Agentes do Grupo de Apoio da Fundação Casa invadiram a unidade de semiliberdade da instituição em Bauru para conter um tumulto iniciado no final da tarde de anteontem. Conhecido como "Choquinho", o grupo especializado é uma espécie de tropa de choque, destacada para atuar em casos considerados extremos. A informação é de que um reeducando de 17 anos tenha insultado e empurrado um dos funcionários da Fundação.
Vindos de Iaras, cerca de 10 agentes foram acionados ao prédio, um sobrado localizado no Jardim Bela Vista, devido a uma discussão iniciada logo após o regresso dos reeducandos, que têm o direito de sair durante o dia para estudar e participar de oficinas de capacitação profissional. Não há confirmação sobre os motivos que levaram à briga, mas, conforme o JC apurou, o retorno dos 20 adolescentes que vivem na casa costuma ser tenso por não serem raras as tentativas de infiltração de drogas no local.
A assessoria de imprensa da Fundação Casa informou ainda que, já há alguns dias, funcionários vinham sido desacatados pelos reeducandos, sem também revelar as causas do clima agressivo instalado na unidade. No último sábado, conforme apurou o JC, um vidro de uma das janelas do sobrado teria sido quebrado por um dos adolescentes.
No final da tarde de anteontem, em uma nova confusão, um jovem de 17 anos teria insultado e empurrado um dos funcionários. A ocorrência foi confirmada pela assessoria de imprensa da instituição, que informou ainda que o mesmo reeducando já havia sido advertido outras vezes por apresentar indisciplina na unidade.
Por conta da agressão, o "Choquinho" foi acionado e conteve o adolescente, que foi encaminhado ao Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) da Delegacia da Infância e da Juventude (Diju). Na manhã de ontem, após decisão da Vara da Infância e Juventude, ele foi transferido para a unidade de internação - em regime fechado - da Fundação Casa em Bauru, instalada no Núcleo Geisel, onde deverá cumprir o restante da pena.
Definida como meio-termo entre a medida de internação e a medida de liberdade assistida, a unidade de semiliberdade de Bauru foi inaugurada há 4 anos e tem capacidade para atender até 20 adolescentes. Por determinação judicial, eles têm o compromisso de estudar, trabalhar e freqüentar cursos durante o dia, para então pernoitar no local.
Na casa, conforme informa a assessoria de imprensa da fundação, são ofertados serviços de assistência social, psicológica e pedagógica, além de três refeições diárias. O objetivo é favorecer a reinserção dos reeducandos na sociedade quando estes terminarem de cumprir as condenações na unidade.