09 de julho de 2026
Regional

Motivação de crime é um mistério

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú – Apesar da expectativa em torno do depoimento do advogado João Batista de Miranda Prado Neto, irmão do bancário aposentado Francisco Miranda de Almeida Prado, 59 anos, que, na noite do último dia 2, atirou nas irmãs Ana Carolina, de 66 anos, e Ana Cecília de Almeida Prado, de 60 anos, se matando em seguida com um disparo na cabeça, ele não acrescentou nenhum detalhe que pudesse levar a polícia a esclarecer qual foi a motivação do crime.

De acordo com o delegado titular do 1º Distrito Policial (DP) de Jaú (47 quilômetros de Bauru), Euclides Salviato Júnior, um ponto importante revelado pelo advogado, que derruba a tese de que as mortes tenham sido motivadas por divergências envolvendo partilha de herança, é o fato da família não possuir bens de valor em seu nome. “Eles dividiram os bens já há 15,16 anos quando o pai morreu”, diz. Além disso, segundo o delegado, os três irmãos recebiam aposentadorias.

Salviato Junior conta que João Batista descreveu os irmãos como pessoas calmas, tranquilas, que viviam em harmonia. No dia do crime, ele disse que chegou a telefonar para as irmãs, por volta das 16h30, para saber como elas estavam. “Pode até ter havido alguma discussão entre eles ali por questão de dinheiro, mas não era uma coisa que vinha acontecendo”, pontua. “Foi uma coisa de momento mesmo”.

O delegado relata que a mãe das vítimas, Ana Maria de Almeida Prado, 89 anos, que está sob efeito de medicamentos, já soube da morte dos filhos. “Eles contaram para ela. Ela não sabia que os filhos tinham morrido”, declara. Por conta do seu estado de saúde ainda bastaste delicado – ela estaria alternando momentos de lucidez com outros onde faz declarações sem sentido – ele descarta ouvi-la nos próximos dias.

A idosa, que teve alta da Santa Casa de Misericórdia da cidade na manhã do dia 4, após ser internada em estado de choque, contou para o filho João Batista que, no dia dos fatos, estava em um dos cômodos da casa, localizada na rua Paissadu, Centro da cidade, quando ouviu um forte barulho e foi verificar o que era. Ao encontrar os filhos caídos, ela retirou a arma da mão de Francisco, jogou atrás da geladeira e saiu em busca de ajuda.

O titular do 1º DP afirma não acreditar que Francisco tinha algum distúrbio psicológico. “Ele não era um alcoólatra, mas tinha épocas em que ele bebia, tinha época em que ele não bebia nada. Ele praticava esportes, gostava muito de viajar, morou muito tempo fora e, há um tempo, ele estava morando com a família, mas ele viajava muito, ficava às vezes uma, duas semanas fora, voltava”, explica. “Era uma pessoa ativa, não era deprimido. E não era uma pessoa que demonstrava ter algum problema que justificasse (os crimes)”.

De acordo com o delegado, após a conclusão dos laudos necroscópico, feito pelo Instituto Médico Legal (IML), e dos exames residuográfico, de balística e da perícia no local do crime, feitos pela Polícia Científica, ele deve finalizar o inquérito e remeter à Justiça.