09 de julho de 2026
Geral

Maternidade faz ?ação de guerra? na UTI

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Depois de anunciada pelo Estado para os finais de agosto e de setembro, a transferência do comando gestor da Maternidade Santa Isabel à Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) ainda não ocorreu (leia mais abaixo). Enquanto a nova gestão não assume, a instituição se vira como pode. Nesta semana, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal ficou lotada e foi preciso montar uma verdadeira "operação de guerra" para não deixar de atender.

O problema, segundo o diretor clínico da maternidade, Rodolfo José Celeste, é recorrente. Ele explica que, por falta de UTIs Neonatal no Estado, a Santa Isabel funciona como um "gargalo" para essa carência.

"A Santa Isabel possui estrutura para atender Bauru e região. Porém, a central reguladora de vagas do Estado manda gente de diversos outros lugares. Além de Bauru e de outros municípios da região, vem gente até de perto de Campinas", reclama.

No começo desta semana, o problema ficou evidente. Segundo o diretor clínico da maternidade, na última segunda-feira, com todos os nove leitos da UTI já ocupados, quatro bebês prematuros nasceram.

Foi aí que começou a verdadeira "operação de guerra" para que os bebês não ficassem sem atendimento. Segundo Rodolfo Celeste, foi preciso recorrer a outras instituições.

Leitos aquecidos e respiradores foram emprestados do Hospital Estadual (HE). Entretanto, como o número de bebês era grande, por falta de espaço e de capacidade para instalar outro leito, uma das crianças que acabara de nascer precisou ser transferida para Santa Cruz do Rio Pardo.

Problema resolvido? Não. Para realizar o transporte, a maternidade precisou alugar uma ambulância. Segundo a assessoria de comunicação, a Santa Isabel conta atualmente com quatro viaturas, entretanto, alega que a locação para transferir o bebê foi realmente necessária.

Segundo o que a reportagem apurou, em algumas situações, já foi preciso improvisar a UTI do Hospital de Base (HB) para internar recém-nascidos prematuros.


Retardar o parto

Nesta situação mais recente, para conseguir o empréstimo dos aparelhos e a locação da ambulância, a situação demandou tempo. O diretor clínico da maternidade, Rodolfo José Celeste, explica que, por isso, foi preciso retardar o parto das quatro mulheres grávidas.

"Esses partos foram feitos de madrugada. Precisávamos esperar que os equipamentos emprestados estivessem instalados e, no caso do bebê transferido, que a ambulância já estivesse aqui para realizar as cesáreas", afirma.

Ele explica que realmente existe um risco nessa estratégia, porém, afirma que era a única alternativa. "No útero, o bebê está em uma situação crítica, mas está recebendo alimento e oxigênio pelo cordão. O mais perigoso é quando isso é feito por um período maior. Realmente não tem como saber que hora ele pode entrar em falência. Porém, se retirarmos ele sem um respirador instalado, por exemplo, não vai sobreviver", explica o médico.

Apesar da expectativa de que a Famesp assuma a Santa Isabel, o problema na UTI neonatal não deve ser solucionado tão fácil. A Divisão Regional de Saúde (DRS-6) informou que, caso a gestão realmente vá para a Fundação, o novo projeto prevê dez leitos para a unidade, ou seja, apenas um a mais do que os atuais.

"O problema não é nossa estrutura. Mas sim a demanda regional e do restante do Estado que recebemos. Funcionamos como o ?gargalo? desse problema", aponta o diretor clínico da maternidade, Rodolfo José Celeste, completando que, da última vez que consultou o número de vagas esta semana, a UTI neonatal estava novamente lotada.

Bebê morto


Mesmo com a "operação de guerra" montada, um dos recém-nascidos não resistiu e morreu na Maternidade Santa Isabel. Segundo a assessoria de comunicação da instituição, a criança - cujo nome não foi revelado - estava internada há apenas alguns dias, porém, seu quadro era bastante grave.

O diretor clínico da maternidade, Rodolfo José Celeste, afirma que a morte, que ocorreu na noite de anteontem, não teve qualquer relação com as dificuldades enfrentadas. "O bebê que nasce prematuro já tem um patologia. Existem casos desfavoráveis que, mesmo com a melhor estrutura existente, não conseguimos tratar", explica o médico.

A mãe do bebê já havia recebido alta e não foi encontrada pelos funcionários do hospital. Por isso, foi preciso acionar a Polícia Militar (PM). Ontem, os familiares foram localizados e compareceram na maternidade. A assessoria de comunicação da Santa Isabel afirma que "foi uma morte natural, fruto de uma gravidez de alto risco".

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Famesp deve assumir no
final do mês de outubro


Fim de outubro. Essa é a nova data para que a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) assuma de vez a Maternidade Santa Isabel. O processo foi previsto pelo Estado para agosto e depois setembro, porém, não aconteceu em quaisquer desses prazos.

Agora, parece que a transferência de gestão, que atualmente é da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), vai realmente ocorrer. Segundo a Divisão Regional de Saúde (DRS-6), o projeto para que a unidade seja encampada já está pronto e foi, inclusive, autorizado pela Secretaria do Estado de Saúde.

Na próxima semana, deve ser publicado no Diário Oficial o chamamento público. Se, em cinco dias, nenhuma outra instituição aparecer para pleitear a gestão, o "martelo" será finalmente batido.

De acordo com a diretora da DRS-6, Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, caso tudo se encaminhe dessa forma, a Famesp deve assumir a Santa Isabel até o fim de outubro. "O projeto, que ficou pronto há cerca de 15 dias e foi feito em quatro meses, contempla tudo. Ele projeta o que seria uma maternidade ideal, com 45 leitos", explica.

O presidente da Famesp, Pasqual Barretti, é mais cauteloso. Para ele, "até o fim do ano, a Fundação deve assumir a maternidade". Ele explica que, após assumir, a gestão se concentrará em dois momentos.

"O primeiro é fazer algumas adequações na instalação já existente para continuar o atendimento. Depois, iremos construir uma nova unidade ao lado do Hospital Estadual (HE)", aponta Barretti, afirmando que essa construção está prevista somente para o final do ano que vem ou o início de 2013.

Os valores do projeto que envolvem a mudança da gestão não foram revelados. Segundo a diretora da DRS-6, Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, ainda há alguns esforços para diminuir as cifras.