São Paulo - Convidado a dar explicações sobre uma oferta de propina que supostamente teria recebido de um prefeito, o secretário estadual de Meio Ambiente, Bruno Covas (PSDB), não compareceu à reunião do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo. Covas ofereceu suas explicações por carta.
No documento, voltou a afirmar que "falava em hipótese" ao relatar o oferecimento de R$ 5 mil por ter conseguido recursos para uma cidade.
"No dia 3 de agosto, concedi entrevista ao jornal ?O Estado de S. Paulo? e, ao ser indagado sobre corrupção, citei um evento que tenho usado nos últimos anos em palestras, encontros e conversas para afastar qualquer tentativa de abordagem inadequada. Um exemplo didático que de tanto repetir, incorporei como discurso. Assim, acabei narrando o exemplo como fato."
Bruno Covas aproveitou a carta para alfinetar, sem citar nomes, aqueles que têm utilizado o episódio politicamente - nos bastidores do PSDB paulista, a leitura é de que ele foi ingênuo e falou mais do que devia, ainda mais para quem é pré-candidato à Prefeitura de São Paulo.
"A entrevista em questão tem sido utilizada politicamente, uns me acusam de ingenuidade e inexperiência. E isso me conforta. Afinal, o problema central que afeta a imagem dos nossos políticos no país não é ingenuidade, mas a falta de probidade e de caráter que permite o desvio de recurso e o uso inadequado do dinheiro público", atacou.
R$ 8,2 milhões
Covas diz ter conseguido, em emendas parlamentares, só no ano de 2010, o equivalente a toda a cota que lhe caberia em quatro anos de mandato como deputado. No ano passado, Covas exercia mandato de deputado estadual e acabou sendo o campeão de votos na disputa à reeleição. Embora a cota anual por parlamentar seja de R$ 2 milhões, Bruno afirma ser autor de emendas que somam R$ 8,2 milhões. Todas viraram convênios do governo estadual com prefeituras ou entidades. Nas peças orçamentárias de 2010 e 2011, o governo reservou R$ 188 milhões para emendas parlamentares, valor que, dividido por 94 deputados, resulta em R$ 2 milhões. Bruno foi o relator desses dois orçamentos na Assembleia. Embora houvesse uma pressão de deputados por aumentar o valor das emendas, o tucano manteve a cota inalterada.
O valor de R$ 8,2 milhões que Bruno conseguiu liberar em ano eleitoral foi encontrado em 49 emendas das quais o próprio secretário, em seu site oficial, afirmou ser autor. O "Estado" confirmou a assinatura dos convênios e a liberação do dinheiro com base em informações da Secretaria da Fazenda.