Uma situação já relatada por diversas pessoas que sofrem com interrupção no fornecimento de água é a abertura das torneiras e, ao invés de água, o que se ouve é o zunido da saída do ar. O fenômeno da “ventania na torneira” voltou nos últimos dias com a paralisação do abastecimento, intensificando as reclamações. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru admitiu, ontem, que pode ocorrer a cobrança pela passagem do ar ao invés da água e se dispõe a rever o valor cobrado.
Questionado ontem pela reportagem do JC, a autarquia, por intermédio de sua assessoria de imprensa, definiu que o ar movimenta o hidrômetro como apontam os consumidores. “Sim, o ar movimenta o hidrômetro e possibilita algum registro. O DAE se dispõe a revisar as contas, caso o consumo registrado distoe da média habitual”, define a nota encaminhada ao JC ontem.
Portanto, para que o consumidor verifique o que de fato está pagando é preciso comparar a conta d’água do mês passado com a deste mês - que registrará a falta d’água dos últimos dias - para averiguar se houve uma oscilação de valores cobrados.
A autarquia ainda apresenta uma justificativa técnica para a ventania encanada: “A instalação de ventosas - respiro -, quer seja na rede pública ou junto ao cavalete, constitui o estabelecimento de ponto suscetível de contaminação, implicando em saúde pública, daí não ser adotada tal prática.”
O empresário Jurandir Sérgio Posca averigou que o hidrômetro em sua empresa dispara como se registrasse a passagem de d’água. De acordo com Posca, o fenômeno da “ventania na torneira” foi novamente constatado em sua firma durante a ocorrência de falta d’água nesta semana.
Porém, a dificuldade do consumidor é provar o quanto de ar seu hidrômetro registrou. Posca fez questão de registrar a movimentação dos ponteiros e captar o zunido em vídeo e, em contrapartida, a torneira seca.
“Já teve mês que a gente não usou nada e veio bastante na conta”, relata. Posca, que possui uma empresa de comunicação visual implantada no Distrito Industrial III, comenta que o valor da sua conta d’água varia entre R$ 80,00 e R$ 160,00. O empresário acrescenta que a aguá oferecida para o consumo de clientes e funcionários é adquirida em galões, portanto, não entra no consumo da conta do DAE.
Ele reclama do fato de estar pagando pelo consumo e abrir a torneira e sair ar.
Uma esperança
Quanto à torneira seca no Distrito Industrial III, Posca define que é um caso perdido. “Nem adianta ligar porque não resolve”, destaca o empresário. Ele comenta que há períodos do dia com falta d’água na empresa desde 2003, quando instalou seu negócio no DI.
Nas últimas semanas, Posca conta que o abastecimento é interrompido no período da manhã e retomado no meio da tarde. O empresário acrescenta que cansou de ouvir as mais variadas desculpas e cita as mais frequentes: é problema com a bomba em manutenção ou problema no poço.
O DAE, por intermédio de sua assessoria de imprensa, alega que só a entrada do novo poço do Nova Esperança possibilitará a diminuição de demanda por água do poço Distrito III, propiciando a melhoria do abastecimento (leia mais na página 5). Quando isso vai ocorrer dependerá do andamento de licitação do poço do Nova Esperança definiu o DAE.
Falta de água
O JC tem acompanhado o problema crônico da falta de água no município, que atinge bairros como o Bauru 16, Vila Dutra, Vila Cardia, Jardim Higienópolis, Beija-Flor, Altos da Cidade, Vila Souto, Parque Real, entre outros.
O quadro, que não tem previsão para melhorar tão cedo, é um misto da falta de estrutura e de investimentos do DAE no setor e, parcialmente, da estiagem. A autarquia constantemente aponta que a falta de chuvas é a causa a insuficiência do abastecimento. O fato é concreto, porém, para parte da cidade, pois a autarquia reconhece que faltam sete poços para o abastecimento adequado em Bauru.
Sinal de alerta
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Desde o último final de semana, os bauruenses sentiram o agravamento da paralisação do abastecimento com torneiras secas em diversos bairros. O DAE responsabilizou a estiagem, ainda que anteontem tenha chovido no início da noite. De acordo com a autarquia, se a falta de chuva se mantiver, o abastecimento poderá ser afetado com prejuízo da captação do rio Batalha.
“Se permanecer a estiagem, a partir de amanhã (hoje) diminuiremos a captação para evitar o total desabastecimento. O nível da lagoa de captação, hoje (ontem), é de 2,10m, a partir do qual inspira maiores cuidados”, ressalta a autarquia, em nota encaminhada à Redação.
O JC apontou, em matéria publicada na última terça-feira, que o manancial representa somente 40% de todo o abastecimento da cidade. A reportagem confirmou que a captação do Batalha estava prejudicada. Na normalidade, o nível do rio é de 2,60 metros. Na terça-feira, conforme o DAE, esse nível estava em 2,21 metros, ou seja, 39 centímetros abaixo do ideal. Ontem, o nível chegou a 50 centímetros abaixo do ideal para captação.