08 de julho de 2026
Geral

Cabeleireiros mantêm tradição familiar

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A profissão de cabeleireiro tem maioria feminina, apesar do público masculino aumentar a cada dia no ofício. Imagine então duas gerações de cabeleireiros homens, que dão seguimento em um negócio de mais de 35 anos. Tudo começou com José Caetano Silva, 75 anos, que passou a tradição ao filho Marcílio Bueno da Silva, 39 anos, e ao neto Caio Henrique Bueno da Silva, 16 anos, que é o mais novo cabeleireiro da família.

Caetano, como é carinhosamente conhecido por seus clientes bauruenses, aprendeu a profissão de cabeleireiro - na época chamado de barbeiro -, ainda no nordeste brasileiro, de onde veio para tentar ganhar a vida aqui no Interior do Estado de São Paulo.

"Eu cheguei a Bauru em 1964 e comecei a trabalhar como cabeleireiro para o público masculino. Vim sozinho e depois trouxe minha família. Criei meus três filhos, sendo dois deles homens e uma mulher, com a minha tesoura", brincou.

Primeiro, Caetano chegou à Dracena, depois veio a Bauru, mesmo sem ter nenhum familiar nas duas cidades. O seu primeiro salão de cabeleireiro foi instalado também na Rua Gérson França, Altos da Cidade em Bauru, próximo onde fica seu atual estabelecimento comercial. O ponto ficou muito conhecido pela clientela masculina.

Quando resolveu que iria ser cabeleireiro, Caetano conta que sofria muito preconceito porque o próprio nome da profissão remetia às mulheres. "Se falávamos cabeleireiro, já pensavam que era de mulheres, então quando me perguntavam a minha profissão eu frisava: cabeleireiro masculino. Fiz curso profissionalizante depois, porque na minha época não tinha", contou.

Dos seus três filhos, apenas Marcílio tomou gosto pela profissão e aos 16 anos já sabia cortar cabelos. Então resolveu fazer o curso profissionalizante para exercer a função junto ao pai.

O filho começou como cabeleireiro e hoje também administra o estabelecimento montado pelo pai. O local simples foi tomando novas cores, mais conforto e tecnologia. "O que temos de novidade hoje não é muita coisa. As tesouras, por exemplo, são mais leves e importadas. Melhorei o salão e hoje temos aproximadamente 1.500 clientes que são rotativos. Cerca de 400 passam por aqui todo mês.


Visão para o futuro


Marcílio Bueno conta que com o passar dos anos o homem ficou tão exigente e cuidadoso quanto às mulheres, o que fez com que o ramo de cabeleireiro também tivesse que ser aprimorado.

Hoje ele vende cremes, pomadas, xampus, aos homens. Além disso, também pretende ampliar seus serviços fornecendo podólogos, depiladores e esteticistas aos seus clientes. "Queremos atender cada vez melhor nossos clientes. E este ano meu pai se aposenta e eu e o Caio daremos andamento ao salão", finalizou.


De pai para filho


Foi com apenas 8 anos de idade que Caio Henrique começou a se interessar pelo trabalho do pai e do avô. "Eu comecei pequeno, varrendo os cabelos que ficavam no chão. Com 15 anos decidi que também queria ser cabeleireiro e fiz o curso profissionalizante, que terminei este ano. Ainda estou aprendendo, mas já faço cortes", disse.

Marcílio, pai de Caio, teve três filhos, dentre eles dois homens e uma mulher, coincidentemente assim como seu pai Caetano. Apenas Caio resolveu dar seguimento na tradição familiar. "Eu acho que tudo tem que ser feito como amor. Não adianta insistir. Se o Caio gosta, ele vai fazer bem. Tem que ser de coração", opinou Marcílio.