Ex-integrantes da Secretaria das Administrações Regionais (Sear) foram ouvidos, ontem, pelo delegado da Polícia Federal (PF) de Bauru Murilo Almeida Gimenes. Ele apura em inquérito se há ou não prática de crime eleitoral por parte de Ricardo Oliveira (PTB), quando da atuação ligada à Secretaria municipal das Administrações Regionais (Sear). Seis das 10 testemunhas ouvidas durante o inquérito civil do Ministério Público depuseram e outras quatro foram convocadas para o dia 19 de outubro. Todas as testemunhas, até agora, disseram ter havido a prática do crime federal. Ricardo Oliveira, que também foi ouvido, nega as acusações.
O delegado Murilo Almeida Gimenes está à frente do caso, que chegou à PF através de denúncias de Gisele Moretti e Valdomiro Fonseca. A partir disso, o promotor de Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, autor da ação civil pública movida contra Oliveira por improbidade administrativa, encaminhou documentos sobre o caso à PF. "O inquérito vai apurar as denúncias apresentadas sob a ótica eleitoral. Em tese, Ricardo teria submetido funcionários a atuarem em sua campanha eleitoral e se filiarem ao seu partido político (PTB), sob pena de perderem seus cargos na secretaria", pontuou Gimenes.
Foram ouvidos na tarde de ontem Benedito Domingos da Silva, Vera Pascoalino, Delfino Del Rey e Aparecido Donizete Dornelas. Segundo o delegado, eles confirmaram que, quando tinham cargos na Sear, eram orientados a se filiar no PTB e fazer campanha durante o horário de trabalho, inclusive utilizando viaturas em ações que não seriam as adequadas para atividades da secretaria.
Rosemeire Maria Martins, Lúcia Zuccari, Hélio Anselmo e Ana Lúcia de Almeida Souza vão depor no dia 19 de outubro. Ricardo Oliveira foi candidato a deputado federal no ano passado, licenciando-se do comando da Sear em abril de 2010 até o final do processo eleitoral. O inquérito civil contra o ex-secretário apresenta denúncias e documentos fornecidos pelas próprias testemunhas indicando ações para a promoção de Oliveira ou do uso da máquina pública para favorecimento eleitoral.
De acordo com o delegado, Ricardo negou todas as acusações e entregou documentos de defesa já apresentados à Justiça. Oliveira não foi localizado pela reportagem para se manifestar sobre o andamento do inquérito na Polícia Federal.