer os sacrifícios necessários para continuar vencendo”.

Ontem, em entrevista ao JC, Bernardinho rebateu pela primeira vez a publicação. “Foi bom você ter tocado nesse assunto, pois ainda não tive oportunidade de falar sobre isso. Aquilo foi uma nota plantada por alguém sem fundamento. Não fui ouvido sobre o assunto e mandei uma resposta que não foi publicada”, diz. O treinador ainda questionou o fato da publicação influenciar seu trabalho no comando do time. “Isso gerou um inconveniente, e colocou em cima dos jogadores uma responsabilidade que não existe, questionando a motivação. Não há nada disso, e continuamos motivados e treinando duro”.

Sobre seu futuro, Bernardinho garante que não pensa em deixar o comando brasileiro. “Sei que existem muitos bons treinadores no Brasil, mas ainda não tenho nenhum plano definido quanto a isso. Mas é aquela história: não acredite em tudo que você lê. Faz parte do jogo”, conclui.