08 de julho de 2026
Geral

Greve afeta reposição em caixa eletrônico

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 3 min

A paralisação dos bancários atingiu ontem índice recorde de 85% de adesão em Bauru, o maior registrado desde seu início, há exatos 15 dias. A informação é do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região. Com a grande adesão, problemas como a falta de dinheiro nos caixas eletrônicos de algumas agências começam a surgir e a gerar reclamações dos usuários.

De acordo com Paulo Tonon, diretor da entidade, apenas algumas agências do banco Bradesco funcionaram ontem na cidade. "À medida em que não há uma proposta dos banqueiros e do governo, a greve continua cada dia com mais adesões".

A suspensão dos atendimentos na "boca do caixa" acarreta transtornos para muitos clientes, principalmente os que não têm intimidade com a Internet e com os caixas disponíveis no setor de autoatendimento das agências.

Ontem pela manhã, alguns clientes não conseguiram realizar saques em terminais eletrônicos. De acordo com Tonon, a situação é encarada com normalidade, principalmente após um final de semana. "As agências estão com quatro ou cinco funcionários apenas para realizar os atendimentos de emergência e, como há uma demanda maior de saques no sábado e no domingo, o tempo para reposição também será maior".

Segundo o diretor do sindicato, a mesma dificuldade deve ocorrer na próxima quinta-feira, posterior ao feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida. "A intenção não é prejudicar o funcionamento do autoatendimento, mas infelizmente, o número reduzido de funcionários de qualquer forma vai prejudicar (os usuários). E na quinta-feira devemos ter o mesmo cenário desta segunda (ontem)".

Uma cliente que preferiu não se identificar relatou o ocorrido ontem pela manhã, por volta das 11h, quando acompanhada de sua mãe tentou sacar dinheiro de sua conta em uma agência do Banco do Brasil na rua Alberto Segalla.

"Quando você optava pelo saque aparecia uma mensagem na tela dizendo ?opção não disponível?. Ficamos um tempo por lá e nenhum funcionário apareceu. Só depois de todo mundo começar a reclamar, uma gerente da agência veio e nos falou que o serviço só estaria disponível depois do meio-dia".

A cliente ainda rebateu as justificativas do sindicato, e disse que o mesmo problema teria ocorrido na quinta-feira passada. "Essa história de que é segunda-feira e por isso não tem dinheiro é estratégia".


Expectativa


Ainda sem concordar com o reajuste de 8% proposto pelos banqueiros, funcionários das agências de todo o País aguardam uma nova posição do governo federal. "Acreditamos que com a chegada da presidenta Dilma (Rousseff) devemos ter novidades. Se amanhã (hoje) tivermos uma nova proposta, vamos levá-la para ser votada nas assembleias e, quem sabe, podemos entrar em acordo", comenta Tonon.

Balanço divulgado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) indica que, ontem, ficaram fechadas 9.090 agências e vários centros administrativos de bancos públicos e privados em todos os 26 Estados do País e no Distrito Federal. Hoje, uma nova assembléia avaliará o movimento.

Os bancários reivindicam reajuste de 12,8%, o que corresponde a 5% de aumento real mais a inflação do período. Além disso pedem valorização do piso salarial, maior Participação nos Lucros e Resultados da instituição (PLR), contratações, fim da rotatividade, fim das metas abusivas e melhoria no atendimento de clientes.

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Correios


Em greve desde o dia 13 de setembro, funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) aguardam julgamento do dissídio coletivo hoje no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

De acordo com José Aparecido Gimenes Gandara, presidente do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares de Bauru e Região (Sindecteb), a orientação do comando de greve da categoria é de não acatar nenhuma proposta que inclua o desconto dos dias parados.

"Com essa história da Dilma (presidenta) ser rigorosa com os grevistas, vamos ver como vai ser esse julgamento. Nesse País, sempre ficamos em dúvida", desabafa.