09 de julho de 2026
Polícia

PF busca suspeitos de crimes tributários e lavagem de dinheiro

Por Tânia Morbi
Atualizado às 11h55<
|
b>
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.

Viatura da Polícia Federal de Bauru que cumpre mandados de busca e apreensão

Durante a manhã de ontem, agentes da Polícia Federal (PF) de Bauru cumpriram mandados de busca e apreensão em duas revendedoras de veículos importados da cidade, como parte da Operação Black Ops (leia mais abaixo e na página 26), que resultou na apreensão de uma Lamborghini Gallardo. As investigações começaram há dois anos para desmantelar uma organização criminosa transnacional responsável pela comercialização irregular de veículos, formada por integrantes da máfia israelense que também atuava no Brasil.

O objetivo é combater a importação irregular de carros de luxo, entre outras irregularidades. A ação realizada em Bauru foi acompanhada por agentes da Receita Federal de São Paulo.

No primeiro estabelecimento onde os agentes cumpriram mandado de busca, nenhuma irregularidade foi constatada durante a verificação, segundo apurou o Jornal da Cidade. 

Já no segundo endereço, na quadra 26 da rua Rio Branco, um veículo Lamborghini Gallardo foi retido sob suspeita de irregularidades no processo de importação. O carro foi encaminhado para o pátio da Receita Federal de Bauru. Em nenhum dos dois estabelecimentos foram apreendidos equipamentos de informática e ninguém foi preso.

Segundo explicou o delegado da Receita Federal em Bauru, Maurício Antônio Bento, as empresas de onde foram recolhidos os veículos no decorrer de toda a operação de ontem podem provar que são terceiros de boa fé, tendo negociado com outros proprietários que teriam cometido a irregularidade durante a importação.

Se comprovar a regularidade da situação, a empresa pode inclusive receber o automóvel de volta. “Mesmo que o veículo tenha entrado irregularmente no País, dependendo do tipo de documento que for juntado ao processo e da comprovação que for feita, a Justiça pode detectar que ele está em estado regular, que a empresa comprou de boa fé e, portanto, merece ficar com o bem. Pode ser que a gente tenha que devolver o carro, mas cabe à empresa provar”, disse ontem.

 

 

No País

Até o final da manhã de ontem, a Operação Black Ops recolheu 102 veículos em todos os estabelecimentos verificados no Brasil. Em todos os casos, segundo explicou o delegado da Receita Federal em Bauru, Maurício Antônio Bento, os carros ficam retidos pela Receita Federal enquanto a investigação vai apontar se eles entraram no País mediante irregularidades no processo de importação.

Por lei, apenas carros novos podem ser importados ou aqueles considerados antigos, com mais de 30 anos de fabricação.  Há ainda a possibilidade de importação por órgãos diplomáticos.

O delegado explicou que a operação de ontem recolheu veículos que supostamente teriam entrado no Brasil como sendo zero quilômetro, enquanto teriam saído de seu país de origem - quase todos vindos dos Estados Unidos - com atestado de usados.

“O veículo (recolhido em Bauru) está sob custódia da Receita Federal por determinação judicial, e está sujeito à comprovação de irregularidades. O mote da operação é de que esses veículos foram declarados como usados lá (no país de origem) e entraram no território nacional como novos. Esse é o foco do problema. Se isso se confirmar, eles estão sujeitos à apreensão e pena de perdimento”, explicou.

 

Investigação internacional foi iniciada há dois anos

A Agência Brasil divulgou ontem que as investigações da operação Black Ops, que contaram com apoio de agências de inteligência de Israel, da Inglaterra e dos Estados Unidos, foram iniciadas há dois anos. Tudo começou após a polícia identificar possíveis irregularidades nas atividades do israelense preso, apontado como responsável pelo esquema. O comando da ação ficou a cargo do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Valmir Lemos de Oliveira.

“Passamos a observar a movimentação dele e as investigações apontaram que ele mantinha ligações com grupos internacionais. O esquema basicamente consistia na importação de veículos, o que não é ilegal, mas deve ocorrer em casos excepcionais. Percebemos que esses veículos não atendiam às hipóteses legais para que pudessem ingressar no território nacional e aqui trafegar de forma normal”, explicou Oliveira.

A meta da operação era desarticular uma organização criminosa transnacional formada por integrantes da máfia israelense. No Brasil, a quadrilha atuava com a exploração de máquinas caça-níqueis , sonegação de impostos, entre outros crimes.

 

Bens bloqueados

A Operação Black Ops foi realizada pela Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal e mobilizou 150 servidores da Receita e 500 policiais federais, que cumpriram 22 mandados de prisão preventiva e 119 mandados de busca e apreensão, simultaneamente, em 14 Estados brasileiros e bloqueou bens estimados em R$ 50 milhões. Em todos os Estados foram verificadas revendedoras de veículos, comissárias de despacho aduaneiro e residências de pessoas supostamente envolvidas, além da apreensão de carros importados identificados como contrabandeados.

Ainda segundo a PF, a organização criminosa responsável pela comercialização irregular de veículos é transnacional, formada por integrantes da máfia israelense. Seus membros integram uma grande organização conhecida como “Abergil Family” (Clã Albergil), envolvida em esquemas ilícitos em diversos países.