09 de julho de 2026
Cultura

Testemunha ocular da história social


| Tempo de leitura: 6 min

Um testemunho apaixonado e uma visão privilegiada dos últimos 50 anos da movimentada vida social e do boom econômico de Bauru serão entregues hoje ao restrito acervo das obras que retratam a cidade, sua gente, os momentos marcantes e a rica diversidade de uma cosmopolita metrópole regional. O livro "Um País chamado Bauru" e seu autor, o jornalista Roberto Rufino, terão sobre si, logo mais à noite, no exótico Hangar do Aeroclube, os holofotes e flashes que ele lançou ao longo de décadas sobre milhares de fatos e pessoas que fazem e acontecem, como consagra o linguajar do mais clássico colunismo social. Hoje, ele e sua obra serão a notícia, em uma especial noite de autógrafos.

Roberto Rufino, em plena forma jornalística, também pode ser chamado de "o colunista" social. Sua coluna, "Destaques", de tão bem frequentada, lida e desejada, mantém-se firme e dinâmica em página nobre do JC.

O jornalista, que também atua no ramo imobiliário, realiza, com este primeiro livro, o sonho de imortalizar seu privilegiado testemunho ocular e revela intervenções surpreendentes, que poucos conhecem, nas inúmeras fases que marcaram meio século de vida social, glamour e transformações de uma Bauru que de sem limites, nos anos dourados, se tornou a cidade coração de São Paulo, nos tempos da globalização. O fio condutor e grande base factual da narrativa desta obra é seu trabalho de décadas como colunista social do Jornal da Cidade, onde começou logo na primeira edição, em 1 de agosto de 1967. Portanto, é parte indissociável dos 44 anos de vida deste matutino.

Ao longo das últimas cinco décadas, Rufino teve o privilégio de documentar e viver um tempo em que a vida social experimentou o auge em Bauru, nas décadas de 50 e 60, quando tínhamos 6 ou 7 clubes extremamente ativos, 5 cinemas, o footing da Batista e a Lalai como símbolo de uma época de forte atividade social, em uma cidade em transição de pequena para de médio porte, mas onde todos ainda se conheciam, o que propiciava o convívio mais intenso. Some-se a isso o fato de que o mundo eletrônico, ainda em gestação, no máximo levava a concorridas sessões de cinema, que também eram acontecimentos sociais. "Havia mais calor humano, mais festas e os riscos de estar na rua eram quase zero. Hoje...", narra um saudosista Rufino, uma época que ele descreve com riqueza de detalhes no "Um País chamado Bauru". A rica narrativa e testemunhos pessoais (serão 600 bauruenses ao longo de 220 páginas) começam nos tempos da Jovem Guarda e da Bossa Nova e seguem história adiante, como que acompanhando a evolução do progresso, as mudanças e a explosão da Bauru universitária e da prestação de serviços em quase todas as áreas, da cidade que não tem mais fronteiras nem elites sociais, uma cidade que ele ajudou a moldar.


JC - Como era Bauru quando você começou no colunismo social?

Rufino - A Batista de Carvalho era o palco do footing. As moças ficavam na calçada, indo e voltando, e os homens se postavam na rua, acompanhando esse vai-e-vem. E assim nasciam os flertes. Havia uma interação total, muito interessante. Foi com esse cenário que comecei no colunismo social. Depois a cidade cresceu, ganhou ares de metrópole e muita gente nem se conhece mais. A vida social é outra hoje.

JC - Você teve uma atividade jornalística anterior...

Rufino - Tinha uma revista semanal chamada "Sétima Arte", que circulava nos cinco cinemas existentes. Fazia junto com o Adilson Laranjeira, conhecido jornalista. Eu mesmo fazia a distribuição nos cinemas, pontos de encontro da juventude. O Adilson falava mais sobre cinema e eu sobre a cidade, numa coluna chamada "Respingando". Comecei a aparecer ali. Foi com base na "Sétima Arte" que o Nilson (Costa) me convidou, quando faltavam 30 dias para a inauguração do Jornal da Cidade, em julho de 1967.

JC - Se lembra de algum fato interessante da época do footing?

Rufino - Juca Chaves, no auge de sua carreira, veio dar um show aqui. Depois do espetáculo, empolgado com o footing, foi para a Batista. Lá, depois de subir e descer, foi até a Lalai, ficou encantado e acabou se encontrando com uma moça chamada Letícia Rojas, e logo a tomou como namorada e a levou para São Paulo. Ele fez até uma música para ela. Está no livro...

JC - A Batista era o local obrigatório...

Rufino - O Zé do Skinão, que na época trabalhava na Lalai, simbolizava bem aquele rico momento. Era um gentleman. Depois que jantávamos na Lalai, íamos tomar café no Juca Pato, numa grande integração... Sem brigas, sem violência nem nada ruim. Parecia que estávamos no quintal de casa... No livro, falo sobre isso... as moças bonitas da época... O Kharmanguia vermelho do médico Fauzer Banuth, com um moderno toca-fitas, que chamava a atenção de todo mundo. Todo cara que comprava um carro bonito, desfilava pela Batista ou parava ali...


JC - Quando o JC chegou em sua vida e você na dele, muita coisa mudou?

Rufino - Crescemos juntos, em todos os momentos estivemos juntos, nos bons e nos mais difíceis. Agradeço muito ao doutor Alcides Franciscato pela o-portunidade e por até hoje estar ao lado dele, não apenas no jornalismo, mas nas melhores jornadas de grande homem público que foi. Participei de todas as suas eleições, não como político, mas ajudando aquele que foi o grande prefeito e deputado federal e orgulho desta cidade. Agradeço ainda hoje a ele, também ao Érico Braga, à Sonia Franciscato, ao Renato Zaiden, que brilhantemente prefaciou meu livro, ao Amaral, ao Jabbour, a vocês da redação, pelo carinho e apoio nestes anos todos. Ao Nilson Costa, pelo convite e pelo trabalho de anos juntos enquanto ele esteve no jornal, e aos nossos fieis leitores, razão maior de nosso trabalho cotidiano, que vai seguir adiante, firme e forte.

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Com Juscelino Kubitschek


Desde que se descobriu por gente, ainda menino, Roberto Rufino, nascido em Duartina e de infância difícil, mostrou-se alguém predestinado a ser o agente maior de seu próprio destino. Prova maior disso foi a saga de trazer a Bauru, para uma singela formatura no Senac, ninguém mais ninguém menos do que Juscelino Kubitschek, que vivia dias de fama após a fundação de Brasília e um mandato festejado na Presidência da República. No livro, fica clara que a obstinação era inata ao empreendedor Rufino, que o levou ao Rio de Janeiro para garantir a vinda do ex-presidente quando todos duvidavam e o próprio presidente havia desistido. Foi o primeiro de outros feitos parecidos nas décadas seguintes. Em seu rol de gente famosa, o rei Roberto Carlos, o ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, o baiano Antonio Carlos Magalhães, entre outros.

Detalhe do dom da inovação que poucos conhecem nele: antes de ser convidado por Nilson Costa para ser colunista social do JC que nascia, Rufino editava a revista semanal "Sétima Arte", que enfocava a magia do cinema, da música e da vida jovem em um tempo de sonhos dourados. Leia mais acima a breve entrevista com uma pitada do que o futuro leitor de "Um País chamado Bauru" vai encontrar.

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Noite de Autógrafos


Do livro "Um País chamado Bauru", de Roberto Rufino.

Local - Hangar do Aeroclube.

Data - Hoje, às 20h.

Para convidados, autoridades e imprensa.

Iniciativa - Jornal da Cidade, Jalovi, É+Arte, SP Centro, Aeroclube. Serviços do Buffet Guimarães e do Skinão