Estocolmo - Os meticulosos cadernos de laboratório do israelense Daniel Shechtman permitem datar com precisão a descoberta que acaba de render a ele o Prêmio Nobel em Química deste ano.
Foi na manhã de 8 de abril de 1982 que ele usou uma série de pontos de interrogação para marcar sua surpresa com o que estava vendo no microscópio: um cristal que não deveria existir. Para o comitê do Nobel, ele "modificou a concepção fundamental do que é um objeto sólido", mostrando que os átomos podem se organizar em estruturas de grande complexidade, que não se repetem. Por isso, embora o achado ainda tenha pouca aplicação prática, ele foi considerado digno do prêmio.
Para Nivaldo Speziali, presidente da Sociedade Brasileira de Cristalografia, o ganhador mostrou "que a periodicidade estrutural (a repetição regular das mesmas estruturas) não é necessária na definição de cristal."