Com o argumento que esgotou as negociações diretas com a representação dos trabalhadores, a direção dos Correios decidiu buscar judicialmente uma medida para acabar com a greve dos funcionários da empresa - iniciada no dia 13 - apelando para uma conciliação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Já a greve dos bancários na região de Bauru tem adesão considerada significativa pelo Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/Conlutas que aponta, no mais atualizado levantamento, 1.338 bancários parados, o que corresponde a 80% do número total de funcionários nas 57 agências da cidade. Ainda conforme o dados divulgados, ao todo, 35 agências de bancos públicos e privados seguem atendendo apenas em casos considerados de urgência.
Quanto a perspectiva de fim de greve, o diretor do sindicato Paulo Tonon afirmou, ontem, que se começará a semana com os bancários parados, período em que as agências são procuradas por pensionistas da Previdência Social e trabalhadores que recebem salários e efetuam pagamentos.
O JC tentou contato ontem como o presidente do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de Bauru e Região (Sindecteb), José Aparecido Gimenes Gândara para contrapor o posicionamento em relação à direção dos Correios, mas não obteve retorno por telefone. Anteontem, Gândara confirmou a manutenção da paralisação dos funcionários que ainda aguardam nova proposta da empresa. "Continuamos a greve pois até agora não fomos atendidos. O que existe agora é uma movimentação política em Brasília. Mas é preciso sair desse impasse e encontrar logo uma solução. A greve é o último artifício do trabalhador e não podemos ser tratados como em tempos de Ditadura, onde não havia conversa ou diálogo", critica.
Para a direção da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), a greve iniciada na última terça-feira entrou no quarto dia de paralisação do atendimento com êxito e projeção de maior mobilização da categoria em todo o País. O balanço da Confederação aponta para a paralisação de 7.865 agências e centros administrativos de bancos públicos e privados, em 25 estados e no Distrito Federal, até o início da noite de ontem. A Contraf-CUT admitiu que Roraima não havia aderido ao movimento de greve, porém também neste estado a paralisação era prometida para iniciar nesta segunda-feira.
De acordo com a Confederação, o dia de ontem foi marcado por passeatas e manifestações dos bancários e os funcionários dos Correios.
A greve dos bancários foi iniciada após uma negativa da categoria a uma proposta de reajuste de 8% sobre salários. A Contraf-CUT diz que os trabalhadores desejam aumento salarial de 12,8%, em que 5% é relativo a aumento real nos salários. Reivindica-se a valorização do piso, aumento na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) entre outras reivindicações.
Correios
Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a direção dos Correios avalia que, recorrendo ao TST, a empresa e os trabalhadores terão, novamente, mais uma oportunidade de finalizar um acordo, em audiência de conciliação, com a mediação judicial. A direção garante que manteve o espaço de negociação desde o início deste ano.
A reportagem do JC esteve novamente nas agências bancárias da cidade e voltou a ouvir os clientes, em sua maioria, insatisfeitos com os transtornos da paralisação.
Juiz de Paz, José Carlos de Marco Casal, 77 anos, ex-funcionário do Banco Mercantil, desaprova a paralisação e considera o ato "inútil". "Em tempos onde tudo é mecanizado não tem mais um grande motivo para fazer uma greve nos mesmos moldes de antigamente. No meu tempo uma paralisação como esta era bacana, servia pra alguma coisa, já que todo o trabalho era feito à mão e dependia dos funcionários. Mas hoje não, pois eu mesmo posso sacar e fazer depósitos pela internet ou pelos caixas eletrônicos. Essa greve é arcaica há mais de 10 anos."
A indagação de Casal foi rebatida pelo Sindicato dos Bancários. "Com as novas tecnologias os banqueiros fizeram de seus clientes bancários. Você faz tudo sozinho pelo caixa eletrônico e pela internet e ainda tem de pagar taxas. Queremos de alguma forma fazer com que eles paguem a sociedade, no caso, trazendo empregos e dando boas condições a esses empregados", afirma o diretor do Sindicato, Marcos Lenharo.