Londres - A Universidade de São Paulo (USP) aparece pela primeira vez entre as 200 melhores universidades do mundo no ranking da Times Higher Education (THE), um dos mais respeitáveis internacionalmente. Após figurar em 232.º em 2010, está agora em 178.º.
É a única universidade da América Latina na elite do ensino superior mundial. A Unicamp perdeu posições. Em 2010, ocupava o 248.º lugar. Aparece agora no 286.º.
A THE não divulga a posição das universidades além do 200.º lugar, mas é possível conhecer a alteração da Unicamp por meio do aplicativo para Iphone do estudo. A americana Harvard, que liderava a lista desde sua criação, há oito anos, perdeu sua posição para o Instituto Tecnológico da Califórnia.
Segundo Phil Baty, responsável pelo ranking, a USP avançou principalmente no campo das pesquisas. "Há mais trabalhos publicados no exterior e a universidade foi capaz de atrair dinheiro para realizá-los. Além disso, melhorou sua reputação."
Sobre a Unicamp, Baty disse que ela manteve o nível de 2010, mas foi superada por outras porque aumentou a concorrência no pelotão que fica abaixo do 200.º lugar.
O ranking da THE é feito a partir de 13 critérios. São considerados a relação professor/aluno, percentual de doutores, internacionalização (número de professores e alunos estrangeiros), pesquisa (desenvolvimento de produtos e conhecimento) e citações.
"Para estar na elite é preciso produzir conhecimento relevante para o mundo. Não basta formar bons profissionais", afirma Baty.
O salto da USP tinha sido apontado em outros rankings, como Webometrics, Academic Ranking of World Universities (Xangai) e QS. Eles têm critérios diferentes, mas estar bem posicionado significa prestígio e mais facilidade na hora de obter financiamento e doações.
Os EUA continuam a dominar o ranking, com 75 universidades entre as 200 melhores - sete das dez primeiras. Em segundo lugar aparece o Reino Unido, com 32 entre as 200 e três entre as dez mais. Os emergentes Coreia do Sul e China aparecem, cada um, com três instituições na lista.
A Suíça é o primeiro país de língua não inglesa a aparecer no ranking, com o Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, em 15.º lugar. A língua ajuda a atrair professores e alunos de fora, na divulgação de trabalhos e no reconhecimento mundial.
Mas, o que mais uma vez fica claro é que dinheiro faz a diferença. As dez melhores são universidades ricas, que cobram mensalidade e recebem muita verba dos governos e da iniciativa privada para realizar pesquisas.