08 de julho de 2026
Bairros

Projeto da PM leva paz à Pousada

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 5 min

Famílias inteiras, crianças correndo, brincando na cama elástica, comendo algodão doce e bebendo refrigerante. Esse era o clima na manhã de ontem no bairro Pousada da Esperança II, com o desenvolvimento das atividades previstas no projeto Revitalizar, da Polícia Militar. A reunião entre a PM, representantes de órgãos públicos e a população do bairro foi no cruzamento das ruas Ramiro Vieira e Maurício Pereira Lima. Desde a última terça-feira, é desenvolvida no bairro a quarta edição do projeto Revitalizar, que já esteve no centro da cidade (Feira do Rolo), Fazenda São Manuel e nos bairros Jardim Europa, Jardim América e Parque das Nações ao mesmo tempo.

Diferentemente da última ocupação, ocorrida no Jardim Europa, em junho desse ano, quando houve conflito e manifestação da população contra a presença dos policiais na região, o clima era pacífico e de comemoração.

Moradora há 30 anos no bairro, Luciana Fernandes Padilha, 34 anos, afirmou que a iniciativa da polícia aumenta a segurança dos moradores. “É bom para as pessoas porque pode diminuir o tráfico, que é muito frequente”, afirmou. A moradora contou que já morou fora de Bauru e em outros bairros, mas sempre volta para o Pousada.

Janaína Carneiro, 37 anos, é casada, tem cinco filhos e estava com os três netos participando do Projeto Revitalizar. Há mais de 20 anos mora na região, e diz que o bairro é um local muito bom para criar as crianças, mas que o projeto da PM dá ainda mais segurança para os moradores. “As crianças vão para a escola e a gente fica mais tranquila, então acho ótimo”, opinou.

 


Serviços diversos


Desde terça-feira, a Polícia Militar está com grande efetivo de policiais percorrendo o bairro e na manhã de ontem disponibilizou para a população atendimentos, serviços e orientações durante o dia, até por volta das 22h. Hoje, a PM conclui a ocupação, segundo explicou o Capitão Fabiano Serpa. Participaram em parceria órgãos como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Poupatempo, Defensoria Pública, Promotoria de Infância e Juventude, Conselho Tutelar, Sesi e as Secretarias Municipais de Bem Estar Social (Sebes), Esportes e Lazer (Semel) e Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Empresas privadas também participaram com a oferta de atendimentos diversos.

“O projeto visa proporcionar inclusão social da comunidade, aumentar policiamento e a sensação de segurança dos moradores, e ainda aproximar comunidade e população”, afirmou Serpa.

O morador Douglas Ribeiro, 25 anos, mora a 12 anos no bairro e diz que já teve sua casa furtada duas vezes. Com a ocupação da polícia, espera que o crime não volte a ocorrer. “A unidade da polícia vai trazer segurança. Eu me sinto mais seguro, e eu espero que não ocorram mais furtos na minha casa e que o bairro fique melhor para toda a comunidade”.

 


Sem ocorrências


Apesar da presença de policiais, principalmente da 4ª Companhia que atende o bairro, nenhuma ocorrência grave foi registrada na região até ontem à tarde. Isso ocorre devido ao baixo índice de criminalidade do bairro, segundo explicou o Comandante do 4º BPM-I, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, e a outras características próprias do bairro.

“A diferença é que aqui não há tensão criminal, o que se tem é uma sensação de insegurança em alguns pontos, porque existem traficantes que estavam querendo colocar ‘canga’ na comunidade e passar a exigir coisas. O local tem índice criminal muito baixo, mas algumas ações criminosas como furto e roubo elevam a sensação de insegurança da população. Fazendo uma ação como essa, o policial passa a interagir com a comunidade e ter mais informações. As pessoas começam a conhecer quem são os policiais que trabalham no bairro e essa é a verdadeira situação da Polícia Comunitária, o policial ser visto e lembrado”, explicou Garcia.

A reação negativa da população do Jardim Europa ao projeto não era esperada por parte da comunidade do Pousada da Esperança, afirmou Garcia. “Protesto havia uma situação de pontos (do bairro) tomados pelo tráfico, tanto que naquela ocasião, a operação foi chamada de ‘tomada de ponto’. Aqui não teve, foi uma ocupação pacífica. Lá foram dois dias anteriores à operação com várias prisões para deixar na tensão o traficante, que reagiu e forçou a comunidade a atuar contra a polícia militar. Aqui a situação é muito tranquila, mas em alguns pontos têm pessoas ameaçadas pelo traficante local. Então vamos identificar esses traficantes e em conjunto com a Polícia Civil e Polícia Federal para ver se o tamanho do tráfico requer a ação dessas polícia, além do trabalho da PM”, garantiu Garcia.

O próximo Projeto Revitalizar será realizado no início do ano que vem, no Jardim Nicéia, que de acordo com o comandante Garcia, tem as mesmas características do Pousada II.

Ainda esse ano, a PM desenvolverá no bairro Ferradura Mirim, no próximo dia 15 de outubro uma festa em homenagem ao Dia das Crianças. 

 

Protesto em edição anterior

A ocupação feita pela Polícia Militar, através do projeto Revitalizar, gerou protesto e revolta por parte dos moradores da favela do Jardim Europa, em junho desse ano. Nas favelas do Jardim Europa e Parque das Nações seriam desenvolvidas as mesmas atividades, mas moradores acusaram policiais militares de agressão. Segundo moradores, a confusão teria começado por causa da eliminação de um “gato” (ligação irregular) de um ponto de luz para a instalação de postes que faziam parte da estrutura do evento. Por causa disso, várias famílias ficaram sem energia, o que gerou reclamações no bairro. O estopim do desentendimento entre comunidade e a PM foi o incêndio em uma casa, provavelmente provocado por acidente devido a uma vela que teria caído no chão do imóvel.

Na época, o comando do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), afirmou que o conflito entre os moradores e policiais seria investigado e que todos os envolvidos seriam ouvidos.

 

Agressor

A única prisão relacionada à ação de ontem foi feita no bairro Ferradura Mirim. Um suspeito de agressão a um aluno em frente ao Campus da Unesp, no dia anterior. O Comandante do 4º BPM-I, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, explicou que a prisão ocorreu depois que policiais militares concentrados no bairro receberam a descrição do agressor passada pela vítima, identificaram e prenderam o suspeito.